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sábado, 30 de março de 2019


Até quando se manterá esta situação?

Já não é a primeira e certamente não será a última vez que aqui se falou neste edifício que faz parte da história setubalense e embora encontrando-se na principal avenida da cidade é fotografado diariamente como um dos nossos piores cartões de visita.

 funcionou como local de culto religioso no tempo da Monarquia, como cantina da Legião Portuguesa no tempo do Estado Novo, como organização sócio-cultural dos CTT em tempo de Democracia e sei lá que mais…

Também tem mudado de mãos com alguma frequência e, ultimamente, depois de pertencer a um conhecido construtor setubalense o imóvel mudou de dono encontrando-se agora na posse de um organismo bancário que pelos vistos tem intenção de ali poder um dia vir a instalar uma agência ou dependência.

A questão que se coloca é saber até quando é que o edifício continuará neste miserável estado de apresentação e conservação, sendo que a PSP tem junto ao mesmo um espaço destinado ao parqueamento de viaturas particulares.

Se um bocado daquele prédio cair e danificar uma das viaturas que vai assumir a culpa? A PSP cujos automóveis estão à sua responsabilidade? O dono do edifício porquanto é seu legítimo proprietário? A Câmara Municipal cujos serviços de fiscalização se mostraram incapazes de fazer com que o proprietário procedesse às necessárias obras de conservação?

Estas são algumas questões que poderão ser colocadas, porém, o  facto é que se trata de um perigo público e de um péssimo cartão de visita que urge resolver.

Rui Canas Gaspar
2019-março-30
Troineiro.blogspot.com

domingo, 18 de novembro de 2018


Responda quem souber 

Um dos mais feios postais de Setúbal fica  situado precisamente na principal artéria da cidade, a Avenida Luisa Todi, local agora ocupado por pombos e ratos, bem ao lado de edifícios que se encontram ao serviço da Polícia de Segurança Pública, embora a sua segurança deixe muito a desejar.

Tratando-se de propriedade particular este é um dos edifícios históricos setubalenses que albergou a antiga capela da confraria dos marinheiros e de pescadores de Setúbal, edificada no século XVI e muito abalada pelo terramoto de 1755. 

Anos mais tarde, em 1833, naquele espaço haveria de surgir um teatro, local de diversão de muitos dos nossos antigos conterrâneos. Chegado à época da industrialização aquela antiga casa de oração e de posterior diversão daria lugar a um espaço de produção.  

Nasceria então ali naquelas históricas instalações uma das muitas fábricas de conservas de peixe que laboraram em Setúbal. 

Na fase final da sua ocupação o Estado Novo veio ocupar a antiga  casa de oração, de diversão e de produção agora como quartel de um dos seus braços de apoio, a Legião Portuguesa, e foi com essa utilização que a revolução de 25 de abril de 1974 a veio encontrar. 

O edifício ainda serviu de sede de campanha a um partido político até que a falta de manutenção e conservação o empurraram para uma quase total destruição, com o perigo que isso representa, sobretudo para as viaturas à “guarda” da PSP bem junto ao seu alçado principal.
Independentemente de se tratar de um edifício particular, carregado de história, até quando é que se pode permitir que o mesmo constitua um atentado não só visual, como também real aos setubalenses e a quem nos visita? 

Rui Canas Gaspar
2018-novembro-18
Troineiro.blogspot.com

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Em Setúbal temos uns proprietários que são filhos e outros que são enteados?

Afonso Palheira era um setubalense que embora nunca lhe tivesse sido permitido fazer a promessa de escuteiro, por motivos que aqui não interessa explicar, costumava acompanhar, de vez em quando, com o nosso grupo.

Era um homem simples e como gostava de fardas e não ingressou nos escuteiros, lá conseguiu filiar-se na Legião Portuguesa e, no dia 25 de abril de 1974, porque havia uma revolução e quando miraculosamente de um momento para o outro deixaram de haver pides, bufos e legionários em Portugal  quem é que apareceu à porta da Legião? O nosso amigo Afonso Palheira, para defender Portugal, segundo dizia.

Quem o salvou nesse dia de poder levar alguma sova foi o falecido Chefe Joaquim, um escuteiro por demais conhecido na cidade, que ao passar pelo local tratou de fazer sair dali de imediato o nosso amigo Afonso.

Lembrei-me desta passagem ao olhar para esta antiga foto onde vemos altas figuras do regime ditatorial, alguns deles fazendo a saudação nazi, precisamente à porta do quartel setubalense da Legião Portuguesa.

Podemos reparar como estava bem arranjado este edifício que poucas saudades deixou a não ser provavelmente àqueles que ali foram mitigar a fome comendo uma das famosas “sopas da legião” ou aos outros que se aproveitavam para exercer alguma forma de desdém sobre os seus conterrâneos.

Passadas várias dezenas de anos vamos encontrar o edifício, agora propriedade de um conhecido setubalense, segundo dizem, num estado deplorável e que nada dignifica o seu proprietário nem o nobre local onde está implantado, em plena Avenida Luísa Todi.

Curiosamente, e para mal dos nossos pecados, ainda estamos sujeitos a qualquer dia entrar em despesas, com o dinheiro dos nossos impostos, porquanto a Polícia de Segurança Pública, que tem instalações mesmo ao lado utiliza a parte da frente como parque de estacionamento de viaturas à sua responsabilidade.

Ora se um destes dias cair em cima de um daqueles carros um pedaço do degradado prédio a quem serão assacadas culpas? Ao proprietário, porque é dono do imóvel, à Câmara porque já deveria ter tomado medidas no sentido de pelo menos mandar reforçar as zonas em perigo, ou à P.S.P. que embora sendo polícias e não construtores devia saber que aquele local não é apropriado para estacionamento?

É claro que não defendo, nem de perto nem de longe ideologias e formas comportamentais como os senhores aqui fotografados, mas o facto é que também não partilho de alguma permissividade que se vê por aí e que esta foto bem ilustra.

Não se podem considerar os proprietários setubalenses uns como filhos e outros como enteados e, pelos vistos, o dono deste prédio, atendendo ao estado de conservação e ao tempo que assim se encontra, não deve ser enteado. Digo eu!...


Rui Canas Gaspar
2016-fevereiro-02

www.troineiro.blogspot.com