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segunda-feira, 6 de abril de 2020



Figueirinha a praia construída pelos setubalenses

Muitos daqueles que se deslocam hoje à Figueirinha, a maior praia setubalense, em pleno Parque Natural da Arrábida desconhecem ou estarão esquecidos, que este espaço de eleição foi conquistado ao mar, inicialmente mais por necessidade do que a pensar no lazer. 

Em 1929 o Estado aprovou uma verba de 100 mil contos destinada às primeiras obras portuárias onde também se inseria o Porto de Setúbal cujos trabalhos teriam o seu início no dia 28 de julho de 1930 com o lançamento da primeira pedra. 

Mas a primeira pedra seria apenas o início da colocação de milhões de outras destinadas à edificação de cerca de 4 quilómetros de muralhas e de três docas na baía de Setúbal. 

As pedras seriam retiradas da falésia frente à Figueirinha que por se encontrar praticamente em cima do mar tornariam o trabalho de transporte a bordo de grande e possantes barcaças muito mais fácil e rápido. E foi o que aconteceu. 

Com a conclusão da obra e terminados os trabalhos de extração verificou-se que a falésia tinha recuado e consequentemente haveria agora mais espaço disponível na sua base do que a diminuta faixa de areal até então se verificara. 

O tempo e as marés encarregaram-se de dotar a praia com mais algum espaço, porém nada comparável ao que hoje observamos. 

Foi a construção do espigão a montante da praia e copiosas injeções de areias obtidas com as dragagens do leito do Sado que a praia tal como a conhecemos começou a tomar forma, facto a que não é alheio a natural movimentação de areia devido às correntes submarinas. 

Nos últimos anos foi construído o parque de estacionamento e o mesmo foi posteriormente melhorado e revestido com adequado pavimento, ocupando um espaço que até há poucos anos era banhado pelas águas do Atlântico e que agora se apresenta bem longe do mesmo. 

Podemos assim concluir que a Praia da Figueirinha é o resultado da engenharia, do trabalho árduo e do desenvolvimento da nossa terra, onde a mão humana se sobrepôs à da mãe Natureza. 

Rui Canas Gaspar
202-abril-06


sábado, 24 de setembro de 2016

Boas notícias para os setubalenses e demais amigos que frequentam o belo Parque de Merendas da Comenda 

Tal como nós, tudo na vida deve ser feito com pés e cabeça, sob pena de mais cedo ou mais tarde os problemas aparecerem por aí.

Já lá vão alguns anos que o então presidente da Junta de Freguesia de Anunciada, com toda a sua boa vontade decidiu melhorar as condições do Parque de Merendas da Comenda, tendo então solicitado à Sécil uma parte das estruturas que aquela empresa utiliza nas suas instalações, para o transporte de pedra, e com ela fez, de uma noite para o dia, uma nova ponte pedonal que muito veio facilitar a vida dos utentes daquele espaço.

O que o nosso amigo José Manuel se esqueceu foi que aquele espaço tinha dono e não era do domínio público, pese embora o facto dele mesmo o utilizar desde os seus tempos de menino.

Claro que dono do terreno ficou aborrecido, não com a colocação da estrutura, mas pelo facto da mesma ali ter sido colocada sem ao menos lhe terem dado conhecimento prévio e, vai daí, segundo me disse o próprio presidente da autarquia, tratou de lhe mover uma ação judicial.

De facto, os setubalenses já utilizam o espaço desde que eu me entendo, ainda o mesmo era propriedade do conde Armand. Depois, no tempo em que passou para a posse da Torralta assim continuou e, posteriormente, após a aquisição pelo dinâmico e conhecido empresário António Xavier de Lima, um benemérito Homem que quase todas as instituições deste Distrito de Setúbal se recordam pelos melhores motivos nada foi alterado.

Vem esta nota a propósito de se saber que aquele belo parque de merendas, em plena Arrábida, irá em breve ser alvo de obras de beneficiação de forma a que já no próximo ano esteja com melhores condições de funcionalidade.

Entretanto, é bom saber que desta vez os nossos autarcas tiveram o bom senso de antes de avançar com o que quer que seja reuniram-se com os herdeiros de Xavier de Lima de modo a “acertar agulhas” e assim poder vir a ser assinado pelas partes  um documento protocolar que permita à Autarquia fazer os necessários melhoramentos num espaço cujos proprietários têm permitido ao longo de décadas o uso pelos setubalenses e por quem nos visita.

O que desejo é que as obras sejam feitas de maneira a dotar o espaço das condições que ele merece, que os seus utentes sejam mais cuidadosos com o mesmo e que alguns mais distraídos não se esqueçam de pelo menos colocar o lixo nos recipientes adequados e disponibilizados para o efeito.

Rui Canas Gaspar
2016-setembro-24

quarta-feira, 29 de junho de 2016

É este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida?

A criação da “marca” ARRÁBIDA parece-me uma ideia bem conseguida porquanto tentamos atrair para a nossa região turistas nacionais e estrangeiros, dando-lhes a mostrar o que de melhor temos na nossa terra.


A natureza brindou-nos com o verde da serra, separado por fina areia branca o azul do mar que se confunde com o céu de Verão num idílico e ímpar cenário que tem ao longo de muitos anos vindo a inspirar poetas e pintores.

O que já não me parece tão bem é não termos pessoas capazes de fazer o trabalho de casa e ficar dependente daquilo com que a natureza dotou a região, esquecendo-se que ao atrair gente para determinado local é necessário equipar esse mesmo local com as infra-estruturas de base, nomeadamente a necessária vigilância.

Mas, se não vemos contentores para recolha de lixo nos miradouros da serra, vemos o piso dos mesmos completamente deteriorado com muitos anos sem que alguém se dignasse reparar.

Se não vemos uma única instalação sanitária pública em todo o parque natural, observamos a degradação dos painéis informativos e até os muros de proteção dos miradouros sem qualquer tipo de manutenção.

A questão que se coloca ao simples cidadão, ao turista que vai visitar o belo Parque Natural da Arrábida é qualquer coisa do género: “Afinal quem é que toma conta disto?”

Bem sabemos que a Câmara Municipal de Setúbal, a União de Freguesias, o Porto de Setúbal, os muitos serviços do Estado tratam de por o rabinho de fora, porque este espaço tem direção própria, a do Parque Natural da Arrábida.

Mas será este o tipo de apresentação que se quer para a Arrábida? Penso que não! Penso que não!...

Rui Canas Gaspar
29-junho-2016

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Fonte da Paciência a joia perdida da Arrábida

Os invasores romanos quando decidiram instalar nesta zona da Arrábida uma unidade industrial de salga de peixe e seus derivados, fizeram-no certamente por alguns bons motivos, seguramente bem ponderados.

Primeiro estavam junto a um bom porto de abrigo, depois encontravam-se numa zona de grandes recursos piscícolas e, finalmente, para que a sua indústria pudesse funcionar em pleno necessitavam de quantidade significativa de um outro imprescindível recurso natural: a água.

E foi precisamente este último recurso aquele que foram encontrar de forma abundante, na base do Creiro, uma zona da Arrábida frente à Pedra da Anicha, quase junto à praia. Uma verdadeira riqueza quando é sabido que não são abundantes os aquíferos existentes nesta região.

A água que então corria abundantemente e que fornecia a indústria e a população que laborava naquele complexo foi ao longo dos anos ficando mais escassa.

Mesmo assim, centenas de anos depois, no século XIX, ainda temos notícia de que um agricultor popularmente conhecido por “Zé Nabo” vinha a pé, acompanhando as suas vacas, desde a Maçã, perto de Sesimbra, para apascentar e dessedentar o gado nesta fonte, facto que ficou registado num dos painéis de azulejos colocado anos mais tarde neste local.

Na década de 60 do século XX jorrava alguma água desta fonte que abastecia as famílias de pescadores que, no Verão, acampavam nas redondezas.

No final desta década a água ainda continuava a verter para os cantis dos escuteiros que ali passavam nas suas caminhadas pela serra, porém estava prestes a esgotar-se e era já um ténue fio  que a fonte podia oferecer. Era então necessário algum tempo e muita paciência para poder recolher um pouco do precioso líquido!...

Uma década depois, nos finais dos anos setenta, já o fio de água não corria no Verão. A fonte oferecia a sua água mas apenas gota a gota, como que chorando pela sua anunciada morte.

Nesse tempo, os escuteiros nas suas caminhadas pela serra mãe chegavam a acampar naquela zona e enquanto dormiam nas suas tendas procuravam fazer o abastecimento recolhendo a água que já não corria mas que agora apenas pingava da outrora pujante fonte.

E chegou o dia em que com ou sem paciência já nem uma simples gota a fonte passou a oferecer. Tinha secado de vez, apenas ficando o local de onde vertia pura e cristalina e a sua memória na mente de alguns daqueles que um dia ali se dessedentaram.

Rui Canas Gaspar
2016-abril-22

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARRÁBIDA
Vamos matar a galinha dos ovos de ouro?

Mercedes, Volkswagen e Ferrari são marcas de automóveis que vão fazer por estes dias filmes publicitários na Arrábida, trazendo até cá não só centenas de técnicos como também mais de uma centena de jornalistas, os quais naturalmente aqui deixarão largos milhares de euros, gastos em estadia, alojamento e meios técnicos.

Os mais diversos eventos desportivos trarão também este ano a Setúbal milhares de turistas, desportistas e jornalistas estrangeiros que não deixarão de querer visitar o Parque Natural da Arrábida, um espaço ímpar não só regional, como nacional.

E se a beleza deste espaço cativará certamente os visitantes não acredito que o mesmo possa acontecer com as infraestruturas que ali irão encontrar, dado que são quase inexistentes e até o básico, como sejam os miradouros estão em estado deplorável.

E é isso também que lhes irá despertar a atenção e isso será certamente o que também irão transmitir para os seus países nas crónicas que irão produzir e que em nada irá abonar o setor turístico nacional.

Bem que se poderia evitar esta imagem deprimente, minimizando-se  este impacto negativo, com uns poucos camiões de gravilha, meia dúzia de bidons de alcatrão e umas poucas horas de trabalho de pedreiro, o suficiente para mudar radicalmente o mau aspeto destes espaços.

Isto pode parecer assunto de somenos importância, mas não é. Estou a falar sobre aquilo que é mais visível e com que as pessoas se depararão, na sua curta estadia, quer queiramos ou não.

Para quê gastar-se milhares de euros a promover a nossa terra para atrair turistas se eles ao aqui chegarem vão encontrar, desnecessariamente, estas situações de propaganda negativa?

Diria mesmo que isto é o que se pode rotular de “matar a galinha dos ovos de ouro”.

Bem sei que as Estradas de Portugal vão dizer que os miradouros são da responsabilidade do Parque Natural da Arrábida, bem sei que alguém irá sacudir a água do capote argumentando que a promoção turística é responsabilidade da Câmara Municipal e assim neste jogo de empurra o que é simples de resolver vai-se tornando cada vez mais complicado.

Curiosamente o que mais me espanta é que com tantos técnicos, gestores, diretores e presidentes em todos estes organismos, não haja gente capaz de tomar decisões no sentido de, eficientemente, resolver estas pequenas (grandes) anomalias que nos irão sair mais caras do que se avançasse de imediato com a resolução do problema.

Chamo mais uma vez a atenção do Parque Natural da Arrábida, das Estradas de Portugal e da Câmara Municipal de Setúbal para esta questão do mau estado dos miradouros da Arrábida porque eles são um dos melhores cartões-de-visita de que dispomos e o seu estado em nada vai ajudar a promover o turismo nacional, com a consequente quebra nas necessárias receitas que essa indústria naturalmente pode gerar e que tanto jeito darão nas depauperadas finanças nacionais.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-17

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Na Arrábida a Fonte da Paciência espera pacientemente que alguém trate do seu espaço.

Sou uma das várias fontes existentes um pouco por todo o Parque Natural da Arrábida e considero-me importante pelos mais diferentes motivos, mais que não seja porque forneci  um bem imprescindível à vida, a água.

É bem provável que fosse também por minha causa que, já lá vão imensos anos,se tivessem instalado aqui perto uns romanos que se dedicavam a laborar um enorme complexo onde conservavam peixe e fabricavam produtos seus derivados que exportavam para os mais diversos cantos do seu vasto império.

Séculos mais tarde criadores de gado apascentaram nas minhas imediações os seus animais e também eles vinham aqui saciar a sede. Para além de ficar registado em foto, posteriormente pintaram  essas cenas em painéis que hoje podem ver a decorar o espaço que ainda ocupo.

No final do século passado, quando centenas de casas, casinhas e casinhotas ocupavam a base da serra e espalhavam-se ao longo de todo o Portinho da Arrábida, até aqui ao Creiro, muitos dos seus habitantes era a mim que recorriam para pacientemente encher os recipientes com que portavam aquilo que eu generosamente oferecia.

Não era muito abundante, de facto, ao longo dos anos fui perdendo as forças, mas sempre fui generosa e nunca deixei ficar ninguém mal, ainda que aqui levassem algum tempo para encher os seus recipientes.  Tinham de ter paciência, uma importante virtude!...

A idade não perdoa e um dia deixei de correr à vista de todos como sempre o fiz e, não se riam, porque o mesmo irá acontecer convosco.

Os senhores do Parque Natural da Arrábida fizeram-me uma linda sepultura e trataram de aqui fazer um espaço de descanso e paz em minha homenagem, inaugurando-o em 2002.

 Imaginem que fizeram lindas cercaduras em madeira tratada, colocaram bancos e um bonito mural, com três painéis de azulejos dando conta aos visitantes que não me tinham conhecido em vida sobre a importância que eu teria tido outrora.

Mas, agora sinto-me triste e abandonada, com o mato a crescer à minha volta e com as paredes do meu mural a necessitar de uma limpeza e um pouco de tinta.  Nada que não se possa fazer com um pouco de boa vontade.

Aguardo pacientemente a chegada de alguém que voluntária ou institucionalmente me venha, não ressuscitar, mas ao menos cuidar do espaço onde outrora dei tantas alegrias e saciei a sede a inúmeras gerações.

Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-05

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Prefiro o “Follow Me” ao “Ask Me”, mas isto é apenas gosto pessoal

“Ask Me Arrábida” é a designação do novo espaço da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa que funciona em Setúbal no edifício anteriormente utilizado como posto de turismo na Travessa Frei Gaspar.

Este espaço destina-se a promover e dinamizar o destino Arrábida, estando focado em várias vertentes, nomeadamente na  de informação turística e na comercialização de produtos regionais, com especial destaque para os vinhos, sem esquecer a doçaria, o artesanato e os peluches inspirados na vida marinha.

“Ask Me Arrábida” para os falantes da língua de William Shakespeare melhor nos poderem entender ou, “Pergunte-me Arrábida” na língua de Luís Camões que, se calhar, cada vez entendemos menos, deixa-me apreensivo não pela valia do projeto em si mas por focar um espaço que me é tão caro e tão pouco cuidado, a Serra da Arrábida.

Acho, e isto é apenas um “achismo” que primeiramente se deveria tratar de colocar o produto em condições de o comercializar  e só depois proceder à sua promoção e venda, sob pena de se assim o não fizermos estarmos a defraudar eventuais espectativas.

Precisando um pouco mais o meu ponto de vista e sobre o que deveria ser feito antes do “Ask Me” (pergunte-me) que para mim seria bem mais interessante o “Follow Me” (siga-me).

Sim, siga-me e descubra os encantos desta magnífica região, percorrendo a pé os trilhos da serra (inexistentes) ou fazendo-o de BTT por carreiros demarcados (inexistente). Pare para apreciar nos poucos miradouros as paisagens deslumbrantes (piso todo esburacado) e, se lhe der uma dor de barriga não se vá aliviar atrás de uma qualquer moita, utilize os sanitários  móveis que se encontram junto a esses miradouros (utopia).

Visite o conventinho,  essa joia arquitetónica (fechado, propriedade privada) e se gosta de história natural vá até ao Museu Oceanográfico (cuidado com o horário…). A história militar é fabulosa, mas no parque os fortes estão ao abandono e entregues ao vandalismo.

Vestígios de antigas construções poderão ser observadas um pouco por todo o vasto espaço, pena é que não estejam identificadas e cuidadas, como, por exemplo, aquele forno para as bandas de Alpertuche que pessoalmente considero como sendo o berço do Parque Natural da Arrábida.

É melhor ficar por aqui…

Ask Me, pode ser bonito mas acho curto, preferia o Follow Me, o siga-me e vá ao encontro de um espaço maravilhoso e único que não se descobre, mas que se vai descobrindo.

Rui Canas Gaspar
2015-agosto-28

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Praia da Figueirinha é uma autêntica arca do tesouro

São nove horas da manhã, a temperatura está agradável devendo subir durante o dia acima dos trinta graus. No mar ainda é visível alguma neblina matinal o que ajuda o ambiente a não estar desagradavelmente quente.

Olhando para o amplo areal podemos constatar que por ali operou uma potente máquina de modo a deixá-lo completamente limpo. Uma brigada de trabalhadores completam a tarefa de limpeza levando os  sacões dispersos pela praia com o lixo e colocando novos para fazer a recolha diária.

Logo à entrada do areal ainda podemos constatar a existência de um suporte com dezenas de cinzeiros. Os fumadores conscientes poderão levar um deles para junto de si e ali recolher a cinza e a ponta do cigarro de forma a que não sirva de elemento poluidor ao areal.

Uma longa fila de autocarros e carrinhas das mais diversas escolas e colégios da região de Setúbal alinham-se e vão desembarcando ordeiramente milhares de crianças enquadradas por diligentes professoras, monitoras e auxiliares.

Quase todas estas crianças transportam a sua própria mochila com o lanche e trazem na cabecinha um colorido chapéu que ajuda a diferenciar e a ser mais fácil de identificar o grupo a que pertencem.

A Guarda Nacional Republicana, esta nesta quarta-feira a operar em duas frentes, por um lado na organização do trânsito, por outro encontra-se também a fiscalizar as condições de segurança dos autocarros que estão a fazer o transporte das crianças.

Na Praia da Figueirinha, em pleno Parque Natural da Arrábida, podemos ver arvorada a bandeira azul, símbolo da excelência deste espaço que diariamente recebe nesta época do ano o que qualquer país tem de melhor, as suas crianças.

Este é o nosso maior tesouro e dá gosto podermos observar aqui, discretamente, como as crianças são bem tratadas por aquelas profissionais e voluntárias que as acompanham proporcionando-lhes uma manhã de sol e mar, outra das grandes riquezas de Portugal.

Sem dúvida que este é o investimento prioritário que se deveria fazer no nosso país, o investimento nas famílias, de forma a que pudéssemos proporcionar-lhes os meios para se desenvolverem harmoniosamente e com a necessária qualidade de vida.

Não deixa de ser emocionante verificar ali, na Praia da Figueirinha, a alegria daquelas milhares de crianças, como não deixa de ser preocupante sabermos que Portugal que há alguns anos foi considerada a reserva demográfica da Europa está a ficar um país envelhecido porque os seus governantes tem descurado o efetivo apoio às famílias, a célula base de qualquer sociedade.

Por esse facto o consequente deficit de nascimentos, empobreceu esta que é a mais antiga nação europeia, cuja riqueza não está nos euros que tem, nas autoestradas que dispõe ou em outro qualquer indicador económico mas sim nas suas crianças e naturalmente nas suas famílias.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-15

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Será que existe real coordenação entre os bombeiros setubalenses em relação a Azeitão?

Na página do facebook da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, no dia 6 de julho, colocado às 13,59 podemos ler o seguinte:

“Incêndio junto ao Destacamento dos bombeiros voluntários de Setúbal em Azeitão perto das 15 horas fez mobilizar 3 viaturas com 11 operacionais.

Para combater as chamas estiveram apenas os elementos dos Sapadores com apoio de corporações de fora do município, uma vez que o destacamento não tinha elementos para assegurar o socorro na vila.”

Indo depois olhar outra página, desta vez a dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, constatamos que o professor Eduardo Fernandes, um antigo bombeiro voluntário desta corporação, escreveu em 6/7 às 22,41 a propósito do fogo que deflagrou junto ao quartel dos B.V.S. o seguinte:

“O dito incêndio deflagrou realmente junto ao quartel dos voluntários em azeitão... Mas aqui existiu um erro de planeamento (aliás os sapadores deveriam estar sossegados porque quando lá chegaram já Sesimbra lá estava...). Ditam as regras que em dia de feira e com a presença de dois focos de alto perigo (as bombas de gasolina a menos de 100 metros e uma pilha de matéria florestal seca junto às bombas, que o primeiro carro a chegar ao local não invente e que comunique a necessidade de reforços.

Ora esses reforços devem ser solicitados na proporção do perigo, da topografia, dos acesso e neste caso das condicionantes (era dia de feira).

Ou seja, o primeiro carro ataca o incêndio mas deveria ter solicitado pelo menos mais 3 viaturas, sendo uma para proteger a zona das bombas, que poderia trabalhar em conjunto com uma dos flancos já que o vento se encontrava para a serra e protegiam toda a faixa do estacionamento da feira. Outra viatura deveria estar junto à dos Voluntários de Setúbal... isto se se soubesse o que significa planear...

Sesimbra esteve bem e cumpriu a sua função, os Sapadores de Setúbal que gostam muito de mandar bitaites... não sei muito bem porquê, quando lá chegaram foram fazer... nada... criticar e mostrar qualquer coisa que não se sabe bem o quê.”

Quis saber qual seria a opinião da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra mas a sua página no facebook nada menciona a respeito deste assunto.

Dado que Azeitão dispõe de vários aglomerados populacionais com milhares de pessoas, indústrias importantes e equipamentos sensíveis, como hospital e lar de terceira idade, encontrando-se grande parte do território em pleno Parque Natural da Arrábida, este tipo de atuação que transpira para a opinião pública não é nada benéfico e dá pouca tranquilidade ao comum cidadão.

Sendo assim, pela minha parte, enquanto setubalense só espero que os nossos bombeiros sapadores e voluntários se entendam e que tudo possa decorrer com a melhor coordenação em ações futuras, para bem de todos os que confiam nos nossos esforçados soldados da paz.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-09

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Devia abrir-se uma janela de oportunidade na Praia da Figueirinha

Longe vão os tempos das longas filas de pessoas que nesta altura do ano embarcavam junto à “Asa do Avião” no “Rio Azul” ou nos outros barcos convencionais que faziam o trajeto entre Setúbal e Troia e vice versa.

Eram tempos em que o parque automóvel setubalense era diminuto e a Praia da Figueirinha não se apresentava com o grande areal como hoje a conhecemos e muito menos com o amplo espaço de estacionamento que atualmente é disponibilizado.

Mais para poente também não existiam os parques de estacionamento do Creiro e como tal esta e outras praias suas vizinhas não eram também tão frequentadas como hoje o são, sendo esse privilégio acessível a alguns poucos mais endinheirados.

Presentemente chegada a época balnear, milhares de portugueses deslocam-se para estas praias da Arrábida, sendo atualmente os locais de eleição dos setubalenses.

A afluência de viaturas à Figueirinha é tal e a falta de estacionamento de tal forma notória que as viaturas esgotam o parque de estacionamento e parqueiam nas bermas, ao longo da estrada.

Para evitar congestionamento as autoridades optaram por fazer alteração ao trânsito automóvel obrigando as viaturas a circular em sentido único, de nascente para poente e, quem desejar retornar a Setúbal, poderá fazê-lo apenas depois das 21,00 ou então, como alternativa se o desejar fazer antes dessa hora terá de dar a volta pela Serra.

Se a medida é compreensível o mesmo não se poderá dizer em relação ao horário para retorno, as 21,00 horas, o que é demasiado tarde segundo opinião de muitos utentes especialmente aqueles que têm crianças pequenas.

Há muitas famílias que pretendem sair da praia à hora do almoço e outras que só depois deste período decidem ir usufruir daquele espaço e para isso são obrigadas a fazer um longo trajeto que seria evitável se se abrisse uma janela de oportunidade.

Por exemplo, poderia manter-se a atual interdição de retorno dentro do horário aprovado para o período da época balnear. Porém, com trânsito nos dois sentidos entre as 12,30 e as 15,30 horas, dando-se assim a oportunidade das pessoas regressarem a Setúbal sem terem de fazer vários quilómetros desnecessariamente, com a consequente poupança de tempo e dinheiro.

Aqui fica a sugestão que se o Executivo Municipal achar por bem, basta alguma informação aos utentes, uns cartazes afixados no local, a GNR a controlar o tráfego e muita, mas mesmo muita gente feliz e contente. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-julho-03

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domingo, 10 de maio de 2015

Será que queremos mesmo ter turismo em Setúbal?

De que serve estarmos a promover a nossa região interna e externamente, gastando largos milhares de euros na sua divulgação se não temos capacidade para investir algumas poucas centenas na qualidade do produto que nos propomos comercializar?

Quando estamos a vender a imagem desta belíssima região, mostramos os poucos monumentos que temos, publicitamos a saborosa gastronomia e os vinhos regionais e sobretudo as nossas magníficas belezas naturais.

Aqueles a quem conseguimos cativar o interesse deslocam-se aqui para apreciar ao vivo aquilo que é anunciado, o que é naturalmente legítimo e expectável. O que não é legítimo é defraudar as expectativas de quem aqui se desloca propositadamente.

Por exemplo:

Não é legítimo publicitar o nosso saboroso peixe assado e haver alguns comerciantes que nos tentam servir impunemente peixe congelado de vários dias misturado com peixe fresco.

Também não será boa propaganda turística deixarmos que as largas centenas de auto caravanistas que nos visitam anualmente não tenham espaço próprio para parquear as suas viaturas, pagando ou não a ocupação do respetivo espaço.

Igualmente não faz qualquer sentido apontarmos como visita obrigatória a nossa maravilhosa Serra da Arrábida e, já lá vão não sei quantos anos, que os poucos miradouros existentes no alto da serra se encontram no miserável estado que a foto documenta.

Há coisas que são de fácil resolução e ao não serem resolvidas fazem potenciar o fator negativo que nada vai abonar o turismo e como tal em nada irá contribuir para uma boa imagem que se deseja.

As consequências são fáceis de adivinhar:

- Os “chicos espertos” que servem peixe congelado como sendo fresco acabam por perder clientes e cedo ou tarde terão de fechar a tasca, culpando a “crise”.

- A Autarquia sadina que ainda não investiu na construção de um espaço próprio para as autocaravanas, uma fonte de receita que rapidamente compensaria o investimento, perde dinheiro todos os dias e turistas que pouco tempo por cá ficarão.

- O Parque Natural da Arrábida deve ter umas finanças tão miseráveis que ainda não conseguiu adquirir três ou quatro metros cúbicos de alcatrão para reparar convenientemente os miradouros, transmitindo assim uma imagem de desleixo e de falta de profissionalismo dos seus responsáveis.

O tempo quente chegou e com ele os turistas. Saibamos recebê-los bem e saibamos solucionar os pequenos problemas que se colocam ao setor de forma eficiente e célere, porque os tempos que correm não se compadecem nem com gente mole, nem com chique-espertice.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-10

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domingo, 26 de abril de 2015

Oito anos separam estas duas fotografias

Cada dia que passo pelas instalações daquela que foi a 7ª Bataria mais degradado vejo este espaço de património tão rico quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista da sua invulgar panorâmica.

Vândalos que nada mais sabem fazer, encarregam-se de destruir tudo o que encontrem pela frente, enquanto que outros rapinam tudo o que seja vendável, nomeadamente o metal. E, ali, nem os fios de cobre que se encontravam enterrados para as transmissões internas escaparam.

Se as peças de artilharia ainda lá estão é porque são demasiado pesadas para serem transportadas, no entanto, até as velhas ventoinhas que amenizavam um pouco o ar dentro das estruturas metálicas há muito que desapareceram.

Se repararem nestas duas fotos, uma de 2007 e outra de 2015 verificarão que até o pequeno painel de azulejos que identificava a Unidade Militar sumiu. Aliás, foi uma das primeiras peças a desaparecer. Espero bem que tenham sido os militares que a retiraram e que a tenham levado para o museu.

Uma lástima, o estado em que se encontram estas amplas instalações dotadas de um tremendo potencial para os mais diversos fins, nomeadamente os relacionados com o turismo.

Até quando vamos assistir ao delapidar do património construído com o dinheiro dos nossos impostos? Se o Estado não tem capacidade para manter as estruturas, pois então que as venda com a condição de que sejam recuperadas num determinado período de tempo.

Como está é que não é nada! E é escusado gastar-se tempo e dinheiro a colocar vedações de rede metálica, porque isso é alimentar os malfeitores. O que interessa é dar uso ao edificado nem que seja passando para aquele espaço parte dos serviços do próprio Parque Natural da Arrábida, um destacamento da Guarda Nacional Republicana, ou mesmo um posto avançado dos Bombeiros.

Mas, no país onde ainda impera a burocracia e onde em cada Serviço, ou Departamento temos um reizinho todo poderoso à frente não me parece que estas sugestões possam passar da mais pura utopia!...

Rui Canas Gaspar
2015-abril-26

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sábado, 11 de abril de 2015

A Arrábida não se descobre, vai-se descobrindo!...

Hoje, sábado, dia 11 de abril de 2015, tive o prazer de me encontrar algures na Arrábida com o espeleólogo Francisco Luís Rasteiro, autor do livro Flora da Área Cársica do Concelho de Sesimbra, um excelente trabalho que nos mostra a muito diversificada flora existente no Parque Natural da Arrábida.

Foi uma excelente oportunidade para trocar galhardetes, ele com o seu belo livro sobre a flora do P.N.A. e eu com o meu Arrábida Desconhecida, um livro de aventura e simultaneamente um roteiro ecoturístico do Parque Natural da Arrábida.

O Francisco Rasteiro é um dos membros fundadores do NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul)  o grupo que descobriu e tem vindo a explorar o maior tesouro da Arrábida e um dos mais importantes do seu género até agora descobertos em Portugal, trata-se da quase desconhecida e lindíssima Gruta do Frade, uma raridade que se encontra no Parque Natural da Arrábida.

Um soberbo livro com 300 páginas e contendo centenas de belíssimas fotos foi editado pelo NECA com o apoio da Associação dos Municípios da Região de Setúbal mostrando-nos o que se pode admirar neste santuário subterrâneo, um dos muitos mistérios que a Serra-Mãe encerra bem guardado no seu ventre.

Tratou-se de uma excelente oportunidade para trocarmos impressões e partilharmos conhecimentos e experiencias sobre um espaço que ambos amamos e tão querido a muitos dos habitantes sobretudo aqueles que residem nos concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela, espaços abrangidos pelo P.N.A. 

De facto, vale a pena cada vez mais aprofundarmos os nossos conhecimentos sobre a maravilhosa Arrábida, um espaço invulgar, que não se descobre, vai-se descobrindo!...

Rui Canas Gaspar
2015-abril-11

Rui Canas Gaspar

quinta-feira, 12 de março de 2015

COISAS DE SETÚBAL

A Igreja de Nossa Senhora da Ajuda

Encontra-se no Parque Natural da Arrábida, a antiga Igreja de Nossa Senhora da Ajuda.

Esta foi sede de uma paróquia rural a qual no ano de 1835 viria a ser anexada pela paróquia setubalense de Nossa Senhora da Anunciada.

Na manhã de sábado, primeiro de novembro de 1755, quando o mundo católico celebrava o “Dia de Todos os Santos” a terra tremeu violentamente derrubando muitas construções a sul de Portugal até ao norte de África e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, ali junto ao azul Rio Sado, não escapou a este terrível terramoto, tendo ficado bastante danificada.

Devido a este cataclismo, os fiéis das localidades da Rasca, Alcube, Outão e de toda a circunvizinha região deixaram de ali frequentar os serviços religiosos e passaram então a assistir à missa celebrada na capela de São Pedro de Alcube, em Aldeia Grande, uma construção religiosa que já existia no ano de 1596 e que pertencia à paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.

As ruínas desta enorme construção encontram-se no alto de uma encosta frente ao Rio Sado, sensivelmente por cima da Praia da Esguelha, podendo-se ver na sua frente um rochedo que na maré cheia fica submerso, temido durante muitos anos por pescadores e marinheiros, sendo conhecido por “Pedra Aflar”.

Com o decorrer do tempo aquela igreja perdeu importância até que as suas  instalações deixaram de ser utilizadas para culto religioso. As mesmas foram posteriormente adaptadas a outras menos espirituais, nomeadamente às de lagar e de celeiro.

Presentemente encontram-se em ruínas, rodeadas de mato, sendo um dos cerca de meia centena de artigos matriciais que compõem a propriedade da Comenda de Mouguelas.
Rui Canas Gaspar
2015-março-12

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