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sábado, 11 de abril de 2015

A Arrábida não se descobre, vai-se descobrindo!...

Hoje, sábado, dia 11 de abril de 2015, tive o prazer de me encontrar algures na Arrábida com o espeleólogo Francisco Luís Rasteiro, autor do livro Flora da Área Cársica do Concelho de Sesimbra, um excelente trabalho que nos mostra a muito diversificada flora existente no Parque Natural da Arrábida.

Foi uma excelente oportunidade para trocar galhardetes, ele com o seu belo livro sobre a flora do P.N.A. e eu com o meu Arrábida Desconhecida, um livro de aventura e simultaneamente um roteiro ecoturístico do Parque Natural da Arrábida.

O Francisco Rasteiro é um dos membros fundadores do NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul)  o grupo que descobriu e tem vindo a explorar o maior tesouro da Arrábida e um dos mais importantes do seu género até agora descobertos em Portugal, trata-se da quase desconhecida e lindíssima Gruta do Frade, uma raridade que se encontra no Parque Natural da Arrábida.

Um soberbo livro com 300 páginas e contendo centenas de belíssimas fotos foi editado pelo NECA com o apoio da Associação dos Municípios da Região de Setúbal mostrando-nos o que se pode admirar neste santuário subterrâneo, um dos muitos mistérios que a Serra-Mãe encerra bem guardado no seu ventre.

Tratou-se de uma excelente oportunidade para trocarmos impressões e partilharmos conhecimentos e experiencias sobre um espaço que ambos amamos e tão querido a muitos dos habitantes sobretudo aqueles que residem nos concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela, espaços abrangidos pelo P.N.A. 

De facto, vale a pena cada vez mais aprofundarmos os nossos conhecimentos sobre a maravilhosa Arrábida, um espaço invulgar, que não se descobre, vai-se descobrindo!...

Rui Canas Gaspar
2015-abril-11

Rui Canas Gaspar

sábado, 14 de março de 2015

O comboio alemão ao largo da costa setubalense

Estávamos no ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.

O vapor tinha saído do porto de Setúbal abastecido da lenha necessária para que a sua caldeira produzisse a energia suficiente para o fazer movimentar durante o período da faina.

Naquele dia não foi necessário recorrer ao apoio do buque que, carregado, costumava segui-lo para o poder reabastecer, quando se tratava de maiores distâncias ou mais tempo passado no mar.

Era já noite e o Francisco, jovem pescador, estava no seu turno de vigia a bordo do “Alentejano” vapor setubalense da pesca do cerco que se encontrava fundeado junto à Praia da Baleeira, ali para os lados do Cabo Espichel, em Sesimbra, um local bem abrigado graças às altas encostas escarpadas.

Subitamente, o jovem reparou que a poucos metros do vapor setubalense uma ténue luz vermelha se deslocava sobre a água, de norte para sul, podendo observar também uma espécie de braço que dela saía.

Imediatamente deu o alarme aos seus camaradas que tiveram oportunidade de constatar tratar-se de um submarino, que navegava submerso,
Naqueles tempos conturbados esta era a arma mais temida pelos homens do mar, os seus torpedos foram responsáveis pelo afundamento de milhares de navios e por muitos mais milhares de mortos.

Poucos minutos depois de ter passado o submarino, surgem as silhuetas de vários navios de guerra que, ladeando, protegiam um enorme paquete da marinha mercante.

O comboio alemão passou bem perto do vapor pesqueiro setubalense sem incomodar e lá seguiu a sua rota, para sul.

Nessa altura os exércitos nazis alemães, aliados aos fascistas italianos ocupavam vastos territórios do Norte de África, combatendo os exércitos aliados e, certamente, aquele importante comboio levaria reforços para o teatro de operações, a conhecida “Guerra do Deserto” que ocorreu entre junho de 1940 e maio de 1943.

Salazar, o governante português, conseguiu manter a neutralidade do país que mesmo sem se envolver no conflito via o seu espaço aéreo e marítimo ser utilizados pelas diferentes forças.

Era o tempo do volfrâmio, um minério extraído de uma centena de minas portugueses, minério destinado ao fabrico de armas e munições, cujo preço subiu em flecha e, pago pelos alemães em ouro, canalizado para o nosso país via Suíça.

Também os pescadores setubalenses chamaram a esse período o do volfrâmio, porquanto o preço da sardinha subiu bastante, peixe destinado às fábricas de conservas que o exportavam igualmente para os países em guerra.

O comboio marítimo passou, o conflito bélico terminou, as minas encerraram e as fábricas conserveiras com o tempo também desapareceram, ficou a recordação de um velho pescador de Troino que hoje partilhou mais uma das suas ricas memórias de um passado recente e seguramente já pouco conhecido.

Rui Canas Gaspar
2015-março-14

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domingo, 10 de agosto de 2014

As histórias ajudam-nos a compreender e a apreciar a História

Sabem o que conta a lenda sobre o que fez na Serra da Arrábida, nas Terras do Risco, o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques?
Pois então cá vai a história…

“ Pequenos grupos de cavaleiros ao serviço de sua majestade faziam incursões até junto ao castelo de Sesimbra, onde provocavam os mouros. Estes vendo um tão pequeno grupo de atrevidos cristãos saiam de lá cavalgando, uns empunhando lanças, outros brandindo as suas terríveis cimitarras, galopavam em sua perseguição para os apanhar e fazer pagar a ousadia.

Quando aqui chegavam à floresta, os mouros eram surpreendidos e rodeados por grande número de guerreiros cristãos que facilmente os derrotavam.

Desta forma os cristãos foram enfraquecendo a guarnição muçulmana, tornando depois mais fácil a conquista desta importante praça-forte por D. Afonso Henriques. “

Ainda segundo a lenda, foi no Vale da Vitória, a poente da Ermida d’El Carmen, que o nosso rei resolveu arriscar a divisão das suas hostes de forma a criar uma armadilha para atrair os mouros que vindos de Badajoz para ajudar a guarnição do castelo de Sesimbra, ali teriam sido derrotados numa batalha então levada a efeito.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-10

www.troineiro.blogspot.com