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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Já temos aviso no Forte de São Filipe

Se há coisas que detesto é o de apontar coisas menos boas da minha terra. Bem que poderia ficar calado, só que já lá dizia a minha avozinha: “quem cala consente” e, como tal, não ficaria bem com o minha consciência se não apontasse o que julgo estar errado, tendo por finalidade ajudar quem de direito a resolver eventuais problemas.

Reparei que na berma da estrada que vai para o Outão, perto da Albarquel foi colocada há pouco pela Câmara Municipal de Setúbal uma placa informando que o Parque de Campismo do Outão se encontra encerrado. Sendo assim não vale a pena as pessoas deslocarem-se para fora da cidade tendo por objetivo acampar naquele espaço.

Se é mau o parque estar encerrado sem data prevista de reabertura, é bom que a informação esteja disponível para os eventuais utentes que desconhecem esse facto, antes de baterem com o nariz na porta.

E pensei eu que placa idêntica estaria também colocada logo na subida da estrada que conduz ao Forte de S. Filipe, tanto mais que tendo sido questionado o Executivo pela oposição, numa reunião municipal, ficou o compromisso de ser colocada uma placa informativa, para que os eventuais visitantes não tivessem de subir toda a estrada e ao chegar ao forte se deparassem com o portão encerrado.

Movido pela curiosidade, lá fui verificar se tal tinha acontecido. Porém, não vi qualquer placa, para minha desilusão, até chegar ao encerrado portão, onde aí sim agora se encontra uma placa informativa.

Acontece que a placa é feita de um material que reflete a luz tornando-se muito difícil a leitura, depois foi colocada ficando a parte de baixo a cerca de 1,80, escrita em três idiomas, o que quer dizer que o português está a cerca de 2,50 metros de altura tornando-se extremamente complicado ler o texto na língua de Camões.

A informação está disponibilizada em português, inglês e castelhano e é do seguinte teor:

“FORTE S. FILIPE ENCERRADO PARA OBRAS INTERVENÇÃO REFORÇA ENCOSTA DA FORTALEZA

A Câmara Municipal de Setúbal, na sequência de contactos e negociações estabelecidas nos últimos meses com vários organismos para resolver o problema da Fortaleza de São Filipe, um monumento nacional da responsabilidade do Poder Central, foi incluída num aviso-convite da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR) para apresentar candidatura a fundos comunitários para realizar as necessárias obras de sustentabilidade da encosta onde está situado o edifício.

Assim, por motivos de segurança o Forte de S. Filipe estará encerrado ao público e o prazo de intervenção é de 24 meses”

Só consegui ler o texto, porque o fotografei e li posteriormente no computador depois de o ampliar.

Quanto à reabertura é uma incógnita dado que as obras estão previstas para durar 24 meses só que não se diz quando é que começam, nem o aviso tem qualquer data.

E pergunto eu: Será que vale a pena os visitantes nacionais e estrangeiros subirem a íngreme ladeira para chegar lá acima e deparar-se com o portão encerrado e um aviso com toda esta lenga lenga?

Não seria mais eficiente a colocação de uma placa idêntica à colocada junto à Albarquel a dizer que o forte está encerrado?

Coisa simples acho eu, mas isto é apenas um “achismo”!...

Rui Canas Gaspar
2016-janeiro-21

www.troineiro.blogspot.com

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

FORTE DE SÃO FILIPE, EM SETÚBAL

Mais meia centena de visitantes que se livraram de bater com o nariz no portão

Depois de ler o “Coisas de Setúbal” aquela professora, responsável pela área de projeto da sua escola, chegou à conclusão que provavelmente não poderia trazer a meia centena de meninos até ao Forte de São Filipe, em Setúbal, para uma visita de estudo.

Telefonou-me a perguntar se era verdade ou não que o forte não estava acessível a visitas.  Depois de lhe ter confirmado e porque ela não conhecia Setúbal acedi ao convite de lhe sugerir um programa alternativo para as suas crianças.

Atrevi-me a propor-lhe que pudesse visitar o Museu do Trabalho, onde as crianças poderiam aprender sobre a indústria conserveira e vivenciar o trabalho daqueles homens e mulheres que trabalharam na fábrica. Depois desceriam até à Praça do Bocage para aprenderem mais sobre esse grande poeta setubalense e finalmente dirigir-se-iam para o Parque Urbano de Albarquel onde fariam um piquenique.

Enquanto ia falando, do outro lado da linha a professora seguia através da internet o programa que eu lhe ia delineando e mostrava-se visivelmente satisfeita. E, como já tinha autocarro cedido pela sua autarquia para transporte dos alunos e porque o programa que lhe estava a sugerir era isento de custos mais satisfeita ficou.

Eu também fiquei satisfeito por ter sido útil e, sobretudo, por ter evitado que meia centena de crianças e professores vindos de outra localidade até Setúbal, batessem com o nariz no portão do nosso Forte de São Filipe.

Curiosamente, continuamos a constatar que não existe qualquer aviso nem no início da estrada de acesso nem no próprio portão do forte a informar os turistas nacionais e estrangeiros para o facto daquele monumento estar encerrado.

Considero este facto uma falta de respeito pelos visitantes e uma situação nada abonatória para o turismo local, pelo que me atrevo a solicitar a um qualquer partido político, candidato às próximas eleições, que reserve uns trocados para imprimir um cartaz que logo no início da estrada de acesso informe que não vale a pena ir até lá acima visitar o “castelo” porque o mesmo está encerrado.

Quando se gasta tanto dinheiro em material de propaganda, penso que um cartaz não deve fazer grande mossa no orçamento e daria muito jeito a muito boa gente que diariamente perde o seu tempo ingloriamente. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-07

www.troineiro.blogspot.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Dois monumentos: Um brilha na escuridão o outro afunda-se nas trevas

Está agendado para sábado, dia 15 de agosto de 2015, o momento em que a  Câmara Municipal de Palmela inaugurará um novo sistema de iluminação que irá dar uma visibilidade completamente diferente e ímpar ao seu vetusto castelo, tornando-o assim num marco referencial da nossa região.

Enquanto isso, o nosso “castelo” de Setúbal, o Forte de São Filipe, permanece envolto em trevas profundas, tão profundas quanto as suas antigas galerias subterrâneas que escondem o escoramento de parte da laje que podemos ver à superfície. Uma obra com dezenas de anos e que não chegou a ser concluída.

No início de maio deste ano, dirigi-me ao nosso forte, que se encontrava encerrado, sem qualquer tipo de aviso sobre o porquê de tal suceder e mesmo ali fui informado por alguém que vindo do interior me disse que o mesmo se encontrava com obras de escoramento nas galerias subterrâneas e que a pousada se encontrava também com intervenção, tendo encerrado em 1 de novembro de 2014  e reabrindo no dia 1 de maio.

Enquanto isso, um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) dava conta da necessidade de se proceder a obras urgentes de estabilização da encosta, dado o perigo de derrocada da fortaleza.

O facto é que chegamos ao mês de agosto e nem a pousada reabriu e parece que não voltará a fazê-lo, nem sequer os portões do forte deixaram de estar fechados a cadeado não permitindo que alguém tenha acesso àquele privilegiado miradouro sadino.

Julgo que o mais elementar direito de qualquer cidadão numa sociedade democrática, é de facto o direito à informação e, como tal, considero incompreensível que não seja colocado pela Autarquia um aviso no início da estrada de acesso ao forte com a informação de que o mesmo está encerrado, seja porque motivo for.

Captarmos turistas que venham até cá para fazer mais alguma coisa do que comer peixe assado e choco frito é capaz de ser complicado e nem sequer vale a pena estarmos a pensar em cais para navios de cruzeiro, marinas, ou construção de novos hotéis, enquanto não se cuidar devidamente do pouco que temos para presentear os visitantes.

Já com o Parque Natural da Arrábida é o que é, sem as mínimas condições e com ausência de manutenção de espaços, agora o forte de São Filipe com os turistas a baterem com o nariz na porta todos os dias…

Afinal os nossos “espertos” estão a pensar que basta criar a marca “Arrábida” e transformar um posto de turismo numa outra qualquer coisa para desenvolvermos convenientemente esta indústria da paz?

Assim não dá!

Se não fosse as belezas ímpares com que natureza dotou este cantinho de Portugal estávamos feitos… Até parece que estamos a brincar aos operadores turísticos. Digo eu que até nem sou nem “expert” nem “esperto”.

Rui Canas Gaspar
2015-agosto-12

www.troineiro.blogspot.com