notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro
Mostrar mensagens com a etiqueta Serra da Arrábida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serra da Arrábida. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de março de 2016

Em Azeitão a tradição é para manter

Manda a tradição que na sexta-feira santa os azeitonenses saiam das suas aldeias e se disponham a atravessar a Serra da Arrábida, logo pela manhã, bem cedo, de forma a poderem estar à hora do almoço no Portinho onde deverão saborear uma refeição na agradável companhia dos amigos caminhantes.

Como tudo começou?  Parece que ninguém sabe ao certo.

Uns dizem que já nos remotos tempos dos seus bisavós estes subiam a serra, a pé ou montados numa mula para poderem ir assistir às cerimónias pascais levadas a cabo pelo monges arrábidos no seu convento de Santa Maria, lá na vertente sul, onde o conjunto de pequenas casinhas brancas rodeadas de verdes matagais, olham o deslumbrante mar que se confunde com o céu azul.

Outros defendem que a tradição foi originada para que os moradores locais pudessem palmilhar, pelos sinuosos trilhos da serra, o mesmo caminho  que os frades arrábidos percorriam quando se vinham abastecer de víveres à vila.

E, há ainda aqueles que afirmam que tudo começou com a necessidade dos chefes de família irem abastecer-se do delicioso peixe fresco capturado naquelas águas  pelos pescadores e comercializado no Portinho da Arrábida, neste período de abstinência de carne.

Seja como for, o facto é que a tradição se manteve ao longo dos anos e, curiosamente, ao contrário do que se possa pensar, cada vez são mais aqueles que aderem a esta caminhada, nem sempre fácil de levar a cabo.

Este ano de 2016, adivinha-se que mais uma vez largas centenas de azeitonenses e seus amigos estão na disposição de fazer o atravessamento da serra, partindo normalmente de Vila Nogueira de Azeitão e terminando a caminhada já no Portinho da Arrábida, onde almoçarão.

Há um outro grupo de veteranos conhecedores da serra-mãe que não irão de manhã com os caminhantes. Eles sairão logo na quinta-feira, pela calada da noite e, percorrendo sinuosos e escuros caminhos subirão a Arrábida. Depois, algures, em local seu bem conhecido, montarão acampamento e aí pernoitarão, até que o os raios do Sol matinal rompam por entre a densa vegetação e os acorde.  É nessa altura que se colocarão de novo em marcha até atingirem o seu objetivo: o  Portinho da Arrábida.

São velhos escuteiros pertencentes a Unidades de Setúbal e de Azeitão que já há alguns anos cumprem esta tradição, pretexto de excelente convívio entre pessoas que aprenderam a dar valor e um diferente sentido à fraternidade.

Rui Canas Gaspar
2016-março-23

www.troineiro.blogspot.com

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Novo perigo espreita num miradouro da Arrábida

O enorme fluxo de veraneantes que afluem às praias da Arrábida, a quantidade de gente que circula pelas estradas da serra e estaciona nos seus miradouros para apreciar a maravilhosa paisagem, naturalmente pela má formação de alguns, ocasiona que a lata do refrigerante que bebeu, o saco de que se serviu para levar o lanche ou o guardanapo acabem invariavelmente por ir parar ao chão.

É este tipo de pessoas mal formadas, de todas as idades e de todas as nacionalidades, que conspurcam aquilo que se deveria apresentar de imaculada limpeza de forma a melhor ressaltar a natural beleza daquele ímpar espaço.

Para cúmulo desta situação é bom notar que a notória falta de equipamentos de recolha de lixo e a ausência de um serviço permanente de manutenção potenciam aquilo que deveria ser neutralizado logo à nascença, evitando-se a acumulação de detritos.

Por outro lado, já por mais de uma vez chamei a atenção para o miserável estado em que se encontram os pisos dos miradouros no alto da serra, os quais com meia dúzia de barris de alcatrão mudariam radicalmente dando um aspeto mais decente aos espaços, eventualmente desincentivando maus hábitos de alguns indivíduos menos cuidadosos.  

Mas não, nada foi feito para melhorar a imagem da Arrábida. Mais um ano se passou e certamente outra época balnear virá sem nada se fazer a não ser propagandear a marca, só não se vendendo gato por lebre devido à beleza natural daquele espaço.

Este fim-de-semana verifiquei que as coisas vão de mal a pior e um dos miradouros, aquele mais perto do “conventinho”, encontra-se com o muro de proteção danificado, provavelmente devido ao embate de uma qualquer viatura, necessitando de intervenção urgente, ao nível do trabalho de pedreiro.

Por outro lado, mais uma vez, terá de ser o voluntariado formado por pessoas generosas, responsáveis e de boa vontade que irão ter de fazer o trabalho de apanhar toneladas de lixo que outros indivíduos abandonaram na serra, e isso irá acontecer no sábado dia 26 deste mês de setembro e todos os que puderem e desejarem serão bem vindos.

Entretanto o alerta fica feito ao Parque Natural da Arrábida para a situação dos miradouros, com particular foco no que está agora danificado e que poderá constituir um perigo para quem ali possa ir apreciar a paisagem, especialmente para as crianças.

Rui Canas Gaspar
2015-setembro-21

www.troineiro.blogspot.com

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Na Arrábida há uma pequena fortuna ao ar livre

Com a criação do Parque Natural da Arrábida, em 1976, foram encerradas algumas explorações da belíssima e rara Brecha da Arrábida, também conhecida vulgarmente por “Brecha de Portugal” ou “Mármore da Arrábida”.

Este pedra de rara beleza foi outrora empregue nas mais diversas obras de arte, destacando-se o convento de Jesus em Setúbal, com as suas colunas torcidas, tal como a sua pia batismal. Igualmente poderemos observar esta brecha, em toda a sua beleza, aplicada artisticamente no salão nobre da Câmara Municipal de Setúbal, de entre outros locais.

Com a cessão da sua exploração, este raro material tornou-se ainda mais caro, sendo utilizado normalmente pela autarquia sadina em placas alusivas,  normalmente relacionadas com inauguração de obras.

Há quase 40 anos que a Pedreira do Jaspe deixou de laborar no alto do monte do mesmo nome, onde se pode apreciar uma panorâmica deslumbrante focando-se a nossa atenção particularmente no imenso Oceano Atlântico e sobre a Serra do Risco, qual onda petrificada sobre o vasto mar a seus pés.

E é precisamente aqui, ao lado da desativada pedreira, que vamos encontrar vários blocos de pedra já cortada, que estimamos possam ter na ordem dos 150 M3 e que não foi retirada atempadamente deste local.

Valem de facto uma pequena fortuna estes blocos de pedra cortada de excelente qualidade, prontos a carregar para a serração que os transformará em chapas e os polirá de forma a ressaltar toda a ímpar beleza deste material que poderá vir a ter as mais diversas utilizações.

Não sei a quem poderá pertencer este património, presumindo que o mesmo seja propriedade do Estado Português, na pessoa do Parque Natural da Arrábida.

O que sei é que o mesmo ali se encontra há cerca de 40 anos pronto a utilizar, podendo ser comercializado e o dinheiro reverter para a criação ou manutenção de espaços públicos, nomeadamente caminhos e miradouros desta Serra da Arrábida, uma das belezas deste nosso Portugal, tão rico e tão parcamente aproveitado.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-16