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domingo, 27 de novembro de 2016

Obrigado setubalenses 

Esta cidade está imparável com muitos e diversificados eventos a acontecer para todos os gostos, daí que muitas pessoas ao optarem por um não possam ir a outro, o que é absolutamente natural. O que não  é natural é que continue a haver pessoas que afirmam que nada acontece nesta cidade. Pura ignorância!

Ontem, sábado 27 de novembro para a apresentação do TROIA – Um Tesouro por Descobrir, apareceram pessoas antes da apresentação que só vieram cumprimentar o autor, adquirir um livro, recolher o autógrafo e sair porque tinham outro evento.

Depois da apresentação e quando a “tralha” já estava toda arrumada outras pessoas chegaram, vindas de outro evento mas que não quiseram perder a oportunidade de vir cumprimentar e “parabenizar” pelo facto de a partir de agora termos um novo livro sobre a nossa região e que tanto diz aos setubalenses.

Mas o curioso foi ver na plateia amigos que vieram de outros convívios, alguns tendo-se deslocado a Setúbal de propósito e que também quiseram estar presentes.

Mas o mais interessante foi ver o rasgado sorriso de uma senhora que mal ali chegou, tratou logo de me dizer: “Acabamos de chegar de Troia, andamos a pé lá pelas ruínas”. Esta senhora com o seu marido foram certamente dos poucos setubalenses que teriam estado para aquelas bandas da arenosa península, neste dia chuvoso e pouco agradável.

De facto estou a falar de um casal, que tendo nascido em terras germânicas e por lá tendo vivido se apaixonou por Setúbal e já fez mais por esta cidade, de forma discreta, do que muitos “papagaios” que se arvoram de setubalenses e mais não fazem que falar mal desta terra de nascimento ou adoção.

Goste-se ou não das obras de arte que adornam a nossa terra, até há poucos anos despida de elementos escultóricos, alguém as pagou e garanto-vos que boa parte desse dinheiro não veio dos nossos impostos, mas sim daquele casal que formaram a Fundação Buehler-Brockhaus entidade que tem apoiado com muitos largos milhares de euros a arte na nossa terra. 
  
São eles que estão também a apoiar financeiramente os trabalhos de recuperação das pinturas da basílica romana de Troia.

Pessoas simples e simpáticas Marion e seu esposo Hans-Peter Buehler são de facto daquelas pessoas que considero como bons setubalenses, de quem eu gosto, que não dispensam a ida ao meu bairro de Troino almoçar o delicioso peixe assado da nossa terra.

São assim os amigos, são assim os setubalenses de nascimento ou de coração, para eles um forte abraço e o meu muito obrigado.

Rui Canas Gaspar
2016-novembro-27

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terça-feira, 21 de julho de 2015

Kali! Olha os patos da Mariana...

Mesmo naqueles invernosos dias quando a chuva tornava o velhinho Campo dos Arcos, num verdadeiro lamaçal, podia ver-se ele de mãos nuas, com um balde de cal viva a fazer as marcações do campo, de forma a que ficasse visível as linhas laterais, as duas áreas e todas as demais marcações daquele campo de futebol onde o seu Vitória Futebol Clube jogava.

Artur José Venâncio fazia isso e outros trabalhos no clube por “amor à camisola” não se constando que recebesse algum dinheiro pelos seus serviços. Era um verdadeiro vitoriano e curiosamente familiar do sócio nº 1, José Venâncio, o fundador deste clube.

Quando faleceu, o seu caixão esteve sempre coberto com a bandeira do Vitória clube que tanto amou e a quem tanto deu de forma desinteressada. Uma manifestação que os seus conterrâneos lhe prestaram e o reconhecimento da sua ação por parte do mais representativo clube setubalense.

Se perguntássemos ao vulgar setubalense quem era Artur José Venâncio poucos os nenhuns identificariam “Kali” aquele homem que se irritava solenemente quando os rapazes ou alguns homens lhe gritavam: “Kali! Olha os patos da Mariana…” a que se seguia o inevitável: “quá… quá… quá…”

“Kali” reagia fortemente, por vezes atirando pedras a quem o provocava, ação que era sempre acompanhada com os inevitáveis impropérios.

Na opinião dos seus conterrâneos, aquele popular personagem teria roubado uns patos à Ti Mariana da Tróia e com eles se deliciou num valente petisco, o que de facto não era verdade.

Quem roubou os patos foi um sobrinho daquela senhora, só que na manhã seguinte ao famoso jantar de pato, começaram a dizer que tinham ouvido debaixo da roupa do “Kali” quá…quá…quá… o característico grasnar de pato.

A partir daí nunca mais o pobre homem se livrou do estigma, acusado do que nunca fez e sem que algum pedaço de pato lhe tenha passado pela goela.

O que lhe passava com alguma frequência era sim alguns copos de vinho a mais levando-o ao desequilíbrio e consequentemente a algumas cacetadas dos polícias, pessoas que ele considerava como o diabo. E mesmo quando sentia as bastonadas no corpo ainda se virava para o agente dizendo: “Qué que tu queres pá labasqueiro?”…

A propósito de vinho, contava-se que certo dia o “Kali” quis ir ver um desafio do seu Vitória que jogava fora de casa. Como não tinha pago bilhete do autocarro da excursão tratou de subir sorrateiramente para o tejadilho onde se escondeu entre os cabazes com os farnéis e garrafões de vinho, tapando-se com a lona e protegendo-se com a rede.

Passadas duas ou três horas de viagem deu-lhe vontade de urinar e não esteve com meias medidas, mesmo com os solavancos do autocarro, tratou de aliviar-se. Foi então que um dos passageiros, olhando pela janela,  reparou no líquido que escorria do tejadilho e logo se apressou a chamar a atenção do condutor, para que este parasse a viatura porque um dos garrafões de vinho branco estaria a entornar.

Lá foram todos numa correria lá acima, preocupados com o vinho e descobriram que afinal era o “Kali”. Recolheram-no, acabando o bom homem por fazer o resto da viagem sentado no interior do autocarro.

Provavelmente a imagem que mais marcou os setubalenses foi aquela, lamentavelmente promovida sobre a égide da autarquia, ocorrida no decurso do carnaval de Setúbal, em 1968, quando desfilou encerrado numa jaula e com uma gaiola com patos em cima da mesma, para alarve diversão de uma multidão que gritava: “Kali! Olha os patos da Mariana” ao que este irritado e impotente insultava e praguejava.

O povo respondia com “trapada” e atiçava-o ainda mais imitando o grasnar dos patos que outros tinham roubado e comido: “quá…quá…quá”.

Rui Canas Gaspar
2015-julho-21

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Há setubalenses e “setubalenses”

Quando no início dos anos setenta do passado século XX a população sadina começou a ter um maior poder de compra, fruto de um conjunto de indústrias que se vieram implantar na península de Setúbal, começou a ser comum as grávidas da classe média irem dar à luz em clinicas da capital.

Não é pois de admirar que muitos homens e mulheres, ditos setubalenses e filhos de gente nascida em terras sadinas, tenham como naturalidade Lisboa.

Tal como minha esposa, lembro-me bem dos reparos que nos foram feitos por alguns amigos, sendo eu então um técnico de construção civil e minha esposa uma professora do ensino público pelo facto dos nossos filhos irem ser dados à luz em Setúbal, no Hospital de São Bernardo, quando poderiam nascer numa qualquer clinica da capital, a que muitos “novos ricos” atribuíam melhores condições.

Vem isto a propósito de uma recente troca de opiniões com alguns amigos sobre a nossa terra que embora tivesse crescido em número de habitantes, tivesse perdido importância no quadro nas cidades portuguesas por ter vindo a ser governada por gente que não é de cá.

Refletindo um pouco sobre o assunto, dá para questionar sobre se é mais setubalense aquele que nasceu aqui e pouco ou nada fez pela sua terra ou se aquele que não tendo nascido em Setúbal se notabilizou e, com a sua ação, ajudou os setubalenses a progredirem e a terem melhor qualidade de vida.

De direito é setubalense aquele que nasceu em Setúbal, embora no dia seguinte daqui tivesse partido e nunca mais cá voltasse. De facto, quanto a mim, é setubalense todo aquele que embora não tivesse aqui nascido optou por se radicar nesta terra, trabalhando e dando o seu contributo para o desenvolvimento da mesma fosse no campo profissional, desportivo, religioso, social ou outro qualquer.

Quando dou por mim a refletir sobre este assunto vem-me sempre à mente uma curiosa saudação de um antigo chefe escuteiro. Dizia ele: “ Há chefes que são chefes e que não deviam ser chefes e há chefes que não são chefes e que deviam ser chefes” É claro que se eu substituir os “chefes” por “setubalenses” talvez a saudação se pudesse adaptar na perfeição a muitos ditos setubalenses que se julgam mais do que os outros que por cá não nasceram.

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-09

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