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sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Atlântico e o Sado conspiraram para oferecer a Setúbal uma nova pérola 

O inesquecível “monte branco” local de tantas brincadeiras daqueles felizardos  que nos seus tempos de juventude demandaram o Portinho da Arrábida desapareceu definitivamente , deixando no seu lugar uns vulgares rochedos, iguais a tantos outros. 

O Atlântico  decidiu que era tempo de mudar aquele monte de areia e levá-lo para outro lugar. Vai daí, conversou com o Sado e em comum decidiram que o areal seria transferido para Setúbal de forma a fazer aqui uma ampla praia de areia branca como existia antes da construção das muralhas e docas que hoje os setubalenses tão bem conhecem. 

Calma, silenciosa e pacientemente o Atlântico começou o seu árduo trabalho de retirada daquele enorme, fino e branco monte de areia e o Sado dedicou-se com afinco ao trabalho de a repor ali junto ao canto da popularmente conhecida estacada do carvão. 

E assim, sem grande alarido o Sado já conseguiu para ali transportar algumas toneladas de areia que estão já a cerca de um metro do topo da muralha, junto à estacada. 

O Sado de forma discreta e eficiente correu dali com o vetusto  barco EVORA fazendo com que na maré vazia ficasse com as hélices em seco. 

O Sado agora está muito contente e feliz, pois já vê, sobretudo na maré baixa, uma ampla praia que vai do novo “monte branco” frente ao edifício dos cacifos dos pescadores até à Praia dos Cantoneiros, junto à Gávea. 

Se um destes dias alguém quiser dar uma ajudinha, coisa que o Sado agradece, Setúbal será então bafejada com a sorte de ter uma das mais belas e compridas praias urbanas de Portugal e tudo isto graças ao complô destes dois nossos amigos, o Atlântico e o Sado de quem tanto gostamos e que cobiçamos sobretudo as suas lindas roupagens de cor azul, agora cada vez mais debruadas a branco. 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-30 


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terça-feira, 20 de junho de 2017

Na Praia de Albarquel, estacionamento selvagem já era! 

Se eu gostar muito, mas mesmo muito de ver aquele filme que está a passar no Fórum Luísa Todi, for comprar bilhete de ingresso e na bilheteira me disserem que a lotação está esgotada, será que eu vou forçar a porta, entrar na sala e colocar-me de pé à frente de alguma pessoa ou mesmo sentar-me ao colo de algum espectador? 

Claro que não, isto é um absurdo, não passa pela cabeça de ninguém! 

Então, porque carga de água é querendo eu ir tomar uma banhoca a uma das belas praias da Arrábida e lá chegando e constatando que não tenho lugar disponível para parquear a viatura decido deixar a mesma em cima de uma curva, sobre um traço amarelo, ou mesmo em segundo fila, ocasionando que por vezes impeça a circulação dos demais automobilistas? 

Infelizmente é isto que acontece com alguma frequência, originando até, com este procedimento, o acesso a viaturas de emergência que quase voam por essas estradas para depois ficarem retidas devido a tamanha falta de bom senso de alguns automobilistas. 

E como para grandes males grandes remédios eu acho muito bem que tenham sido bloqueadas viaturas e autuados condutores infratores, não porque eu também não cometa infrações, como qualquer condutor, mas sim pela burrice que é o parquear em semelhantes circunstâncias. 

E, também por isso mesmo, acho muito bem a medida que a autarquia setubalense acaba de tomar mandando colocar pinos metálicos ao longo do acesso à Praia de Albarquel, de forma a eliminar o estacionamento abusivo ao longo do acesso àquele espaço agora com pavimento renovado. 

A semana começou com uma equipa do Serviço de Trânsito Municipal a colocar os pinos ao longo das bermas, trabalhos que poderão estar concluídos até ao final da semana. Assim sendo, se vai para a Albarquel terá de ir a pé, de bicicleta ou até levar o seu automóvel e estacionar no respetivo lugar de parqueamento, porque o estacionamento selvagem já era!... 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-20 


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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Com a verdade me enganas


Nem tudo o que vemos publicado pela comunicação social é verdadeiro e devemos procurar informarmo-nos o melhor possível para não fazermos juízos errados ou formarmos opiniões erróneas sobre assuntos para os quais estamos a ser direta ou indiretamente induzidos em erro.

Por exemplo: Se eu vos disser que a foto ilustrativa deste texto, captada por mim mesmo, não foi manipulada e mostra-nos uma triste realidade que é uma das principais praias portuguesas, em Albufeira, no Algarve, no Verão, com apenas 3 pessoas e com todo o espaço disponível de espreguiçadeiras, poderemos facilmente concluir que o Algarve está “às moscas”.

Uma imagem vale mais que mil palavras e fui eu mesmo que fotografei, como tal isto é verdade. Que pena!...

E assim com a minha verdade se mais nada acrescentasse e se não tivéssemos outras fontes de informação ficaríamos com uma ideia absolutamente errada da realidade.

É que mesmo em meados de setembro poderíamos ver os hotéis daquela famosa zona balnear muito perto dos 100% ou seja, Albufeira estava a abarrotar de turistas nacionais e estrangeiros, curiosamente com uma elevada percentagem de franceses.

Então porque motivo a foto se apresenta assim quase sem ninguém embora estivesse um dia bonito? É simples, eu fotografei a praia perto das 09,00 horas e para quem está de férias no Algarve essa é uma hora bastante cedo porque geralmente  as pessoas deitam-se mais tarde, daí o resultado da imagem que vos apresento.

Tem esta crónica a finalidade de chamar a atenção dos meus leitores para o facto de não podermos aceitar de ânimo leve tudo o que nos mostram os meios de comunicação social e devemos questionar porque isso nem sempre é mau.

E assim como acontece com esta imagem o mesmo acontece com tantas outras que diariamente nos entram porta adentro, por isso temos de ter cuidado com aquilo que nos querem “impingir”, porque já dizia a minha sábia avozinha: “com a verdade me enganas”!

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-17

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sábado, 18 de outubro de 2014

Até quando teremos travessia fluvial para Troia?

A atual conjuntura económica, o assoreamento da margem norte do Sado, aumentando o volume de areia do lado de cá, as melhorias introduzidas na zona ribeirinha de Setúbal, os ventos de norte e nordeste que tornam a margem sul menos abrigada, são fatores que influenciam a população setubalense a não atravessar o rio.

A aquisição dos novos quatro barcos da Atlantic Ferries representaram um investimento substancial que, naturalmente, seria amortizado e rentabilizado se o país estivesse numa situação estável economicamente, o que não tem acontecido nos últimos anos.

O fator económico, aliado aos outros focados acima, levaram a um decréscimo acentuado no volume de viaturas e passageiros transportados, logo a uma diminuição das receitas, que naturalmente se transformaram em prejuízo para a empresa detentora da exploração da travessia do Sado.

Ora como sabemos todas as empresas são criadas para dar lucro e não prejuízo e se isso acontecer sistematicamente apenas lhes resta uma solução, aquela que passa pelo seu encerramento.

Antes dessa solução drástica acontecer certamente que os gestores tomarão todo o tipo de medidas, por vezes nem sempre as mais acertadas, porém serão aquelas que lhes parecem melhor.

E foi assim que, porque as receitas eram insuficientes, se aumentou o preço dos bilhetes, o que levou muitos automobilistas a optar por dar a volta por Alcácer do Sal, diminuindo ainda mais o volume de viaturas transportadas.

Quanto aos veraneantes, porque o dinheiro não abunda e porque as zonas balneares do lado norte estão agora mais amplas indo na maré baixa desde o cais nº1 até à Comenda, também deixaram de ir para Troia.

Porque há menos movimento na época baixa então encosta-se metade da frota e aumenta-se o espaço dos horários, com a consequente perca de qualidade. É assim como a pescadinha de rabo na boca…

Se a tudo isto juntarmos os maiores custos de combustível inerentes a uma viagem mais longa do ferrie, que viu o seu cais de atracação na margem sul ser deslocado para montante para permitir maior qualidade ambiental à desertificada zona de moradias da marina de Troia, então temos todos os ingredientes para que a coisa não dê certa.

Sendo assim, e pensando um pouco sobre o assunto, acho eu, enquanto leigo na matéria, que mais cedo ou mais tarde, apenas um ferrie estará a prestar serviços mínimos, atravessando o Sado e atracando no antigo cais, levando pessoas e viaturas, com menores custos de combustível. Isto enquanto a empresa não encerrar por falta de rentabilidade económica.

É claro que isto é o que eu acho, e de achismos está o mundo cheio, vamos ver pois até quando teremos travessia fluvial para Troia.

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-18

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terça-feira, 8 de julho de 2014



Que diria o Cantador de Setúbal?

Neste quente dia de Verão, se António Maria Eusébio passasse pelo seu local de trabalho, nos estaleiros da Praia da Saúde, certamente que não deixaria de fazer de imediato um dos seus repentinos poemas que o deixaram imortalizado entre as nossas gentes como o Cantador de Setúbal.

Ele a quem muitos apelidavam de “calafate”, pelo orgulho que tinha da sua atividade profissional, veria não o areal repleto de barcos em reparação ou em construção, mas sim aquele lugar cheio de gente gozando as delícias do sol da sua terra.

Ouviria ainda o martelo bater no escopo introduzindo a estopa no único e último barco que ali se encontra a ser reparado, provavelmente por um dos raros operários que ainda sabem alguma coisa da velha arte de calafetar.

O “Ponta do Verde” está em fase de calafetagem,  última etapa antes de ser pintado e de ser dada a reparação do casco como concluída.

O alto e rijo “cantador de Setúbal” de olhar vesgo, que entrava nas tabernas e mesmo sem beber era por todos admirados, o que pensaria deste novo cenário à beira Sado com que se depararia?

Este homem que sem saber ler nem escrever deixou uma obra ímpar viria a ser imortalizado pelas gentes da sua terra que atribuiu a uma das ruas da cidade de Setúbal o seu nome de batismo, António Maria Eusébio, que esteve entre os vivos de dezembro de 1820 e dezembro de 1911.

Em 29 de dezembro de 1968, o Rotary Clube de Setúbal, homenageou esta figura poética, mandando implantar um pequeno busto no Parque do Bonfim, uma escultura da autoria de Castro Lobo.

É de sua autoria este belo poema que mostra bem o carácter deste grande homem do nosso povo:

Nunca fui mal procedido.
Nunca fiz mal a ninguém.
Se acaso fiz algum bem
Não estou disso arrependido.
Se mau pago tenho tido,
São defeitos pessoais.
Todos seremos iguais
No reino da eternidade,
Na balança da igualdade
Deus sabe quem pesa mais.”

Rui Canas Gaspar
2014-julho-07