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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Setúbal mais bonita

Hoje pela manhã tive de ir tratar uns assuntos na baixa de Setúbal e verifiquei uma desusada azáfama, compreensível atendendo a que no sábado se irá comemorar os 500 anos do Foral Manuelino entregue a Setúbal.

O programa contempla um conjunto de ações de rua que certamente atrairão milhares de setubalenses à baixa para ver os espetáculos e certamente para fazerem algumas compras de ocasião nas lojas comerciais daquela histórica zona da cidade.  

Hoje eram já alguns os turistas que por ali andavam. Eu meti conversa com um pequeno grupo de língua francesa e tive oportunidade de os encaminhar para a loja “COISAS DE SETÚBAL” (nada tem a ver com o grupo do facebook com a mesma designação) a funcionar no rés-do-chão dos Paços do Concelho, no sentido de ali poderem obter mais informação sobre a cidade e eventualmente poderem adquirir alguma recordação.

Mas o que me deixou bem satisfeito foi ver já pintados os candeeiros na Rua da Velha Alfândega, enquanto um operário camarário com uma máquina elétrica lixava os bancos públicos, provavelmente para os envernizar seguidamente.
Uma outra equipa de calceteiros ia reparando cuidadosamente alguns buracos nas ruas artisticamente pavimentadas.

Outra equipa atarefava-se a limpar o bonito lago de forma a que pudesse ser de novo cheio com água limpa e toda aquela zona ajardinada ficasse mais agradável.

Vi também mais uma equipa a colocar as armações onde serão hasteadas as bandeiras e onde serão erigidas as tendas medievais e outros equipamentos próprios para a festa que se vai realizar.

Finalmente pude apreciar dezenas de novas floreiras já dependuradas nas varandas das casas dando um ar muito mais alegre a todo aquele vasto espaço, enquanto uma outra equipa se atarefava a colocar muitas outras pelas varandas das ruas circundantes.

Não tenho quaisquer dúvidas que no sábado quem for à baixa de Setúbal, munido de máquina fotográfica, vai ter muito para fotografar e um bom programa para se divertir e também para aumentar os seus conhecimentos culturais.

Mais uma vez Setúbal está de parabéns e mais bonita e só não vê isso quem não quiser ver.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-21

www.troineiro.blogspot.com

sábado, 28 de junho de 2014

Feira Quinhentista em Setúbal um espetáculo completo onde até nem o bêbado faltou

O final da tarde estava agradável. Na baixa de Setúbal começava a verificar-se um desusado movimento de pessoas que calma e descontraidamente caminhavam conversando e de vez em quando paravam para ver algumas montras das casas comerciais que se encontravam abertas na Rua Dr. Paula Borba, aquela que entre os antigos setubalenses é conhecida por Rua dos Ourives.

Mas, o principal motivo deste desusado movimento, naquela que em tempos já foi a mais movimentada artéria da cidade, era a Feira Quinhentista que aqui tinha lugar, com os seus pavilhões instalados no Largo da Misericórdia e na Ribeira Velha e com os seus vendedores trajados como se estivessem na época de quinhentos.

Uma dupla de músicos tocando gaita-de-foles e tambor deslocava-se animando o espaço entre os dois largos, alegrando quem passava, enquanto outra dupla de homens de armas, empunhando as suas espadas de vez em quando faziam uma demonstração da sua arte de bem combater.

Se no largo da Misericórdia uma das tendas servia o Keback, aquela deliciosa comida típica de alguns países árabes e uma outra chamava a particular atenção dos visitantes pelo agradável cheiro de dali provinha devido à variedade de frutos secos e pastas de figo, de nozes ou de tâmaras. Porém, por aquelas bandas nada se encontrava para comer que fosse dos nossos latinos gostos.

Já no Largo da Misericórdia o agradável e típico stand montado pela dinâmica APPACDM , associação que apoia as crianças com problemas de saúde mental, servia alguns doces e petiscos, embora o pequeno espaço já se encontrasse repleto de clientes.

Mas, ali naquele largo estava a funcionar um único lugar onde se poderia petiscar, um tipo de tapas como é típico em Espanha e que por cá começa a ser também procurado e foi lá que me sentei e esperei não sei quanto tempo até que fosse atendido pela atarefada senhora que não tinha mãos a medir.

E foi nesse espaço de tempo, mais de 15 minutos, que se encostou à proteção da esplanada um homem, “perdido de bêbado” que não parava de incomodar quem calmamente queria estar sossegado a apreciar outro tipo espetáculo que não aquele degradante que ele teimava em oferecer.

O empregado chegou perto dos casais que ali se encontravam a ser incomodados pelo linguajar do indivíduo e informou que ele já teria estado dentro do estabelecimento e que por isso mesmo já teria chamado a polícia.

Não sei ao certo quanto tempo mediou entre a chamada dos agentes até à chegada de uma dupla da PSP, mas seguramente mais de meia hora, o tempo do homem alcoolizado ter levado “dois berros” e saído dali, para ir incomodar outros pacatos cidadãos.

Não faço ideia se os polícias acabaram por encontrar o homem ou não, o que me deixa apreensivo é que com uma esquadra quase ao lado do evento a polícia leve tanto tempo a chegar. Mais apreensivo fico, quando num evento como este não existe pelo menos um agente da autoridade a patrulhar a zona a fim de desincentivar algum tipo de desordeiro.

Certamente que no tempo em que foi entregue o foral manuelino a Setúbal, cujos 500 anos agora se estavam a comemorar, seriam mais eficientes e os homens do varapau poriam alguma ordem na cidade.
 
O país evoluiu, tornamo-nos um povo de brandos costumes e quinhentos anos depois os bêbados, os ladrões, os traficantes e os vândalos podem andar a incomodar o pacato cidadão, porque polícia para manter a ordem nem vê-la e vamos lá nós saber porquê…

Rui Canas Gaspar
2014-junho-28