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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

No P.U.A. há perigo para a navegação

No Parque Urbano de Albarquel a Câmara Municipal de Setúbal  adverte que a zona de praia é perigosa, que a mesma tem movimentação de embarcações e que para além disso as correntes marítimas ali são muito fortes, motivos mais que suficientes para todos termos muito cuidado, e quando digo todos estou a referir-me inclusivamente aos próprios Serviços Municipais.

De facto, o mar que tudo leva e tudo trás, brindou o areal do Parque Urbano de Albarquel com um enorme tronco, arrastado sabe-se lá de onde, e ali ficou na areia, até que uma qualquer maré o puxe de novo para água e o leve para algures.

Se há perigos que os homens do mar tanto temem é exatamente este dos objetos de grandes dimensões que se encontram à deriva, sendo que o embate numa embarcação pode ser fatal. Foi esse mesmo reparo que o meu pai, velho e experiente lobo-do-mar, fez questão de mencionar quando viu o perigo que ali se encontrava.

Não sei a quem cabe a responsabilidade de prevenir um eventual acidente motivado por aquele enorme tronco. Se à Câmara Municipal, se à A.P.S.S. o que sei é que uma qualquer maré poderá arrastá-lo para as águas do Sado e um qualquer barco poderá colidir com ele.

Parece que pelas nossas bandas não temos muito o hábito de prevenir, mas quando o acidente acontece corremos com toda uma panóplia de meios e recursos humanos quais operacionais sempre prontos e aptos a resolver situações por mais complicadas que sejam.

Mas meus amigos governantes, vocês que sabem a quem compete resolver este tipo de situação, tratem dela quanto antes, não vá acontecer o pior e depois não poderão argumentar com uma daquelas desculpas esfarrapadas a que já nos habituamos a escutar e que o nosso povo costuma rotular de “desculpa de mau pagador”.

Qualquer funcionário dos vossos Serviços, munido de motosserra, poderá cortar o tronco e removê-lo dali antes que o mar o faça com consequências imprevisíveis.

Rui Canas Gaspar
2014-dezembro-05

www.troineiro.blogspot.com

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O perigo espreita na Arrábida

A Serra da Arrábida cada vez é mais visitada por nacionais e estrangeiros que apreciam nos diversos miradouros existentes em alguns pontos privilegiados no alto da serra uma soberba e ímpar panorâmica.

O Parque Natural da Arrábida colocou, e muito bem, alguns painéis interpretativos de modo a que os visitantes, ao observarem-nos, melhor se possam situar e localizar os diversos pontos de interesse ao alcance da sua vista.  

Nesses mesmos painéis está disponibilizada também variada informação sobre a fauna e flora local.

Pela qualidade deste material verifica-se que foi feito um esforço financeiro substancial para que os visitantes daquele espaço melhor o possam conhecer e potenciar o seu conhecimento sobre este maravilhoso local.

Os miradouros tornaram-se assim mais atraentes e, é comum vermos muitíssimos visitantes parados nesses espaços a captar imagens fotográficas, algumas delas de rara beleza.

Mas… o que de facto não tem qualquer beleza é o incompreensível estado do pavimento desses miradouros, particularmente daqueles mais visitados por estarem junto à estrada.

Nada que duas ou três barricas de material betuminoso não pudesse resolver, evitando-se assim o “disparo” de cascalho nas mais diversas direções com o consequente perigo que isso representa.

É que com os buracos abertos no pavimento o cascalho encontra-se solto e ao ser pressionado lateralmente pelos pneus dos automóveis saltam nas mais diversas direções e foi por pouco que uma senhora estrangeira não foi gravemente atingida esta semana por um desses perigosos “projeteis”.

Se é bom podermos colocar a nossa Arrábida no topo das atenções mundiais. Se é louvável a iniciativa da colocação dos painéis informativos, não deixa de ser incompreensível que os responsáveis por aquele espaço não tenham em atenção um tão desprestigiante e perigoso aspeto, de tão fácil e rápida resolução.

Gostaríamos de continuar a ver a nossa Arrábida no topo dos noticiários mas pelas melhores razões e não por um qualquer acidente que pode e deve ser evitado por quem  de direito.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-12


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Como me cortaram a carreira de jornalista e de bombeiro…

Longe vão os tempos em que as crianças do bairro de Troino e de tantos outros bairros típicos da nossa cidade podiam brincar na rua, até que ouvissem a sua mãe chamar pelo seu nome para regressar a casa, tal como as sirenes das fábricas o faziam para convocar as suas operárias quando as fábricas “metiam peixe”.

Os carros eram raros e por vezes quando algum passava pelas nossas bandas logo corríamos para nos empoleirar na traseira do mesmo e desta forma andar alguns metros de boleia, sem medir o perigo a que nos sujeitávamos.

Claro está, que para os moços o perigo não existe, enquanto para as mães ele está sempre à espreita em tudo o que seja lado. Isso era assim ontem, é hoje e continuará a ser amanhã.

- Certo dia, morando a nossa família na Rua das Oliveiras, estava minha mãe a barrar com manteiga o tacho de barro onde iria cozer o bolo de farinha de milho, e eu saltitando à sua volta à espera que a massa estivesse feita para lamber os restos, quando começamos a ouvir as sirenes dos carros dos bombeiros que subiam pela estrada do Viso, nas traseiras da nossa rua.

O bolo para mim deixou logo de ter interesse e, com indisfarçável satisfação, disse para a minha mãe que ia ver onde era o fogo.

- Não vais! Podes ser atropelado. Dizia a minha mãe. Vou! Não sou nada atropelado. Não vais! Vou… Não vais! Vou…

A minha mãe perdeu a paciência e com o tacho de barro já barrado com a manteiga, agarrando com ambas as mãos, bateu-o na minha dura cabeça que se encontrava coberta com uma boina por causa do frio.

O tacho ficou feito em mil pedaços, o bolo deixou de ser feito, levei mais umas palmadas no traseiro e, pelos vistos isso viria a influenciar o meu trajeto profissional futuro que não passaria por seguir a carreira de repórter nem sequer a de bombeiro…

Rui Canas Gaspar
2014-julho-23