notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

terça-feira, 20 de maio de 2014

ARRÁBIDA DESCONHECIDA

Monte Abraão, ou Monte Cabrão, segundo outros, é uma elevação situada na cordilheira da Arrábida onde são visíveis nos seus pontos mais elevados  três enormes cruzes, ali colocadas inicialmente utilizando-se a madeira. Porém, o Duque de Palmela mandou-as substituir, em 1954 por outras em pedra, de forma a evitar a sua rápida deterioração.

O acesso a este monte é extremamente difícil devido não só aos  trilhos serem muito fechados como também por existirem alguns obstáculos cobertos pelo musgo e folhagem tornando-os em autênticas armadilhas.

Podemos deliciar-nos com a Arrábida, fazendo passeios a pé, por diversas zonas autorizadas do P.N.A., de bicicleta, ou de automóvel.

Para ajudar a descobrir este mundo maravilhoso escrevi o livro ARRÁBIDA DESCONHECIDA que certamente os meus amigos que ainda o não leram  e que tal como eu gostam da nossa serra-mãe, terão muito prazer em o conhecer e a partir dessa leitura desejar conhecer um pouco mais sobre este território ímpar em Portugal.

Se assim o desejar, saiba mais aqui: www.livrosdorui.blogspot.com

Rui Canas Gaspar

2014-maio-20

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mais um espaço de estacionamento automóvel para Setúbal

Está praticamente concluído mais um parque de estacionamento automóvel, uma obra da responsabilidade da Câmara Municipal de Setúbal.

O novo estacionamento que terá capacidade para receber algumas dezenas de viaturas situa-se ao fundo da Quinta da Saboaria e irá apoiar a zona ribeirinha da Praia da Saúde.

Embora ainda não esteja concluído aquele espaço já teve oportunidade de ser utilizado no passado sábado, em virtude da grande afluência de viaturas àquele local da cidade sempre muito frequentado.

Esta é uma daquelas situações onde se junta o útil ao agradável, porquanto se transforma uma zona feia e degradada num espaço útil e com boa apresentação, pelo que damos os parabéns à Autarquia por mais esta obra na nossa cidade.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-19 

Mourinho e Matilde vão ser embaixadores da ONU

“Vou imediatamente onde estão os problemas e onde estiverem as crianças.  Sou um homem do terreno e não do escritório, estou habituado a treinar jogadores no campo”.

Palavras de José Mourinho que não tenhamos dúvidas irá ser um excelente embaixador na campanha Contra a Fome, agora que formará equipa para este trabalho com Matilde, sua mulher, também ela nomeada embaixadora especial das Nações Unidas.

O casal deverá visitar nas próximas semanas alguns países da África Sub-sahariana, afetados pela fome.

Os embaixadores deverão procurar angariar os necessários recursos para poderem apoiar convenientemente sobretudo as crianças dos países carenciados.

É uma honra para Setúbal, ter não só um treinador de futebol conceituado mundialmente mas não menos importante é que a esse mesmo treinador e sua esposa sejam agora cometidas funções não menos importantes à escala mundial.

Rui Canas Gaspar

2014-maio.19
Vale a pena ir ver a "morta" que se apresentará bem bonita.

Lembro-me quando era menino e num tempo em que a crise era praticamente uma constante na vida da grande maioria dos setubalenses, que quando alguém estava prestes a falecer logo a família procurava colocar de parte, ou mesmo adquirir, algumas das melhores peças de vestuário e calçado para que o defunto pudesse partir com a melhor apresentação e assim se apresentasse com aspeto agradável a todos os seus familiares e amigos na hora da despedida.

Lembrei-me desta imagem ao verificar como vai ficar mais bonita, a nossa baixa da cidade, graças à iniciativa “Arte em toda a Parte”, patrocinada pela Immochan, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal.

O fotógrafo Filipe Ferreira foi contratado para apresentar um conjunto de trabalhos onde se podem apreciar os mais diversos rostos de sorridentes setubalenses.

O resultado do trabalho do fotógrafo que andou a captar os sorrisos dos setubalenses ficará patente na fachada de um imóvel no Largo da Misericórdia a partir das 15,30 do dia 23 de maio.

Não vou aqui abordar o tema de quem foram os culpados da morte da baixa porque isso daria pano para mangas, apenas vou mencionar o facto de que gostarei de ver alguns desses locais decorados com bonitas e enormes fotos com os rostos dos nossos simpáticos conterrâneos, que alegrarão o centro histórico sadino.

De facto ficará muito melhor assim, com grandes sorrisos, muito mais agradável do que com aqueles estúpidos e feios grafites que emporcalham toda a cidade e que podemos encontrar a par de alguns belos trabalhos dos verdadeiros artistas de rua.

Dei comigo a sorrir, embora não tenha sido fotografado,  ao fazer a analogia dos antigos funerais, com a anunciada morte da baixa comercial. Um funeral pago pelo amigo mais próximo, a Immochan, promotora do novo e quase inaugurado centro comercial ALEGRO, com o cadáver a ser vestido pelo familiar mais próximo, a nossa Câmara Municipal.

A vida tem destas coisas. Tudo o que nasce morre. Tal como se finou em tempos idos a Rua dos Sapateiros, dos Caldeireiros, dos Ourives, etc. agora é a vez da baixa comercial que as substituiu. Daqui a uns anos outro conceito será colocado em prática e será a vez de se finarem os centros comerciais que agora vemos nascer cheios de vida e cor.

Até lá, e enquanto não nasce o novo Centro Comercial, estão todos convidados para o funeral da velha baixa comercial setubalense, e, acreditem que vale a pena ir ver o cadáver que se apresenta bem bonito graças aos sorrisos de muitos dos que por lá ainda circulam…

Rui Canas Gaspar

2014-maio-19

domingo, 18 de maio de 2014

Carros despistados vão “enfeitando” o
Parque Natural da Arrábida

Tal como muitos setubalenses, e não só, também eu gosto muito de passear pela Arrábida e de desfrutar de todos os seus mistérios e encontros inesperados.

Com frequência ali vou e também frequentemente sou surpreendido por algo de novo, ou por alguma coisa que noutras idas me tinha passado despercebido.

Hoje, por exemplo, fui “meter a cabeça” na pequena “gruta da pulga” assim a batizamos já lá vão uns cinquenta anos, quando depois de uma caminhada desde Setúbal e não encontrando espaço adequado para montar a tenda onde iria pernoitar com mais os dois companheiros, decidimos pernoitar naquela gruta, junta à berma da estrada.

No dia seguinte quando acordamos, estávamos cheios de comichão e todos picados. Os animais selvagens também por ali se acoitavam e com eles vinham os incomodativos parasitas, que ao apanharem carninha fresca trataram de fazer um banquete durante a noite.

E foi assim que aqueles três jovens escuteiros batizariam o local como a gruta da pulga e das várias vezes que posteriormente por lá passamos informávamos os nossos companheiros para nem se aproximarem de lá.

Ora bem perto do mesmo local está a carcaça de um automóvel que se despistou e foi ribanceira abaixo a qual continua a poluir, pelo menos visualmente, aquele magnifico local.

E isto é que me deu para pensar sobre o porquê do Parque Natural da Arrábida, sempre tão rápido a resolver umas coisas não tem a mesma celeridade para resolver outras.

É que se me disserem que retirar a carcaça do autocarro que se encontra a dois ou três quilometros para nascente é difícil, estou de acordo, mas o automóvel visível da berma da estrada a uma dúzia de metros da mesma e sem mato a impedir, não brinquemos!…

A comunicação social já veiculou a notícia de que a AMRS vai voltar à carga com a candidatura da Arrábida a patrimonio mundial, muito bem! Mas será que é com a mesma política de proibição e multa para quem apanhar uns medronhos ou um raminho de alecrim e deixando as pedreiras a laborar, o trânsito caótico, mal chegando um dia de calor e com os carros que se despistam, como o caso deste, a enfeitar a serra, que se consegue o tal galardão?

Pode ser que sim. Mas cá por mim duvido!

Rui Canas Gaspar

2014-maio-18
São servidos?
Doces lembranças das Coisas de Setúbal

Com a proximidade da Feira de Santiago que tradicionalmente se realiza em Setúbal entre os dias 25 de julho e 8 de Agosto veio-me à lembrança as tradicionais guloseimas da minha terra, algumas delas que só as comia nesta época do ano.

A Bolacha Piedade, fina e dura que se farta, mas saborosíssima, com o característico sabor a erva doce e o sabor a anis. Dizem os descendentes do seu primeiro fabricante que o sucesso da longevidade reside na qualidade do produto e no segredo do seu fabrico.

Com ou sem segredo, nos anos sessenta do século passado, uns quinze dias antes de começar a Feira lá estava uma equipa da família Piedade, na Rua da Brasileira, 49, onde em tempos teria funcionado uma padaria, a utilizar as instalações e o forno a lenha para as confecionar.

Eu se não as comia, pelo menos deliciava-me com aquele doce e característico aroma que a chaminé da padaria deixava escapar e que me entrava em casa sem pedir licença.

Esta é sem dúvida a mais antiga especialidade sadina que remonta ao ano de 1855 quando os setubalenses a começaram a consumir por ocasião da Feira de Santiago.

Mas era na feira que também nos deliciávamos com as célebres filhoses do Chico Padreca antes do aparecimento das modernas farturas de que a Luisinha é rainha.

Ainda do meu tempo de menino veio-me à lembrança outra especialidade vendida pela Ti Laura, e também por ela fabricada, os deliciosos queques que comercializava à porta do cinema Grande Salão Recreio do Povo.

Era ali ao início da Rua Jacob Queimado que ela residia e confecionava os deliciosos bolos que depois eram levados ao forno da padaria do Elias, mesmo em frente da sua casa, do outro lado da rua.

E que dizer do “doce de laranja, especialidade de Setúbal” o pregão que se ouvia particularmente junto à estação rodoviária dos “Belos” onde se vendiam em sugestivas embalagens do esmerado fabrico da Pastelaria e Confeitaria Abrantes?

Só de pensar nisto já estou a ficar com água no boca!

Que maravilha! Que doces lembranças, ou que lembranças doces das COISAS DE SETÚBAL…

Rui Canas Gaspar

2014-maio-18

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Organizações José Rocha

Desde pequeno que me habituei a ouvir por terras setubalenses quando algo corria mal com algum evento por aqui realizado a expressão, isto ou aquilo mais não era do que: “Organizações José Rocha” . E ainda hoje eu próprio uso esse termo ouvido ao longo de décadas.

Porém, sempre me intrigou a origem de tal expressão, tendo-a sempre associado a algum hipotético cavalheiro, ligado ao ramo artístico, de nome José Rocha, organizador de festividades que de organização deixaria muito a desejar.

E foi a propósito da Meia Maratona de Setúbal, ao ver o vídeo partilhado na internet, observado o palanque montado a cobrir parte da pintura do “rapaz dos pássaros”, ao ler o comunicado camarário e ao tomar conhecimento da notícia publicada a propósito no jornal O SETUBALENSE, que naturalmente comentei com alguém familiarizado com a expressão: aquilo foi organizações José Rocha.

Curiosamente, parece que hoje, dia 15 de maio de 2014, a minha curiosidade ficou satisfeita ao tomar conhecimento de um panfleto editado em 1946, quando eu ainda não era nascido, anunciando um grande sarau à francesa, na União Setubalense, com o concurso  de José Rocha.

Pelos vistos o tal organizador, seria provavelmente um talentoso improvisador, a ponto da sua fama ficar gravada, tal como o “marreco” sempre fortemente apupado quando a fita se partia numa qualquer exibição cinematográfica no Casino Setubalense ou no Grande Salão Recreio do Povo.

Dão-me imenso prazer descobrir estas fabulosas pequenas coisas de Setúbal.

 Por me darem tanto prazer não quero deixar de partilhar este belo e histórico exemplar que teve o concurso das organizações José Rocha, que pelos vistos deixou sucessores na nossa cidade…

Rui Canas Gaspar


2014-maio-15
COISAS DE SETÚBAL o grupo dos que cá estão, dos que estão por lá e dos que estão a caminho.

Todos permanecem unidos neste espaço virtual onde a História se faz com estórias, onde a noticia é potenciada pela força das imagens.

Inscreva os seus amigos da região do Rio Azul neste dinâmico grupo de amigos naturais e virtuais.
Partilhe este espaço.
 
https://www.facebook.com/groups/1404258833157963/

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os setubalenses vão ficar de “olhos em bico”

Está já ser montada em Setúbal, com muito entusiasmo, a exposição de arte atual japonesa que trará a Portugal 225 de obras de artistas japoneses que nos mostrarão diversas sensibilidades artísticas do povo niponico.

O evento decorrerá na cidade sadina entre os dias 18 de maio (domingo) a partir das 17,30 e terá o seu terminus em 22 de junho, deste ano de 2014.

Trata-se resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Setúbal e o Club des Amis de l’Europe e des Arts de Tokyo (CAEA).

A exposição distribuir-se-á por quatro espaços culturais.  Na Casa da Baía, estarão  patentes os trabalhos orientados para a vertente tradicional; Na Casa da Cultura a mostra incidirá sobre os trabalhos atuais  de expressão artística ; Na Galeria Municipal do 11, poderemos admirar a mostra de artes típicas do país do Sol Nascente, enquanto a galeria Municipal do Banco de Portugal as peças em exposição são orientadas para a vertente tradicional.

De notar que nesta ultima galeria, onde se encontra patente a exposição de pintura quinhentista do Museu de Setúbal a mesma continuará patente ao público, tendo no entanto os responsáveis por aquele espaço, aberto novas divisões do edifício para poder receber a “Arte Atual do Japão” um evento que tudo indica vai deixar os setubalenses e quem nos visita de “olhos em bico”.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-14
Foi brilhantemente assinalado o 40º aniversário da Igreja SUD em Portugal



O maior salão polivalente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Portugal, sedeado em Oeiras foi nitidamente insuficiente para acolher os espectadores que ali se dirigiram na noite de terça-feira, 13 de maio de 2014 com a finalidade de assistir a um magnífico espetáculo comemorativo do 40º aniversário da implantação da Igreja em terras lusas.

Está mais que provado que AIJCSUD não dispõe em Portugal de instalações suficientemente espaçosas para eventos desta envergadura, pelo que teria sido medida sábia o recurso ao aluguel de um espaço próprio com capacidade e com condições de comodidade, conforto e segurança.

Para colmatar o calor, o deficiente som e a falta de espaço, valeu o serão propriamente dito. Estão de parabéns todos os que se envolveram aos mais diversos níveis, desde a escrita do guião, muito objetivo e bem resumido, até à execução artística dos diferentes intervenientes, que resultou num espetáculo provavelmente como nunca até agora se viu em Portugal.

Ao longo de pouco mais de uma hora pudemos assistir ao desenrolar de acontecimentos históricos, com testemunhos gravados e fotografias projetadas dos pioneiros da Igreja em Portugal.

Apreciamos talentosos intérpretes que representaram figuras históricas e também algumas pitorescas, com os seus característicos pregões, a par da execução de danças do folclore nacional, de várias regiões de Portugal e, curiosamente, até não faltou o fado brilhantemente interpretado.

Seguramente que valeu a pena o esforço e todo o trabalho que resultaram num evento difícil de esquecer, merecidamente aplaudido pelas centenas de pessoas presentes e que assinalou condignamente o 40º aniversário do mormonismo em Portugal.

Rui Canas Gaspar
13-maio-2014

sábado, 10 de maio de 2014

Mais um “CRIME” na cidade de Setúbal

Parece que alguns (ir) “responsáveis”  pelas coisas da nossa cidade teimam em desfazer o que de bom por cá se vai fazendo, e ao que parece sempre que têm oportunidade para isso dão largas ao seu mau gosto e incompetência gritante.

Imaginem que com tanto espaço no Largo José Afonso, Avenida Luisa Todi e arredores pois não é que estão a tapar metade da pintura do “rapaz dos passarinhos” com uma inestética e feia armação metálica para servir de palanque e suporte a publicidade e propaganda da meia maratona que terá lugar amanhã domingo.

Afinal quem é o responsável por esta falta de tudo e mais alguma coisa? Em vez de aproveitarem o que temos de mais bonito do género e montarem aquela estrutura ao lado, em baixo ou onde quer que fosse vão tapar metade da pintura.

Não se trata apenas de péssimo mau gosto, trata-se inclusivamente de desrespeito pelo artista e pelo mecenas que patrocinou aquela obra de arte urbana.

Não basta as barracas sem jeito nem trambelho que por ali costumam colocar por altura das feiras e feirinhas, agora que temos algo que dá alguma vida e que veio valorizar a polemica obra, chega não sei quem e planta toda aquela tralha frente à obra de arte.

Não existe pachorra para tanta incompetência!

No mínimo ao irresponsável que idealizou/autorizou a utilização do palanque o que lhe podemos oferecer é uma caneca de chá, porque ao que parece não a deve ter tomado em menino…

Rui Canas Gaspar

2014-maio-15
Há os sem-abrigo de primeira e os sem-abrigo de segunda, é tudo uma questão de sorte…
Pouco passava das sete horas desta luminosa manhã de sábado. As ruas de Setúbal encontravam-se praticamente desertas e só uma ou outra pessoa parecia que usufruía da excelente temperatura para fazer um pouco de ginástica matinal.
No Parque do Bonfim os negros melros de bico amarelo já tomavam alegremente o seu pequeno almoço nos frescos e verdes relvados acabados de regar.
As estreitas ruas da baixa começavam a ser penetradas pelos raios de sol que ao incidirem sobre os antigos edifícios mostravam-me alguns pormenores que nas nossas correrias diárias nem damos conta da sua existência.
No Largo de Santo António as árvores floridas emprestavam a sua beleza a um espaço que poderia ser lindo não fosse alguns edifícios encontrarem-se degradados e vandalizados.
Reparo num desses miseráveis exemplares cuja porta de alumínio já teria sido furtada a exemplo de tantos outros na cidade. Aproximo-me da entrada e reparo que num quarto a que falta a porta, um par de calças estão penduradas e alguém se mexe no seu interior, certamente despertado pelos raios de sol.
Trata-se de um dos vários sem abrigo que se refugiam nas muitas casas no mesmo estado que esta. Alguém que dorme em cima de um pedaço de cartão coberto com uma manta que o protege do frio noturno, que felizmente nesta época do ano não é aflitivo.
Prossigo no meu passo apressado pelas desertas ruas da baixa observando tudo o que me rodeia e eis que quando chego ao Largo da Ribeira Velha e me preparo para fotografar um bonito recanto noto que também ali alguém dorme no chão.
Este é um outro “sem-abrigo” porém de classe superior, digamos assim, está dentro de um confortável saco-cama, colocado em cima de uma esponja e a mochila serve-lhe de banca de cabeceira.
Enquanto a maior parte dos meus conterrâneos dorme ainda, continuo com o meu raid de meia dúzia de quilómetros pela cidade e vou pensando que neste nosso mundo até para ser sem-abrigo temos de ter sorte, porque uns estão destinados a ser de primeira dormindo no chão com algum conforto e em ambiente agradável e outros,os de segunda estão destinados a dormir em algum canto escuro e sujo…


Rui Canas Gaspar
2014-maio-05
www.troineiro.blogspot.com

quinta-feira, 8 de maio de 2014

ARRÁBIDA DESCONHECIDA

Cai a noite na Serra da Arrábida. As luzes iluminam a cidade lá ao fundo. No alto da serra o vento frio sopra de noroeste e a raposa para a cerca de dois metros de mim, olha-me docemente na vã esperança de ver retribuída a sua simpatia com algo que pudesse comer.

Como apenas me limitei a transmitir-lhe algumas simpáticas palavras e a  fotografa-la, não deve ter achado piada ao encontro e pouco depois não estando disponível para sessões fotográficas, vai embora procurar algo de mais substancial.

Fico um pouco de tempo mais a admirar o belo animal de pelo castanho avermelhado adornado com uma longa e linda cauda.

Parece-me saudável e bem nutrido.

Depois dos nossos noturnos cumprimentos cada um foi à sua vida, ela no alto da serra mãe e eu cá para baixo, para a cidade iluminada, onde cheguei para partilhar com os meus amigos mais este encontro com uma das princesas desta Arrábida de muitos desconhecida.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-08
Vejam Setúbal, tirem a prova…

Sem margem para dúvidas que ao porto da luminosa Lisboa podem aportar os mais modernos e enormes paquetes de cruzeiro vindos de todo o mundo, com os muitos turistas que se irão deliciar não só com os pastéis de Belém, mas sobretudo com o rico património histórico da capital portuguesa.

Mas, não tenhamos quaisquer dúvidas que é o porto de Setúbal que está vocacionado para receber os grandes barcos cargueiros que aqui podem embarcar e desembarcar as mercadorias não menos importantes para o desenvolvimento da economia portuguesa.

O nosso porto dispõe de capacidade mais que suficiente para atrair novos operadores portuários. Os seus cais estão dotados das necessárias infraestruturas de apoio a que até nem falta a ligação ao caminho-de-ferro para o transporte de mercadorias.

Os nossos cais são amplos e permitem sem quaisquer obras ou custos adicionais passar a receber, de entre outras, as milhares de viaturas do novo modelo a fabricar pela AUTOEUROPA destinadas à exportação.

Um pouco mais a poente, noutro espaço, temos capacidade para receber muito mais contentores do que atualmente o fazemos, igualmente sem ter de gastar mais dinheiro em novos aterros, ou construções, dado que tudo, ou quase tudo, está feito.

A par de tudo isto, dispomos das condições ideais para receber o grande número de embarcações de recreio que passam diariamente pela nossa costa, frente à nossa barra, sem aqui entrar.

Temos a capacidade técnica e os meios financeiros, se utilizarmos a inteligência, bem como as possíveis parcerias entre o poder público e os privados, de forma a poder fazer avançar a Marina de Setúbal que poderá representar mais um polo de desenvolvimento regional e local.

Se temos tudo isto, será que os políticos setubalenses estão a fazer tudo o que podem de forma a fazer ressaltar perante os órgãos governamentais as reais potencialidades desta região que tem vindo sistematicamente a ser preterida a favor de Lisboa?

Por exemplo, para quê construir mais um espaço para contentores a pouco mais de umas três dúzias de quilometros a norte do Sado quando aqui já o temos construído e em funcionamento?

Será que aqueles que nos têm andado a mandar apertar o cinto pensam que já estamos ricos e que podemos voltar ao tempo do despesismo, fazendo o que não necessitamos, como seja um outro cais para contentores junto às margens do Tejo?

Deixem de perder tempo e dinheiro com “estudos” e mais “estudos” técnicos senhores governantes deste nosso belo e laborioso país. Saiam dos vossos gabinetes e venham a Setúbal, observem e constatem o que aqui se diz e se houver algum investimento a fazer façam-no nesta terra de gente do rio e homens do mar, porque os valores a despender são pequenos e o retorno significativo.

Esta é a minha opinião discutida com gente da área e corroborada por eles. A sugestão aqui expressa vale o que vale, ela é fundamentada na constatação de um facto por parte de um leigo na matéria e troineiro de nascimento.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-05

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Vai ser construído um novo “estádio” de futebol  em Setúbal e à beira-rio

No dia 12 de junho de 2014 terá início a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014,com o jogo disputado entre as seleções do Brasil e da Croácia.

Serão muitos os portugueses que terão o privilégio de poder assistir aos diversos jogos num dos bonitos e tão contestados estádios construídos pelos nossos irmãos brasileiros.

De Setúbal muitos gostariam de se deslocar a terras brasileiras para poder ver os tão importantes jogos, mas não será certamente por falta de dinheiro, coisa que parece abundar agora que a troika nos deu folga, apenas faltando o tempo para as deslocações aos setubalenses.

Sendo assim, se os sadinos não vão ao estádio, o estádio vem aos sadinos. E como esta nossa terra está a ser governada por pessoas que parecem estar atentas às necessidades do povo, sim porque a diversão também é uma necessidade! eis que a nova União das Freguesias de Setúbal, decidiu construir um “estádio” onde os setubalenses poderão assistir aos diversos jogos.

Decisão tomada, espaço identificado para o novo recinto desportivo e o Presidente da nova junta pôs pernas ao caminho e foi apresentar o seu projeto e pedir autorização ao responsável pelo espaço escolhido. Um outro presidente, aquele que é responsável pelo território da beira-rio.  

Reunião cordial entre os dois presidentes e aprovação da APSS que disponibiliza para este período dos jogos o agradável e pouco utilizado (por enquanto…) amplo espaço entre os seus enormes armazéns e o rio, ali, junto ao local onde se tomam os barcos para Troia.

A União de Freguesias vai tratar de montar o indispensável estaminé a que não faltará uma tela gigante e o povo, aquele que gosta de futebol e o outro também, passarão a dispor de mais um espaço de diversão e convívio no período em que decorrem os jogos nos estádios brasileiros.

Os estádios brasileiros custaram milhões e não se comparam com este que custará tostões. Ainda por cima será implantado junto aquela que é considerada como uma das mais belas baías do mundo.

Se o saudoso Fernando Pessa fosse vivo, certamente que diria: - E esta hein?...

2014-maio-07

Rui Canas Gaspar

terça-feira, 6 de maio de 2014

Setúbal está no caminho do progresso

No amplo espaço de terra batida existente entre a doca dos pescadores e a construção onde se encontram os apetrechos de pesca dos pescadores, a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, responsável por aquela parcela do território setubalense mandou executar algumas obras de arruamento ocasionando que fossem conseguidas algumas dezenas de lugares de parqueamento.

Também mandou colocar candeeiros na zona para além de outros melhoramentos.

Para trás ficou a instalação do jardim e a colocação de um banco panorâmico, conforme anunciado no painel informativo que dava conta do que naquele espaço se iria realizar.

Acontece que a Câmara Municipal de Setúbal a braços com lugares de parqueamento, agravado com o invulgar movimento na zona devido aos muitos restaurantes em funcionamento, ao Bowling de Setúbal, e sobretudo à enorme quantidade de pessoas que demandam o Parque Urbano de Albarquel, solicitou à APSS que ao invés de instalar ali um jardim pudesse ceder o espaço para um parque de estacionamento automóvel tão necessário e urgente.

A APSS entendeu a necessidade camarária e no superior interesse da cidade acedeu e prescindiu do seu projeto para que a Autarquia pudesse levar o seu de vencida, conseguindo-se ali implantar uma nova bolsa com algumas dezenas de lugares de parqueamento automóvel.

Pode parecer um assunto sem importância ou de importância relativa. Porém, eu, pelo contrário, considero-o por demais importante, não pelo parque de estacionamento em si, o que não é de desprezar mas sim pelo facto de duas entidades que durante anos e anos estiveram de costas voltadas agora darem as mãos e colaborarem ativamente para que Setúbal possa de facto sair beneficiada.

Para aqueles amigos que gostam de pormenores mais ou menos interessantes, devo dizer que os dois responsáveis setubalenses não são da mesma cor politica. Enquanto o setubalense Victor Caldeirinha, presidente da APSS está ligado ao Partido Social Democrata, Dores Meira, presidente da C.M.S. é membro do Partido Comunista.

O nosso povo gosta muito de ouvir quem fale bem, ainda que por vezes pouco ou nada  diga. Mas, sobretudo o que os setubalenses mais gostam é de quem faça obra e parece que estamos todos a ficar de parabéns porque Setúbal está no caminho do progresso graças também ao entendimento e colaboração entre estas duas importantes entidades que governam o nosso território.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-06

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Nos anos 70 houve muito movimento entre Setúbal e Troia e hoje?

Antes de acontecer a revolução de 25 de abril de 1974, mais concretamente no ano de 1971, quando muitos jovens setubalenses combatiam na Guerra Colonial, nas matas africanas de Angola, Moçambique e Guiné, por cá muita gente atravessava o Sado não só para ir a banhos, mas sobretudo deslocando-se para o complexo turístico que ali estava a desenvolver a TORRALTA.

Para se ter uma ideia do elevado volume de tráfego fluvial levando passageiros de uma para a outra margem do Sado atente-se nestes números de pessoas que utilizaram as carreiras de barcos convencionais e dos outros, tipo hovercraft.

Passageiros transportados em 1971:

-  Embarcações do tipo convencional    769 740
- Embarcações do tipo hovercraft         113 128
- Total de passageiros transportados entre as duas margens 882 868

Passados pouco mais de 40 anos seguramente que os números são incomparavelmente inferiores, embora muito se tenha construído na margem sul do nosso Rio Azul.

Deixamos de ver os barcos, no final da semana, repletos de setubalenses que iam usufruir das águas oceânicas que beijam as brancas areias da Costa da Galé, do Bico das Lulas e do Sado frente à sua terra natal.

Deixamos de ver as largas centenas de trabalhadores que diariamente cruzavam o rio para ir transformar aquela península na propalada capital do turismo europeu.

Deixamos de ver, mais de 40 anos depois, as bonitas ruas, jardins, praças  e cuidados edifícios da “cidade” turística repleta de gente, deste e de outros países.

Deixamos de ver os novos e modernos barcos repletos de pessoas e viaturas como outrora acontecia diariamente.

Deixamos sobretudo de ver ação e dinamismo, de forma a inverter este tipo de situação.

Deixamos de ver tanta coisa, acabando por me convencer, que como os anos não perdoam, terei de ir ao oftalmologista, porque afinal sou eu que não estou a ver bem este triste espetáculo…

Mas com óculos novos ou não, gostaria de ver o nosso belo Rio Azul com os grandes barcos que aqui chegam para carregar e descarregar mercadorias. 

Gostava de ver os pequenos botes pescando no nosso farto Sado, calma e tranquilamente sem a pressão fiscalizadora das autoridades marítimas.

Gostava de ver as empresas turístico-marítimas a operarem nas nossas águas azuis sem os pesados encargos que incidem sobre as mesmas e que não as tornam concorrenciais.

Gostava que deixassem os pescadores amadores que em cima das nossas muralhas tentam capturar alguns peixinhos para o almoço sem as multas absurdas que lhes são aplicadas ou a penalização de terem de ir varrer as ruas da cidade.

Gostava tanto de ver a minha bonita Setúbal, agora que começa a estar devolvida ao rio que se transformasse de vez na mais maravilhosa cidade portuguesa…

Tenho a esperança que isso venha a acontecer com a ação conjugada da Administração Portuária e da Autarquia Sadina, independentemente das suas cores políticas, procurando em conjunto resolver devidamente os assuntos dos setubalenses, ao invés de trabalharem de costas voltadas como durante décadas aconteceu, com os nefastos resultados que se conhecem.

Rui Canas Gaspar

2014-maio-05

sábado, 3 de maio de 2014

Conhece a Palhavã ?

Corria o ano de 1936 quando a Câmara Municipal de Setúbal decidiu apoiar os tradicionais festejos que se realizavam em Setúbal por altura dos santos populares, no tempo em que se faziam fogueiras nas ruas e à volta das mesmas a população convivia alegremente até quase ao nascer do sol.

Para isso disponibilizou mastros, bandeiras e até iluminação elétrica para os diversos lugares da cidade que decidissem aderir à iniciativa, que culminaria com um concurso de marchas populares.

E foram cinco os grupos que se organizaram e decidiram entrar no concurso desfilando com as suas marchas: Olhos d’Água, Travessa da Saúde, Largo das Machadas, Rua Direita e Largo da Portuguesa foram as marchas pioneiras setubalenses.

Na taberna do Nabiça, onde hoje funciona a Tasquinha do Rui, na Rua José Carlos da Maia, 88, cinco setubalenses entusiasmados com o evento realizado, decidem transformar a comissão que se tinha proposto engalanar aquela zona da cidade no Rancho Folclórico da Palhavã, tratando de escolher para seu patrono S. João.

No ano seguinte, em 1937 o novo grupo apresentava-se a concurso com a sua própria marcha que haveria de ao longo dos anos ser o principal elemento identificativo daquela popular coletividade.

Os seus dirigentes trataram de conseguir uma sede para o seu grupo e para o efeito adquiriram as velhas instalações do nº 146 da Rua José Carlos da Maia, em cujo primeiro andar foram confecionados os arcos e trajes com que pela primeira vez desfilaram.

As velhas instalações, compradas a prestações, foram recuperadas e alindadas. Foi ali que se prepararam novas marchas e muitos bailaricos foram levados a efeito ao longo de vários anos.

Muitos namoricos acabaram em casamento e o contrário também é verdade com alguns outros desfeitos devido a novos amores despontados ao som de embaladas melodias.

Anos mais tarde e já com uma organização solidificada, muda-se para novas e mais consentâneas instalações, sedeadas na antiga Rua do Castelo Prolongamento entretanto rebatizada como Rua do Clube Recreativo da Palhavã.

Mais de três quartos de século passados e a Palhavã continua a ser uma referência no panorama cultural e desportivo setubalense, de raiz estritamente popular.



Rui Canas Gaspar

2014-maio-03