O Mini Preço foi hoje
roubado

Ao
passar a caixa o apito soou, sinal de que algo não estava bem. A funcionária da
caixa delicada mas decididamente convidou a individuo a ver o que tinha na mala
a tiracolo e que se teria “esquecido” de passar na caixa. Depois de alguma insistência
o homem decidiu abrir a mala e retirar uma volumosa embalagem de bacalhau que
não tinha pago, colocando-a junto à empregada e dispondo-se a sair.
O
sinal voltou a soar e a empregada de novo insiste para que abrisse a mala.
Entretanto aciona uma campainha para chamar uma outra colega.
As
duas mulheres insistem com o homem e chamam-lhe a atenção para não levantar
problemas, mas ele não se dispõe a abrir a mala. Uma das empregadas toca na
mesma e solicita que ele abra a mala e deixe ali a ou as garrafas.
A
situação começa a complicar-se e o homem tenta sair do estabelecimento. Uma das
empregadas corre a fechar a porta. O homem ameaça dizendo que lhe espetava uma
faca.
Depois
da empregada se ter colocado à frente, o homem consegue empurra-la e sai do
estabelecimento, deixando as empregadas bem nervosas e enfurecidas com a meia dúzia
de pessoas que esperavam pacientemente na fila que a situação se resolvesse.
Em
sua opinião os clientes deveriam ter telefonado para o 112 para chamar a
polícia, atendendo a que as empregadas não tinham ali telemóveis.
Assisti
a esta triste cena e pensei o que é que está mal aqui, num estabelecimento pertencente a uma importante
cadeia comercial, onde as empregadas são em diminuto número, onde não usam telemóvel
nem ligação a uma central de alarmes e não têm um segurança ou PSP que as
proteja e mesmo assim se disponham a enfrentar de forma tão corajosa um vulgar
ladrão.
Será
que elas auferem o suficiente para fazer o papel de caixas e de seguranças?
Será que devem ser os clientes do estabelecimento a sujeitar-se a represálias
ao chamar a polícia?
E
qual é o papel da empresa proprietária numa situação como esta?
Não
me digam que ainda vão cobrar às funcionárias o roubo impunemente cometido por
aquele reles ladrão?
Rui
Canas Gaspar
2016-agosto-27
www.troineiro.blogspot.com