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domingo, 15 de setembro de 2019



Setúbal na História ou histórias de Setúbal (5)
O nosso maior poeta e a sua praça 

Tempos houve que a atual Praça do Bocage ficava bem junto à foz do Sado. A atestar esta afirmação estão as cetárias romanas, que se encontram por baixo deste espaço central da cidade e que estes nossos antepassados destinavam à salga, molhos e derivados de peixe. 

Este espaço também já serviu de local de enterramento, dada a sua proximidade da Igreja de São Julião. 

D. João II ordenou a remodelação do terreiro medieval, então conhecido como Praça do Sapal, um espaço central setubalense que viria a acolher o monumento que homenagearia Manuel Maria Barbosa du Bocage, aquele que foi um dos maiores poetas portugueses. 

A iniciativa de erigir este monumento, um marco da centralidade sadina, foi do escritor romântico António Feliciano de Castilho e o dinheiro para a sua construção foi angariado entre os setubalenses e seus amigos do outro lado do Atlântico, os Brasileiros, que através de subscrição pública angariaram a necessária verba para levar de vencida este projeto. 

O monumento erigido em 1871 é da autoria do escultor Pedro Carlos dos Reis e foi confecionado em Lisboa na oficina de Germano José Salles. 

Com 12 metros de altura, em mármore branco a coluna coríntia assenta sobre quatro degraus oitavados, tendo sobre o capitel a estátua do poeta, de dois metros de altura, de casaca à girondina, tendo na mão direita uma pena e na esquerda um rolo de papel. 

O espaço que rodeia o monumento tem vindo ao longo dos tempos a sofrer alterações, ao gosto da época, porém só depois da revolução de 25 de abril de 1974, graças ao dinamismo de um pequeno grupo de jovens ecologistas setubalenses liderados por Carlos Frescata, a zona envolvente seria completamente interdita à circulação automóvel. 

Rui Canas Gaspar
2019-setembro-15

sábado, 9 de março de 2019


Foto a la minute da Praça do Bocage, sala de visitas sadina

Este é um espaço, outrora à beira do Sado e que foi ocupado pelos romanos que ali instalaram uma fábrica de salga de peixe a qual esteve ativa durante dois séculos.

O espaço viria posteriormente a ser utilizado como lixeira, ocupando os detritos as antigas cetárias.

Depois de ser erigida a Igreja de S. Julião, o seu adro foi local de sepultamento de muitos setubalenses.

No século XV por junção de várias casas nasceria o Paço do Duque, nesta zona central da Vila de Setúbal.

Neste local, na área até há pouco ocupada com as demolidas instalações da pizaria funcionou o picadeiro do Paço.

Depois de algumas alterações aqui viria a nascer o Largo do Sapal tendo ao centro a fonte que D. João III mandou depois desmontar e colocar mais perto do edifício dos Paços do Concelho e que viria de novo a ser desmontada para ser recolocada na Praça Teófilo Braga, junto à Cáritas Diocesana.

Em 21 de Dezembro de 1871 naquele amplo espaço seria erigido o monumento a Bocage e a Praça assumiria a designação do maior poeta nascido em Setúbal.

Muitas foram as transformações da arquitetura desta praça, um pouco ao sabor das épocas e dos gostos e chegamos ao século XXI com a atraente decoração que conhecemos, porém só possível de apreciar em toda a sua beleza se estivermos num ponto alto.

Rui Canas Gaspar
Troineiro.blogspot.com
2019-março-09

sábado, 19 de setembro de 2015

Setúbal está mais cosmopolita

Ontem, 18 de setembro deste ano de 2015, passei pela Praça do Bocage e surpreendi-me com a quantidade de gente que falava outra língua que não a minha.

Eram turistas de língua francesa, castelhana e inglesa aqueles que mais escutei, enquanto isso numa recreação de mercado árabe, onde se comercializavam chás, especiarias, roupas, cabedais, perfumes, frutos secos e uma infinidade de outras coisas que normalmente encontramos pelo norte de África, escutava-se o linguajar dessas quentes paragens, o árabe.

No meu trajeto parei junto à “praça” o já mundialmente famoso Mercado do Livramento e vejo parar um autocarro de turismo de onde sairiam um grupo de turistas franceses e também eles lá se dirigiram para a Praça do Bocage.

Quase a chegar a casa, deparo-me com várias pessoas de porte atlético, falando castelhano. Deslocavam-se em cadeira de rodas. Notei que levavam uma raquete às costas, tratavam-se de atletas que estão em Setúbal a disputar o campeonato mundial de ténis em cadeira de rodas, ou seja o II Open Baía de Setúbal.

De facto esta cidade está a tornar-se de dia para dia mais cosmopolita e a sua beleza não passa despercebida a quem por aqui passa, nem àqueles que continuam a apostar no seu desenvolvimento.

Reparei também no cartaz que se encontra na obra em desenvolvimento, junto ao Largo da Ribeira Velha e ali consegui ler que aquele amplo espaço está destinado a um hostel, restaurante e serviços, sendo o tempo de duração da obra de seis meses. Quer isto dizer que no próximo ano a baixa estará mais animada, com mais gente que para ali se deslocará.

E em matéria de hostel, parece que as coisas não ficarão por aqui, é que um outro grande edifício no parte sul/nascente da Avenida Luísa Todi está com profundas obras em curso e ao que tudo indica o seu destino final será o mesmo.

Bem precisamos de alojamento para os turistas que cada vez em maior número demandam estas paragens, não esquecendo que muitos mais virão no próximo ano em que Setúbal será “cidade europeia do desporto”.

É claro que estou em crer que a Autarquia está atenta a este fenómeno e como tal acompanhará naquilo que lhe disser respeito, quer ao nível do embelezamento dos espaços públicos, da segurança e da necessária higiene da cidade.

Quanto ao resto, deixemos aos cuidados dos comerciantes, proprietários e setubalenses em geral, porque estes como é sabido são pessoas que sabem e gostam de acolher muito bem quem nos visita.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-19

www.troineiro.blogspot.com