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sábado, 1 de abril de 2017

Javalis de novo na Avenida Luísa Todi 

Já não é a primeira vez que os javalis da Arrábida descem à cidade e no ano passado dois deles andaram a passear pela Doca dos Pescadores e noutro dia pela Avenida Luísa Todi onde foram fotografados e filmados por alguns setubalenses que os avistaram. 

De novo os animais desceram à cidade, provavelmente em busca de alimento, destruindo com as suas presas parte da zona ajardinada a poente da avenida. 

Atendendo a que estes porcos selvagens se deslocaram em grupo (cerca de uma dezena) alguém contatou o Serviço de Proteção da Natureza da G.N.R. que rapidamente enviou para o local uma patrulha munida de carabinas e dardos tranquilizantes, conseguindo desta forma neutralizar os animais e empurra-los para o interior do auditório José Afonso. 

O espaço foi entretanto cercado por baias metálicas de proteção, enquanto se aguarda a chegada de transporte próprio para levar os animais para uma herdade do Alentejo, segundo informação do P.N.A., ao invés de os devolver à Serra da Arrábida. 

Pelo inédito da situação não deixa de ser curioso verificar a quantidade de setubalenses que têm acorrido à Avenida Luísa Todi para fotografar e filmar o insólito espetáculo que é o auditório transformado em curral. 

Desta vez ao invés de algum programa musical levado a cabo neste monumental e pouco aproveitado espaço, vemos uma inédita cena, tendo por protagonistas uma vara de porcos selvagens a aguardar a sua triste sina, no interior da improvisada pocilga. 

Pessoalmente preferia que os animais fossem encaminhados para o respetivo habitat, ou seja a Serra da Arrábida. Mas esta é a minha opinião!... 

Gostaria de saber o que acham os meus amigos sobre esta situação? 

Rui Canas Gaspar
2017-04-01

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Setúbal renova-se, transforma-se, embeleza-se

Embora não seja com a velocidade e a quantidade que todos certamente desejaríamos, no entanto, paulatinamente vamos assistindo à recuperação de alguma coisa do património imobiliário setubalense.

Mais um edifício, um dos de maior volumetria dos prédios antigos existentes na  Avenida Luísa Todi começou com obras de recuperação, quer a nível do interior quer no exterior, onde já são visíveis os andaimes montados no alçado principal.

Trata-se do edifício onde está localizado o arco da Ribeira Velha, com frente para a principal avenida da cidade e traseiras para o emblemático Largo Francisco Soveral, o popularmente conhecido Largo da Ribeira Velha.

Neste largo estão igualmente em curso importantes obras de recuperação do imóvel que faz esquina com a Rua Serpa Pinto e onde irá passar a funcionar um hostel e uma pastelaria.

Com ambas as obras em curso, dentro de poucos meses poderemos ver este simpático largo totalmente recuperado arquitetonicamente.

Já o património edificado na Avenida Luísa Todi, com as diversas obras que ali têm sido levadas a cabo encontra-se quase totalmente recuperado.

Tudo indicia que é crescente o interesse  pelo património da nossa baixa e cada vez mais se vê aqui e ali obras de recuperação dos antigos edifícios, quer sejam eles destinados a habitação, comércio ou serviços.

Com este tipo de ação o centro histórico tornar-se-á mais agradável e atrairá mais gente que ali vai gostar de residir ou instalar alguma loja e desta forma a dinamização do local naturalmente acontecerá.

Embora os ventos sócio/económicos não soprem de feição, mesmo assim verificamos que Setúbal renova-se, transforma-se, embeleza-se de dia para dia e só não vê isto quem não quiser ver.

Rui Canas Gaspar
2016-março-14

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A sabedoria da idosa senhora setubalense

Final da tarde, o sol já vai encadeando os automobilistas que se deslocam pela Avenida Luísa Todi, no sentido nascente/poente, quando reparo numa idosa completamente trajada de preto, colhendo negros martunhos nos tufos que se encontram a decorar o canteiro.

E porque levava também alguns raminhos com os frutos agarrados dirigi-me à senhora para a questionar sobre o porquê da sua colheita e que utilidade iria dar aos raminhos.

Curiosamente reconheceu-me e tratando-me pelo meu nome explicou que iria fazer aguardente de martunho e que todos os dias ali outras pessoas iam colher as pequenas bagas.

Esta é a matéria-prima com que, segundo a tradição, os monges da Arrábida faziam um licor que se diz ter uma fórmula secreta e que nos nossos dias o vemos comercializado com a designação de Arrabidine.

Numa garrafa, a velha senhora irá juntar a mesma quantidade destes frutos silvestres com idêntica quantidade de aguardente, adicionará algum açúcar e juntará um pouco de canela, provavelmente dois ou três pauzinhos desta especiaria.

Depois deixará ficar engarrafado alguns meses e mais tarde servirá aos seus filhos, sim, porque a velha senhora confeciona esta antiga especialidade, mas não bebe.

Depois de ter visto alguém a colher as azeitonas das muitas oliveiras dispersas pela cidade, e que serão destinadas a deliciosa conserva, uns meses antes tinha visto também pessoas a apanhar as folhas e flores das muitas dezenas de agradáveis e bem cheirosas tílias que nos proporcionam uma agradável infusão, é agora o momento da colheita dos martunhos, dos negros pois claro, porque os brancos ainda estão com a maturação atrasada.

E assim se pode juntar o útil ao agradável, não deixando desperdiçar o que podemos aproveitar, sobretudo por aqueles que mais necessidade têm e cuja sabedoria lhes permite tirar o melhor partido do que a natureza e a cidade lhes oferece.

E porque Setúbal já foi terra de grandes laranjais, porque não plantar também pelos parques da cidade algumas destas árvores? Quanto aos frutos? Não faria mal a ninguém que quem os quisesse colhesse, porque sempre é preferível alguém usufruir para alívio da sua carteira do que plantar arvores que não produzem coisa nenhuma. Digo eu!...

Rui Canas Gaspar
2015-outubro-08

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terça-feira, 21 de abril de 2015

A louça de barro que já não volta

Certamente que todos nos lembramos do amplo espaço ocupado pelos vendedores de louça de barro, na zona poente da Feira de Santiago, quando a mesma se realizava na Avenida Luísa Todi.

Os mais velhos certamente se lembrarão que esse espaço era até maior e bem mais frequentado nos seus tempos de criança do que nos últimos anos.

Atualmente, com a feira a realizar-se nas Manteigadas o espaço ocupado pelos comerciantes que se dedicam a esses artigos é bem menor.

Mas, será pelo facto da deslocalização do certame para aquela zona da cidade que os comerciantes de louça de barro quase sumiram?

Creio que nada tem a ver uma coisa com a outra.

Quando era rapaz, em Setúbal, os mealheiros e os fogareiros a carvão eram feitos de barro, tachos e panelas também, as bilhas para ir buscar a água à fonte igualmente e por aí fora. Ora com tantos artigos de barro a sua indústria era florescente e bastantes aqueles que comercializavam o produto também.

Com a utilização do alumínio nos artigos domésticos, e a água a ser canalizada para todas as casas naturalmente começou a haver um acentuado decréscimo na indústria de artigos de barro e naturalmente no seu comércio.

Sendo assim, natural seria que muitas pessoas gostassem de ver as louças de barro na sua feira anual. Mas como poucas as adquiriam, logo os comerciantes que tinham elevadas despesas com transporte, taxas, licenças, etc. com vendas diminutas deixaram de ter interesse no negócio.

É claro que isto é transversal a todas as feiras e mercados do nosso país e não é uma questão que tenha a ver particularmente com a Feira de Santiago.

Os tempos são outros, a louça de barro, quer queiramos quer não faz parte do passado e, como tal, algum comerciante que para aí esteja virado é apenas por uma questão de venda de recordações e pouco mais que isso.

A Feira de Santiago desde a sua criação tem evoluído e mudado de espaço ao longo dos anos. Um destes anos deixará também as Manteigadas  para se vir instalar noutra qualquer zona da cidade. Mas, seguramente, que não será no antigo recinto da Avenida Luísa Todi e muito menos com aquele vasto espaço dedicado à louça de barro, uns artigos que estão condenados a ficar na memória daqueles que como eu tiveram a oportunidade de os apreciar e utilizar.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-04

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Não deve ser fácil ser jardineiro em Setúbal

Tenho observado o empenho com que um “batalhão” de jardineiros têm vindo a cuidar daquela que provavelmente será a maior zona ajardinada da cidade de Setúbal, a nossa Avenida Luísa Todi.

No entanto, estes profissionais enfrentam também os seus problemas que passam frequentemente pelo furto de algumas plantas recém-colocadas, provavelmente por parte de pessoas que desejam enfeitar as suas varandas com bonitas floreiras.

São também os vândalos que passam por cima dos canteiros floridos destruindo as plantas, sem se darem ao trabalho de atravessar nas zonas próprias para o efeito.

Mas, talvez o maior inimigo dos jardineiros sejam os pombos, aquelas aves que muitos de nós gostamos e que não dão tréguas a quem quer manter a cidade bonita.

Mal os jardineiros acabam de colocar as sementes de relva e aí estão eles logo a debicar, tratando de fazer desaparecer boa parte da sementeira e, quando encontram uma pequena abertura na relva, aqueles bicos parecem escavadoras em ação.

Estive a observar no Parque Urbano de Albarquel uma destas “brigadas” em plena ação e nunca tinha reparado na velocidade com que dão cabo de um enorme pedaço de relvado, deixando à sua passagem um conjunto de pequenas crateras.

Parece que os jardineiros se quiserem ver o seu trabalho progredir terão de tomar medidas urgentes, como seja a cobertura das sementeiras com rede, por exemplo, no caso dos pombos.

Quanto aos apreciadores das suas plantas, bem o melhor mesmo é a Autarquia pensar em ofertar umas floreiras e colocar à disposição algumas plantas para que os apreciadores possam decorar as suas janelas ou varandas.

Em relação aos vândalos a esses pouco ou nada há a fazer a não ser que voltem a ser instituídas as brigadas dos homens do varapau que em tempos idos punham ordem nas nossas antigas localidades, dado que policiamento é coisa difícil de alguém dar conta nesta cidade, exceção feita, para o trânsito, não para ajudar na fluidez do mesmo mas sim para atuar em assuntos mais  importantes especialmente aqueles que tenham a ver com o setor financeiro…

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-15

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sexta-feira, 15 de agosto de 2014


Setúbal tornou-se uma cidade conservadora?

Ao fim da manhã do dia 8 de setembro de 2011, Miguel Macedo, anunciou a aprovação de uma proposta de lei que determinou a liquidação do património dos governos civis, definindo também o regime legal aplicável aos seus funcionários.

“Na prática, o Conselho de Ministros acaba hoje com os governos civis” declarou então o Ministro da Administração Interna, ao desempenhar o papel de coveiro do órgão de administração pública que representou administrativamente o Governo da República Portuguesa no distrito.

Menos um serviço do Estado, mais economia, mais disponibilidade de espaço para outros usos e sendo assim, foi pacífica a aceitação da medida por parte da generalidade dos portugueses.  

Mas, e há sempre um mas, parece que na cidade que alguns chamam de progressista, outros de cidade do Rio Azul e que também é conhecida por Setúbal, o tempo parou. Agora parece que esta é uma cidade conservadora, que preza por demais as suas antigas estruturas.

E para que não restem dúvidas, se por todo o país os Governos Civis foram extintos parece que na terra de Bocage isso não aconteceu, porquanto o edifício localizado na Avenida Luísa Todi, continua com a placa indicativa de que ali ainda está o tal dito extinto governo civil.

Ao que parece a PSP estava ultimamente a utilizar o espaço que conforme entretanto foi anunciado teria sido adquirido pela Câmara Municipal por um valor de um milhão e duzentos e cinquenta mil euros, a pagar a “bochechos” ao longo de 15 anos.

O edifício adquirido será destinado ao Conservatório Regional de Música, entidade que pagará uma renda ao novo senhorio, a Câmara Municipal.

Desenganem-se aqueles que pensam que a progressiva cidade de Setúbal, parou no tempo e se tornou conservadora. Estava a brincar!

Quem deve andar um pouco lenta, ou muito ocupada é a entidade “responsável” que já deveria ter retirado uma placa em acrílico sobre chapa metálica que não faz qualquer sentido existir desde 2011.

Mas, as coisas são o que são e, temos de viver com o que temos, até com estas situações bem elucidativas do funcionamento da emperrada máquina pública, bem oleada com os nossos pesados impostos e que, no entanto, trabalha a três tempos: Devagar, devagarinho e parada.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-15


segunda-feira, 23 de junho de 2014

A Fonte do Centenário

Era dia de festa aquele 25 de julho de 1960, dia em que se dava início a mais uma edição da antiga Feira de Santiago e se inaugurava também a Fonte do Centenário, que haveria de passar a ficar popularmente conhecida como “Fonte Luminosa”.

O Major Magalhães Mexia presidia a Câmara Municipal e nesse dia tinha na sua terra um ilustre visitante. Nem mais nem menos que o Almirante Américo Thomáz, Presidente da República.

A fonte foi erigida como o mais importante marco comemorativo do primeiro centenário da elevação de Setúbal a cidade.

O monumento composto por dois lagos concêntricos encontrava-se com o seu exterior decorado com os 13 brasões dos concelhos do Distrito de Setúbal, habilmente esculpidos em mármore.

Como parece que o mal já vem de longe, a autarquia não dispunha de verbas para suportar as despesas do monumento e os sadinos decidiram serem eles próprios a suportar os encargos com a construção. Durante um ano fizeram as suas doações até que se conseguisse a verba suficiente, graças à iniciativa do jornal O SETUBALENSE que apadrinhou a ideia.

A fonte foi então inaugurada e os seus repuxos de água davam um belo aspeto a que ninguém ficava indiferente. Posteriormente ali seria colocado um grupo escultórico composto por três estátuas que representam a Terra, o Mar e a Poesia, uma obra da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha.

As estátuas foram colocadas  no dia 12 de junho de 1971, dando-se assim por concluída a Fonte do Centenário, erigida no centro de uma movimentada rotunda, frente ao Mercado Municipal de Setúbal e bem junto à entrada do local onde outrora se fazia a Feira de Santiago. 

Presentemente, com os novos arranjos levados a cabo na Avenida Luísa Todi, a rotunda desapareceu para dar lugar a uma placa, embora a bonita e emblemática fonte ali se mantenha jorrando a água em belos repuxos que dão mais vida a esta linda artéria da nossa cidade.

Rui Canas Gaspar
2014-junho-23