notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sábado, 19 de março de 2016

Quem quer comprar em Setúbal a Casa do Corpo da Guarda?

Ainda o famoso poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage não sonhava vir a este mundo e já naquele espaço onde um dia iria ser erigida uma estátua para perpetuar a sua memória existia a Casa do Corpo da Guarda.

Praça do Sapal era assim a designação do amplo espaço, no centro de Setúbal, que após a colocação da estátua, custeada com dinheiro dos setubalenses e amigos brasileiros, passaria a ter a designação do famoso poeta.

Foi em 1650 que João Nunes da Cunha mandou erigir a Casa do Corpo da Guarda imóvel que viria a sofrer fortes danos com o terramoto de 1755.

D. João V mandou então proceder à remodelação do imóvel tal como o fez em relação ao outro seu vizinho onde funcionava a Câmara Municipal. Esse viria a ser destruído posteriormente por um incêndio e reconstruido graças ao talento do famoso arquiteto Raúl Lino.

A Casa do Corpo da Guarda é um singular edifício de grande beleza e de apenas dois pisos de onde se destacam os arcos de volta abatida. Viria a funcionar como dependência do Distrito de Recrutamento Militar até 1993.

Depois de ter perdido o interesse para os militares o edifício ficou como que abandonado durante uns 15 anos e logo as suas arcadas rapidamente se transformaram em urinol, local de prostituição e onde a droga se consumia e comercializava.

Um dia, alguém teve a feliz ideia de solicitar o uso do imóvel para ali estabelecer o Clube dos Oficiais de Setúbal, pretensão que foi deferida pelo Estado Maior do Exército e o imóvel passou a ter outro uso mais condigno com a sua vetustez.

O povo diz que “o que é bom acaba depressa” e como o “deus dinheiro” cada vez impera mais neste mundo o Estado sem se preocupar com a importância histórica, uso, ou com o significado afetivo para a população setubalense, mais não fez que colocar o imóvel à venda.

E assim o D.R. 2ª série, nº 200, de 13 de outubro de 2015, numa listagem de património militar coloca esta peça única a par de outras disponível para alienação, tal como o faz com o Moinho da Desgraça e outras “desgraceiras” de onde ressaltam os fortes de Albarquel, Outão e Casalinho.

Ora, como a Casa do Corpo da Guarda, pese embora tratar-se de um dos mais antigos e emblemáticos edifícios setubalenses, não está protegido por classificação que o proteja, até pode vir a acontecer que algum McDonalds ainda o venha a adquirir.

Sendo assim, aquele espaço que foi berço de honrados e valorosos defensores da nossa pátria, poderá vir a servir para que os big mac continuem a engordar alguns outros cidadãos, provavelmente menos valorosos.

A Câmara Municipal de Setúbal que tenha atenção a este assunto, para que daqui a algum tempo, não venha a fazer o mesmo que fez em relação ao Palácio da Comenda, vindo a correr atrás do prejuízo, como dizem os nossos irmãos brasileiros.

Rui Canas Gaspar
2016-março-19

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quinta-feira, 17 de março de 2016

Olá Mariana

Mariana, Mariana! Há quanto tempo te não via aqui pelas bandas da Fonte Nova?...

Lembras-te das nossas conversas quando vínhamos aqui buscar água nas nossas bilhas de barro? Eram pesadas, mas nós éramos novas e fortes!...

Este era um dos serviços domésticos que tínhamos diariamente de fazer, enquanto a sirene da fábrica não nos chamava ao trabalho. A parte agradável era aqueles poucos minutos que tagarelávamos enquanto as bilhas se enchiam.

Mariana já reparaste naquele edifício que erigiram nas traseiras da nossa antiquíssima fonte? Que coisa tão esquisita!...

Áh! Mas então que é feito da esfera com um espigão em ferro que encimava este nosso querido fontanário? Sumiu? Pois claro, sumiu mesmo, mas também já poderiam ter colocado ali outro. Até que nem é assim tão caro!...

É pena estares de olhos vendados Mariana! No dia em que tirares essa venda nem vais reconhecer o nosso velho largo da Fonte Nova, está lindo e dentro de dias chega a Primavera e com os dias mais solarengos nem queiras ver a quantidade de gente que vem comer peixe assado debaixo das frondosas árvores.

Talvez não saibas mas as antigas tabernas aqui do nosso largo agora estão transformadas em restaurantes típicos, com grandes esplanadas colocadas à porta.

Mas olha, eu acho que a fonte poderia ficar um pouco melhor se fosse colocado uma réplica daquilo que sumiu e já agora se também fossem colocadas, frente à tua estátua, meia dúzia de bolas de pedra, daquelas como estão para os lados da Praça do Bocage e evitam que os automóveis avancem mais e mais direitos a ti.

É que já vi alguns carros quase em cima de ti e um destes dias ainda és atropelada.

Embora não vejas estas viaturas, devido a estares vendada, olha que eu já as vi, como te disse, mesmo quase em cima de ti. Até me arrepiei!...

Bem amiga Mariana, vou-me embora, temos de nos fazer à vida. Foi bom estar um pouco contigo. Até um destes dias. Bjinhos

Rui Canas Gaspar
2016-março-17

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Os transtornos dos automobilistas setubalenses podem ser minimizados

Sem querer ser “profeta da desgraça” antecipo desde já para os utentes desta via em geral e para os moradores da zona em particular, alguns meses bem complicados, agora que começaram as obras na Avenida Independência das Colónias.

Os transtornos no trânsito certamente que serão maiores do que aqueles causados na Avenida Alexandre Herculano, por dois motivos bem simples, o acesso à Praceta Vitor Vitorino, onde se encontra a entrada da escola do ensino básico e o acesso ao Pavilhão Antoine Velge, sempre muito frequentado, sobretudo ao final do dia.

Sei, como toda a gente, que obras implicam naturais transtornos. Mas, infelizmente também sei que as obras na via pública que têm vindo a ser feitas nos últimos anos em Setúbal não têm respeitado minimamente os automobilistas como todos nós temos constatado.

Neste caso em concreto, uma das primeiras medidas foi suprimir vários dos poucos lugares de parqueamento automóvel, sem que alguém se preocupasse onde as pessoas residentes na zona irão parquear a sua viatura.

Poderia (PODERÁ) o problema  do parqueamento ser minimizado e muito, atendendo a que esta Avenida dispõe de dois excelentes espaços completamente desaproveitados.

Para que o empreiteiro pudesse guardar materiais e parquear as máquinas pesadas poderia celebrar um acordo de ocupação temporária com o Vitória Futebol Clube, ou com a entidade que detém a posse do lote 9 o que seria bom para todos. O espaço está vedado, o Vitória poderia receber alguma contrapartida e haveria espaço disponível no outro inacabado parque.

Refiro-me ao inacabado parque como sendo aquele um pouco mais a sul, onde existia o antigo colégio que foi demolido para naquele amplo espaço dar lugar a um estacionamento que até agora não foi disponibilizado ao público.

Pois bem, este deveria ser o primeiro trabalho a fazer e as viaturas que não pudessem parquear na Avenida poderiam fazê-lo aqui enquanto as obras decorriam. Mas não, é aí nesse amplo espaço que pelos vistos vão parquear máquinas e materiais.

Continuo sem perceber este tipo de mentalidade e muito menos este tipo de programação das obras que se fazem na via pública nesta nossa cidade em total desrespeito pelos direitos dos cidadãos.

Já agora, aproveito para pedir à Câmara Municipal de Setúbal, para de entre os muitos cartazes que manda fazer, ter a delicadeza de mandar executar mais um de forma a poder informar o tipo de intervenção que aqui vai fazer e de preferência que o mande colocar agora e não no final da obra.

Rui Canas Gaspar
2016-março-17

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quarta-feira, 16 de março de 2016

O bonito painel do INATEL necessita de manutenção

O Sol nasceu, o galo cantou e os trabalhadores setubalenses iniciaram a sua labuta diária, parece ser a mensagem que nos transmite Júlio Santos, o artista ceramista que concebeu o belo painel que podemos admirar e se encontra colocado no alçado poente do edifício do INATEL em Setúbal.

Nascida em 1935, em pleno Estado Novo, como Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT) viria a mudar a sua designação, depois da revolução de 25 de abril de 1974, para Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres (INATEL).

FNAT ou INATEL são siglas de referência para muitos milhares de portugueses e estrangeiros que têm recorrido aos seus serviços ao longo dos anos para usufruir de forma mais económica e com qualidade do termalismo, turismo e lazer dentro e fora de Portugal.

Um pouco por todo o país a FNAT construiu edifícios alguns dos quais constituem referências marcantes na zona onde estão inseridos, tal como acontece em Setúbal, onde entre 1952 e 1954 foi erigido o edifício onde ao longo de décadas viriam a funcionar os seus serviços.

O autor do projeto deste imóvel foi o arquiteto João Simões e a obra foi realizada graças ao apoio da Direção de Urbanização de Setúbal, tendo a primeira fase ficado a cargo da empresa Tradel enquanto os acabamentos ficaram à responsabilidade dos empreiteiros João Cândido da Silva e Henrique Garcia.

Para decorar o exterior do edifício recorreu-se ao ceramista Júlio Zeferino dos Santos nascido em 1906 e falecido em 1969, que concebeu um grande painel cerâmico o qual foi colocado em 1956, num ponto alto do emblemático edifício, na empena virada a poente.

E é esse painel que passadas algumas décadas ainda podemos observar e admirar, embora o mesmo ao longo dos anos tenha sofrido algum desgaste.

Uma intervenção ao nível da manutenção nesta obra de arte é desejável para se evitar males maiores numa peça de rara beleza e simbolismo, atendendo a que se observam aqui e ali algumas mazelas.

Rui Canas Gaspar
2016-março-16
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terça-feira, 15 de março de 2016

Será que Lula da Silva vai mesmo aceitar o convite de Dilma Russeff ?

“Tão ladrão é o que vai roubar a fruta como aquele que fica a vigiar o pomar para ver se vem o guarda” é um conhecido proverbio popular português.

Enquanto hoje conduzia o meu automóvel, num dos noticiários da tarde fiquei a saber, em notícia avançada pela BBC, que o antigo presidente do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, tinha a probabilidade de 90% de aceitar o convite da presidente, Dilma Rousseff, para se tornar ministro do seu governo.

Já antes, a comunicação social tinha avançado com a notícia sobre essa hipótese, que sempre achei desprovida de qualquer cabimento, porquanto tal nomeação se destinava a garantir ao antigo presidente mais proteção legal face aos crimes de corrupção de que é acusado.

Diz-se por terras lusitanas que “quem não deve não teme” e gostaria de pensar que Lula da Silva estaria a ser alvo de alguma eventual manobra política da oposição e, como tal, nunca iria aceitar semelhante oferta, atendendo a que a mesma mais que não seja apenas iria protelar uma situação cuja tendência natural é para piorar.

Mas não! Pelos vistos parece que assim não irá acontecer e, pelo facto do ex-presidente passar a estar legalmente a salvo da justiça, pelo menos temporariamente, isso não significa que as questões de que é alvo morram ali. É como os empréstimos, não pagas agora, pagas amanhã com juros e se te atrasas no pagamento terás de os liquidar acrescidos de juros de mora.

Não quero, não posso, nem devo julgar o antigo e a atual presidente do Brasil. Mas, para mim, simples cidadão de um país irmão, leigo nestas artes e artimanhas políticas, sou levado a pensar que os brasileiros estão metidos numa "camisa-de-onze-varas”.

Que os honestos cidadãos brasileiros saibam encontrar o melhor caminho para o seu país, tendo em atenção de que mal por mal, mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura e, de ditadores, quer Portugal quer o Brasil já têm experiência que chegue.

Rui Canas Gaspar
2016-março-15

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E que tal inserir a pintura exterior do Palácio Botelho Moniz no “Setúbal Mais Bonita”?

Quem passar agora pela Avenida General Daniel de Sousa e parar junto às antigas instalações da SETUBAUTO para melhor poder apreciar aquele que foi o Palácio Botelho Moniz, reparará que tem uma visão mais desafogada sobre aquela enorme e emblemática construção setubalense.

O facto de terem sido podadas algumas das árvores e arbustos no seu interior dão mais desafogo ao espaço permitindo admirar o imóvel construído no início do século passado pelo conceituado mestre Badalinho, às ordens da família Botelho Moniz.

Os Botelho Moniz ocuparam os mais importantes cargos em Setúbal, quer à frente do extinto Governo Civil, quer na Presidência da Câmara Municipal.

Quando era bispo de Setúbal D. Manuel Martins, este convidou as Irmãs de Calcutá para se instalarem nesta cidade. O palácio Botelho Moniz seria então vendido, a preço simbólico, à Paróquia da Anunciada que o viria a disponibilizar àquelas religiosas para ali poderem vir a desenvolver a sua meritória ação a favor dos mais desprotegidos setubalense.

O tempo não perdoa e, quando não se faz a necessária manutenção de qualquer imóvel as coisas tendem a piorar, levando por vezes à ruína de qualquer construção quando a mesma poderia ser perfeitamente evitada se houvesse intervenção atempada.

E manutenção é coisa que pouco tem havido neste emblemático património edificado, conforme se pode constatar ao dar uma simples volta pelo exterior do mesmo.

O corte de algumas árvores e a poda radical noutras permite também que os muros de contenção do outeiro fiquem menos sujeitos à natural pressão das raízes.

Não sei se o trabalho é para continuar ou não e, se será aproveitada a oportunidade para dar um aspeto mais decente àquele que já foi alvo de bilhete-postal como peça emblemática desta cidade.

Sei no entanto, que com um pouco mais de esforço poderia o seu proprietário, a Igreja Católica, mandar reparar o muro sob a “Gruta de Santo António” e aproveitar algumas das milhares de boas-vontades que irão surgir de novo com o programa de voluntariado “Setúbal Mais Bonita” para pintar este alçado o que modificaria para muito melhor o aspeto do imóvel.

Estou em crer que não só o seu proprietário ficaria muito satisfeito com o resultado final, como também os utentes do espaço, os setubalenses em geral e muito, mas muito provavelmente, os vários descendentes da família Botelho Moniz que ali nasceram, cresceram e olham com natural nostalgia e até algum desgosto para aquela emblemática casa.

Rui Canas Gaspar
2016-março-15

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Na cidade do rio azul nasceu o “Setúbal Voz”

Um lamentável e infeliz desentendimento entre alguns membros e a direção do Coral Luísa Todi levou à expulsão daquele grupo de um conjunto de oito dos seus coralistas.

A estes cantores que foram expulsos do CLT outros se lhes juntaram e criaram uma nova associação cultural designada por “Setúbal Voz” a qual é presidida por Rui Águas.

E é esta associação que formou um novo grupo coral setubalense batizado por “Setúbal Voz” com uma composição inicial de cerca de três dezenas de coralistas, dirigidos pela maestrina Gisela Sequeira.

Curiosamente o concerto de estreia da nova formação não aconteceu em Setúbal como seria expectável, mas sim em Palmela, no dia 12 de março de 2016, sábado, onde o grupo se apresentou no âmbito das comemorações do 29º aniversário do Coro da Sociedade Filarmónica Humanitária.

O novo conjunto cantou e encantou ao interpretar “Hereux”, de Jacques Brel; “Va Pensiero”, da ópera Nabuco de Giuseppe Verdi, “Três Fados”, com arranjo de Paulo Lourenço de entre outras bem interpretadas peças  musicais.

Em Abril o “Setúbal Voz” atuará pela primeira vez na cidade do rio azul. Entretanto prepara uma programação de concertos de elevado recorte técnico e artístico, de forma a poder levar o bom nome da cidade sadina a vários pontos do país e estrangeiro.

A imagem ilustrativa desta nota mostra-nos o Orfeão Cetóbriga, em 1938, aquele que foi o percursor do Coral Luísa Todi de onde agora saíram os cantores do novo “Setúbal Voz”.

Rui Canas Gaspar
2016-março-14

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Setúbal renova-se, transforma-se, embeleza-se

Embora não seja com a velocidade e a quantidade que todos certamente desejaríamos, no entanto, paulatinamente vamos assistindo à recuperação de alguma coisa do património imobiliário setubalense.

Mais um edifício, um dos de maior volumetria dos prédios antigos existentes na  Avenida Luísa Todi começou com obras de recuperação, quer a nível do interior quer no exterior, onde já são visíveis os andaimes montados no alçado principal.

Trata-se do edifício onde está localizado o arco da Ribeira Velha, com frente para a principal avenida da cidade e traseiras para o emblemático Largo Francisco Soveral, o popularmente conhecido Largo da Ribeira Velha.

Neste largo estão igualmente em curso importantes obras de recuperação do imóvel que faz esquina com a Rua Serpa Pinto e onde irá passar a funcionar um hostel e uma pastelaria.

Com ambas as obras em curso, dentro de poucos meses poderemos ver este simpático largo totalmente recuperado arquitetonicamente.

Já o património edificado na Avenida Luísa Todi, com as diversas obras que ali têm sido levadas a cabo encontra-se quase totalmente recuperado.

Tudo indicia que é crescente o interesse  pelo património da nossa baixa e cada vez mais se vê aqui e ali obras de recuperação dos antigos edifícios, quer sejam eles destinados a habitação, comércio ou serviços.

Com este tipo de ação o centro histórico tornar-se-á mais agradável e atrairá mais gente que ali vai gostar de residir ou instalar alguma loja e desta forma a dinamização do local naturalmente acontecerá.

Embora os ventos sócio/económicos não soprem de feição, mesmo assim verificamos que Setúbal renova-se, transforma-se, embeleza-se de dia para dia e só não vê isto quem não quiser ver.

Rui Canas Gaspar
2016-março-14

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quinta-feira, 10 de março de 2016

Setúbal transforma-se numa terra de arte, beleza e alegria

As tunas académicas são agrupamentos musicais que interpretam os mais diversos estilos de música popular, erudita e até composições originais. Tiveram origem na segunda metade do século XIX e daí até aos nossos dias não mais pararam de se formar essencialmente entre os estudantes do ensino superior.

A simpática e alegre Tuna Sadina é um grupo composto por alunas da Escola Superior de Educação de Setúbal, formado já lá vão alguns anos, concretamente em 24 de maio de 2000.

Este grupo tem um vasto reportório onde se destacam alguns temas populares setubalenses e outros do folclore nacional.

O grupo cresce e renova-se constantemente. Enquanto umas tunantes acabam os seus cursos e deixam o grupo, novas caloiras entram para o mesmo emprestando toda a sua graça, energia e talentos.

Deve-se à já emblemática Tuna Sadina a organização do tradicional Festival Acordes que nesta sexta-feira e sábado (dias 11 e 12 de Março de 2016) aquando da efetivação da 15ª edição deste certame irá juntar as mais diversas tunas, oriundas de várias partes do país.

Os setubalenses estão convidados para assistir, gratuitamente, à abertura do festival, no Largo da Ribeira Velha, pelas 21,00 horas onde lhes será oferecida uma Noite de Serenatas, pelas tunas a concurso, e os convidados amigos T.A.S.C.A e EStuna.

No sábado o festival que integrará para além das sadinas, tunas oriundas de Barcelos, Viana do Castelo, Lisboa e Covilhã terá lugar no Fórum Municipal Luísa Todi pelas 21,30 e os bilhetes estão à venda nas bilheteiras do fórum e on-line em www.bol.pt

Alegria e muita animação é o que se espera numa cidade que se renova constantemente com novas obras de arte, mais beleza e muita alegria.

Rui Canas Gaspar
2016-março-10

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domingo, 6 de março de 2016

Os belos e sólidos galeões do sal setubalenses

Das dezenas de antigos Galeões do Sal que sulcaram as águas do Sado, até à década de setenta do século passado, quinze destes belos e sólidos barcos ainda se encontram operacionais e, ao que tudo indica, em boas mãos, agora não transportando o “ouro branco” oriundo de calmas e azuis águas sadinas, mas dedicando-se geralmente às viagens de lazer.

Estas antigas embarcações à vela navegam em distintos pontos da Europa, nomeadamente em França e Inglaterra. Porém também os podemos observar na Madeira e no Algarve e naturalmente no seu antigo local de trabalho, ou seja, em Alcácer do Sal e em Setúbal.

No rio que banha a cidade sadina vamos encontrar o “Pego do Altar” e o “Riquitum”, propriedade de João Barbas de Oliveira, da Troia Cruise, uma das poucas empresas locais que opera como marítimo turística e que foi constituída em 1989.

O “Zé Mário” é propriedade da Reserva Natural do Estuário do Sado.

Este antigo barco de carga, construído com trinta toneladas de madeira, têm um comprimento de 16,90 m; boca 4,75 m; pontal 1,14m e foi concebido para o transporte de 35,00 moios, ou seja 29.750 kgs do outrora famoso e muito procurado sal setubalense.

O “Zé Mário”, setubalense de gema, foi mandado construir em 1944 por Possidónio Tavares no estaleiro de Chaves & Chaves, Lda. tendo-lhe sido inicialmente colocado o nome de “Angelina de Jesus” e foi registado no ano seguinte.

Quando em 1963 foi vendido a José Manuel da Cruz é que passou a ostentar a designação com que ainda hoje o conhecemos, embora desde então tenha tido mais um proprietário, antes de em 1982 ser adquirido pela Reserva Natural do Estuário do Sado, entidade que mandou proceder a um profundo trabalho de recuperação nos estaleiros da firma Jaime Ferreira da Costa & Irmão, Lda. sedeada em Sarilhos Pequenos. Já as velas e restante aparelho ficou entregue à dupla Brás e José Silva, dos últimos especialistas em velas para embarcações tradicionais.

Mas, são os barcos da Troia Cruise, construídos em 1943, aqueles que mais frequentemente vemos a navegar na nossa “Baía dos Golfinhos” onde nas diferentes rotas que opera geralmente têm a companhia destes simpáticos animais que não raras vezes vêm desafiar o “Riquitum” e o “Pego do Altar” para uma prova de velocidade pelas águas do rio azul.

É bom saber que embora a colónia de roazes residentes no Rio Sado não seja tão abundante como o foi outrora, ela represente um importante tesouro faunístico, porquanto é uma das poucas existentes em todo o mundo, daí a natural curiosidade mas também a necessidade de se proceder com o devido cuidado para a preservar como o fazem normalmente as empresas que operam no setor.

Agora que nos estamos a despedir do Inverno e que dias mais agradáveis aí virão não perca a oportunidade para fazer um passeio numa das mais belas baías do mundo e aproveitar para observar os simpáticos animais marinhos que Setúbal já adotou como seu símbolo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-junho

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sábado, 5 de março de 2016

Bem-vindos a bordo do Barco EVORA




Batizaram-me em 18 de julho de 1931 com o nome de “EVORA” e sou alemão de nascimento, porém é ao povo português que entreguei o meu coração desde que naquele dia de verão entrei nas águas do Báltico. Com ele tenho convivido ao longo das dezenas de anos, iniciando-se a nossa íntima relação logo após ter sido dado à luz no distante fiord de Kiel, na Alemanha. 
Já em pleno Inverno, encetei a viagem de uma semana pelo Oceano Atlântico, nem sempre calmo, diga-se de passagem, navegando desde o local do meu nascimento até Portugal. Por aqui tendo ficado e trabalhado arduamente, ou não fosse eu um forte barco construído com chapas recicladas de carros de combate utilizados na Primeira Grande Guerra. 
Tive a grata missão de transportar as mais diversas pessoas: umas de origem humilde, outras figuras importantes, de uma para a outra margem do Rio Tejo, orgulhando-me de ser o barco que mais gente passei de uma para a outra banda.
Todos gostavam de mim e eu próprio também tinha muito orgulho na minha pessoa, não por ser narcisista, mas porque quando jovem, era de facto bonito, o mais rápido no Tejo, muito asseado, o único que aqui usava motor diesel. 

Em 2016 farei 85 anos e tenho dividido estes anos de vida navegando no Tejo entre luminosa Lisboa e o proletário Barreiro e a bela azul “baía dos golfinhos” em Setúbal.

Os meus donos têm-se esforçado para que eu me mantenha com o vigor dos meus verdes anos, mas mais do que isso que me mantenha bonito e, garanto-vos, que nunca estive tão bem como estou agora.

Hoje sábado, dia 5 de março de 201, iniciei as comemorações do meu vetusto aniversário e saí para o largo levando a bordo meia centena de trabalhadores da PALMETAL que decidiram esconder-se a bordo e surpreender um antigo administrador desta empresa que se aposentou, oferecendo-lhe o passeio e um belo almoço a bordo e numa das mais belas baías do mundo, a de Setúbal.

Dá para imaginar como se sentiu aquele antigo gestor, com esta tão inusitada surpresa? Claro que não dá, só vendo!...

Como disse agora estou mais belo e charmoso do que nunca e para além do agradável convés, disponho não de um mas de dois belos e amplos salões onde recebo muito bem os meus convidados.

Para aqueles que me chamam de “Velho Senhor do Tejo” ou de “Cisne Branco do Sado” apenas desejo que sejam bem-vindos a bordo do Barco EVORA.

Rui Canas Gaspar
2016-março-05

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Venha conhecer o Ateneu Setubalense e praticar xadrez

O Ateneu, símbolo da antiga cultura grega e ocidental era um templo construído em Atenas, um espaço dedicado não só ao culto da deusa que dava o nome à cidade, mas sobretudo um local de reunião de oradores e filósofos daquela época.

Na mitologia grega Atena era a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e das habilidades.

Em Setúbal, o Ateneu Setubalense foi fundado em 19 de maio de 1914, dois meses antes de ter início a deflagração do primeiro conflito mundial, uma guerra em que Portugal participou ao lado das forças aliadas e onde perderiam a vida quase dez mil militares lusos.

Inicialmente o clube era designado como Antigo Grémio Literário e Artístico Setubalense tendo os seus Estatutos oficiais sido aprovados em 24 de outubro de 1924, propondo-se proporcionar aos seus associados e famílias os divertimentos e meios instrutivos capazes de dignificar a instituição e os seus sócios bem como promover o seu “aperfeiçoamento moral difundindo a instrução e o ensino de conhecimentos úteis, abstraindo os assuntos de caráter político ou religioso”.

Até há cerca de cinquenta anos o Ateneu era um seleto clube fechado e restrito. No caminho de um século de História chegamos a 2014, ano em que comemorou o seu centésimo aniversário e se tornou no mais recente membro do grupo das agremiações centenárias sadinas, agora como um clube aberto a todos, porém com muito poucos aderentes.

As instalações estão sedeadas na Rua Major Afonso Pala, nº 54, uma rua estreita no coração da zona histórica da cidade onde é necessário subir umas íngremes escadas para chegar ao primeiro andar onde se localiza a sede do clube.

A coletividade encontra-se aparentemente esquecida pelos setubalenses que até há algumas décadas enchiam as suas instalações para se deliciarem com recitais de piano, participar em bailes, assistir a peças de teatro, divertir-se em torno de uma mesa de jogos ou simplesmente conviver com os amigos.

Nos primeiros anos do segundo milénio, o clube destacou-se também no xadrez, quando um dinâmico grupo de jovens desenvolveu a modalidade com algum sucesso.

É pois para aqui, para o centenário Ateneu Setubalense que este grupo de jovens e até menos jovens adeptos deste jogo de mesa convidam os setubalenses para virem praticar esta milenar modalidade desportiva, uma das mais populares em todo o mundo.

Rui Canas Gaspar
2016-março-04

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Obrigado Vitor Caldeirinha

Não me lembro de ter assistido alguma vez em Setúbal a um relacionamento tão bom entre a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e a Câmara Municipal de Setúbal (CMS) com os benéficos resultados práticos de todos nós conhecidos.

Honra seja feita a Maria das Dores Meira, eleita pela CDU, e a Vitor Caldeirinha, afeto ao PSD, que souberam construir pontes de entendimento ao invés de erigirem muros de separação.

O facto destes dois governantes serem afetos a duas formações partidárias distintas não inviabilizou que se tivessem empenhado numa profunda relação de cooperação até então desconhecidas dos setubalenses e que só veio a beneficiar a cidade do rio azul.

Mas, quando tudo parecia estar a ir de vento em popa no dinâmico Porto de Setúbal e, quando a cidade estava a sentir os efeitos benéficos de tão boa salutar parceria, eis que surge a notícia de que iria passar a vigorar uma administração conjunta para os portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra.

Sendo assim, o setubalense Vitor Caldeirinha, aqui nascido e criado para as bandas da Praça do Brasil, embora não vá partir para aquele país irmão, vai ter pelo menos deixar de exercer as suas importantes funções à frente da APSS.

Se se trata de uma medida tendente a diminuir custos operacionais é o que ainda vamos ver. Uma coisa é quase certa, se não houver aqui, em Setúbal, gente verdadeiramente empenhada em desenvolver esta terra, retrocederemos uns bons anos até ao tempo de que o porto estava de costas voltadas para a cidade.

Pessoalmente, enquanto setubalense lamento ver sair Vitor Caldeirinha da liderança do porto setubalense cujo meritório trabalho, estou convencido, é por demais reconhecido pela generalidade dos seus conterrâneos e a quem eu agradeço enquanto natural desta terra que também aqui viu nascer os meus pais.

Por outro lado, e independentemente de qualquer bairrismo ou conhecimento de ordem técnica, não me parece que Setúbal vá beneficiar com esta fusão. Vamos sim mais uma vez ser ofuscados pela sombra centralizadora da capital que assim vai anulando paulatinamente todo e qualquer protagonismo local.

Embora a obrigação de qualquer profissional seja desenvolver diligentemente as tarefas para o qual está contratado, não ficaria bem comigo mesmo se não agradecesse o empenho de Vitor Caldeirinha na presidência do Conselho de Administração da APSS. E, o mínimo que posso desejar é que bons ventos soprem para as suas próximas funções, que espero  venham a passar por Setúbal.

Rui Canas Gaspar
2016-março-04

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quarta-feira, 2 de março de 2016

Prefiro estar de olhos vendados!

Prefiro assim! Não quero ver a placa toponímica que está na minha frente. Ela ostenta o nome de Paulino de Oliveira, o tal escritor e poeta, senhor muito conceituado e dito defensor do povo, que não se coibiu de pegar num chicote contra as mulheres operárias conserveiras como eu.

Sua esposa, Ana de Castro Osório, também era uma defensora dos direitos das mulheres, mas, de umas mais do que outras e se essas mulheres fossem operárias como eu os direitos não seriam os mesmos daquelas senhoras letradas e da classe alta.

É bom não esquecer que esse tal Paulino de Oliveira e sua mulher “defensores” dos trabalhadores trataram de organizar um grupo de fura-greves para nos fazer frente quando aquilo que pedíamos aos patrões era um aumento de salário insignificante.

A força bruta estava ao lado do patronato e logo trataram de enviar a recém-formada Guarda Nacional Republicana e mais um navio de guerra que fundeou no Sado para nos reprimir de forma anormal e por demais violenta.

Tentei lutar com a força da minha razão, tal como as minhas companheiras conserveiras, mas a brutalidade sobrepôs-se à nossa razão e aprisionaram muitas das nossas companheiras e companheiros, feriram outros e a um jovem operário e a mim mesma mataram-nos.

A greve terminou e em vez de aumento diminuíram-nos o pouco que recebíamos e fizeram-nos trabalhar mais tempo ainda. Tempos de miséria!

Tudo aconteceu nesta laboriosa cidade de Setúbal em 1911, apenas um ano depois da queda da Monarquia e da implantação do regime republicano.

Passados todos estes anos, a bela cidade do rio azul, decide honrar as conserveiras e a sua luta por melhores condições de vida. Para perpetuar a memória fizeram esta estátua e colocaram-na numa das mais características zonas de Setúbal, a popularmente conhecida Fonte Nova.

Mariana Torres é o meu nome e aqui represento todas essas valentes e esforçadas mulheres conserveiras. Mas, por favor, embora já lhe tivesse perdoado bem como  a sua esposa, não me tirem a venda dos olhos porque sinceramente desgosta-me ter de ver o nome de Paulino de Oliveira colocado na placa toponímica mesmo na minha frente.

Rui Canas Gaspar
2016-março-fevereiro

www.troineiro.blogspot.com
O nosso típico Bairro das Fontainhas 

Se existem zonas típicas em Setúbal, podemos sem dúvida dize-lo que elas se encontram em Tróino a poente  e nas Fontainhas a nascente, é aqui que vamos encontrar os mais genuínos habitantes desta terra, virada para o Sado, a quem muito deve a urbe.

O Bairro das Fontainhas remonta ao século XVI, conhecendo o seu desenvolvimento nos dois séculos seguintes. Foi neste espaço de encosta que se edificaram as antigas habitações, nas quais podemos em alguns casos reconhecer pequenos pormenores que remontam aos primeiros séculos da sua ocupação.

As ruas do bairro são geralmente estreitas e sinuosas, podendo-se aqui também observar escadarias de acesso aos pontos mais altos. O chão é pavimentado, embora grande parte dessas calçadas estejam presentemente cobertas por asfalto.

Curiosamente, alguma da pedra utilizada, quer no pavimento quer até em algumas construções veio de muito longe, servindo de lastro aos barcos que demandavam o porto de Setúbal aqui chegados para carregar o seu “ouro branco”, o sal que foi fonte de riqueza e progresso durante séculos.

O bairro ainda mantém algum colorido e tipicismo com muitas entradas de residências decoradas com múltiplos vasos de vistosas e bem cuidadas plantas, podendo-se também observar as roupas bem lavadas dos seus moradores penduradas junto à porta de casa a secar ao sol.

O comércio era diversificado como não podia deixar de ser numa zona com tantos barcos e com apeadeiro de comboio. As tabernas, local de encontro e convívio entre os homens do mar, também por ali proliferavam. Alguns desses espaços ainda hoje funcionam, porém com outro tipo de atividade.

Um dos pontos de maior atração até meados do século passado foi o “poço das fontainhas”, erigido em 1861,local onde parte dos habitantes se abasteciam de água, quer para as suas casas quer para os barcos de pesca que acostavam frente ao mesmo, inicialmente na praia e posteriormente na doca.

Era neste local que podíamos encontrar sempre algum pescador a remendar redes e onde muitos beijos foram rapidamente trocados entre jovens enquanto se enchia uma bilha de barro com a preciosa água que hoje já ali não corre. Tal como também não correm as mulheres para as muitas fábricas de conserva de peixe, a nascente do bairro, que com as suas potentes sirenes as chamavam ao trabalho, quando a nossa costa era farta de boa e deliciosa sardinha.

Rui Canas Gaspar
2016-março-03

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