notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A cidade de Setúbal está a transformar a geografia local

Alguns setubalenses até podem ainda não ter reparado, mas a geografia da cidade tem-se alterado profundamente e continua imparável neste processo que tudo transforma quase sem darmos por isso.

Há cerca de 500 anos a Ribeira do Livramento corria livremente pelo espaço ocupado atualmente pela Av. 22 de Dezembro, passando ao lado do Mosteiro de Jesus, que naturalmente foi construído num plano mais elevado que o leito da ribeira.

Presentemente, vamos encontrar a soleira do pórtico principal daquele que é o mais importante monumento setubalense, a uma cota de sensivelmente menos dois metros do piso da Avenida. Ou seja, aquele espaço subiu em média, grosso modo, na ordem dos 4 centímetros por ano.

Ainda nos anos 70 podíamos observar a estrutura de um velho moinho no alto de uma pequena colina no lado oposto onde atualmente se localiza a loja do cidadão. Com a construção dos edifícios as areias da pequena colina foram retiradas e edifícios foram ali edificados.

Mas, provavelmente a maior movimentação de terras alguma vez levada a efeito desde que nos anos 30 do século passado foram construídas as grandes muralhas e docas à beira Sado, estão agora a ser realizadas.

Milhares e milhares de metros cúbicos de terras têm vindo a ser retiradas dos pequenos outeiros até há pouco existentes entre a cadeia e o Centro Comercial Alegro, transformando aquele espaço, ao mesmo tempo que os inertes vão sendo colocados ao longo da futura avenida que está a ser construída na várzea de Setúbal, em paralelo com a Avenida dos Ciprestes.

Esse enorme aterro transformará igualmente a paisagem daquela zona, outrora ocupada por produtivas quintas agrícolas e no qual está projetado construir o maior parque verde da cidade.

Com estas movimentações de terras a paisagem vai-se transformando e a geografia local altera-se profundamente ainda que com os afazeres e as correrias do nosso dia-a-dia quase nem demos por isso.

Razão tinha o químico francês Antoine Lavoisier quando um dia afirmou: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e Setúbal é prova disso mesmo.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-15

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ARRÁBIDA

Haja paciência, porque parece que estamos entregues à bicharada!…

Há cerca de dois mil anos os romanos verificaram que o Portinho da Arrábida era um excelente local para instalar uma unidade de conservação da bela sardinha e cavala pescada aqui na nossa Costa da Galé.

Estes nossos antepassados colocaram mãos ao trabalho e, construíram na zona do Creiro, uma destas unidades conserveiras, cujos produtos exportavam para diferentes pontos do seu vasto império.

Naturalmente para as instalações fabris teria forçosamente de haver água doce, um bem escasso pelas bandas da Arrábida, no entanto, naqueles tempos longínquos deveria haver por aquela zona alguma nascente, provavelmente a que ainda hoje referenciamos como a “fonte da paciência”.

A designação dever-se-á certamente a ser tão diminuto o seu caudal que será necessária muita paciência para que se consiga obter alguma água para nos saciarmos.

Em tempos menos longínquos, por volta do século XVIII  o local era utilizado para pastagem de gado bovino conforme atestado por documentos da época.

Em 2002 o Parque Natural da Arrábida investiu verbas significativas no local desta fonte, construindo um muro e colocando ali três painéis elucidativos feitos em azulejo. Igualmente dotou o espaço com cercadura e bancos rústicos feitos de troncos tratados, tornando-o bem agradável.

Não sei se desde essa data até hoje houve algum tipo de manutenção, o facto é que o local se encontra atualmente com aspeto de abandonado e o mato e silvas vão tomando conta daquele agradável espaço.

Não percebo que tipo de proteção e manutenção o P.N.A. preconiza para estes espaços, sei que não autoriza as viaturas acederem à parte de baixo dos parques de estacionamento do Creiro e depois não faz a necessária manutenção e acompanhamento destes espaços.

O nosso povo utiliza um termo que não poderia ser mais adequado para este tipo de situações, aquele que reza assim: “estamos entregues à bicharada” . 

Nada mais verdadeiro! É que ao fazer uma incursão por aquele local da nossa serra-mãe se não vi javalis selvagens, vi pelo menos bastantes pegadas e “terra lavrada” por aqueles animais na sua busca por alimento.

De facto, haja paciência, porque parece que estamos mesmo entregues à bicharada!...

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-13

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Recordando um desfile carnavalesco em Setúbal

O ano de 1967 mal tinha começado quando os Caminheiros do Clan 1 de Setúbal do C.N.E. respondendo a uma solicitação da Comissão de Festas da Cidade encetaram um projeto com vista à sua participação no corso carnavalesco que deveria desfilar nesse ano.
Chegamos à conclusão que poderíamos organizar uma formação romana que transportaria o imperador Nero num palanque carregado por dois possantes escravos e um prisioneiro viking devidamente acorrentado.
Quase não havia dinheiro nenhum para levar de vencida tal projeto, mas muita imaginação e boa vontade. Por isso mesmo recorremos aos materiais mais baratos e cada um comprou uma folha de cartão e fita de nastro para fazer a sua própria armadura.
Com papel de jornal e cola de sapateiro, tendo por molde uma bola de futebol, fizemos os capacetes romanos que teriam o seu acabamento com uma pintura metalizada utilizando-se a tinta que fomos pedir, como oferta, a uma empresa local.
Os escravos tal como o prisioneiro viking vestiam-se com peles. Naquele tempo alguns comerciantes de carne do Mercado do Livramento matavam e esfolavam os coelhos e colocavam as peles a secar, em longas fiadas, num espaço ao ar livre na Rua Ocidental do Mercado. Certa noite, fomos lá “pedir emprestadas” umas peles para cobrir a nudez dos pobres escravos…
Para fazer as vistosas capas vermelhas utilizamos o tecido mais barato que encontramos no comércio local, o tafetá. Enquanto as sandálias foram confecionadas com cartão prensado, o conhecido platex e, seguradas aos tornozelos com fita de nastro.
Quanto ao Nero, uma colcha servia-lhe de manto e uma coroa de louros embelezava-lhe a cabeça enquanto uma harpa alegrava-lhe o dia. O palanque ia assente numa padiola transportada por dois possantes escravos. Tão fortes que não se cansaram com aquelas dezenas de quilos, é que a saia que cobria a padiola não deixava ver as duas rodas de bicicleta em que ela se apoiava…
O nosso grande receio era a chuva. Se ela caísse, mesmo com pouca intensidade chegaríamos em cuecas à nossa sede na Ordem Terceira de S. Francisco, dado que todo o equipamento se iria desfazer.
No último dia de carnaval o corso foi desfilar no Estádio do Bonfim e entreolhámo-nos apreensivos quando aquela nuvem escura, vinda de oeste, começou a despejar água sobre o recinto, precisamente na altura em que desfilavamos junto à lateral nascente, apenas levando com uns borrifos porque os deuses romanos tinham-nos protegido e a água caíra precisamente sobre a parte do cortejo que desfilava junto às bancadas poente.
As cerca de três dezenas de jovens escuteiros setubalenses não poderiam ter ficado mais contentes. Se o primeiro prémio foi para as simpáticas meninas da Escola Industrial e Comercial de Setúbal que desfilaram como majoretes o segundo coube-nos a nós com esta vistosa e bem conseguida formação romana.
Tal foi o sucesso desta iniciativa que as imagens fotográficas captadas, durante muitos anos ainda serviram para publicitar o Carnaval de Setúbal, cuja tradição praticamente se viria a perder no tempo, restando agora uns insípidos desfiles de crianças do ensino pré-escolar.
Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-13
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Gaivota sem voar é como jardim sem flores

O funcionário do Bowling de Setúbal mostrava-se visivelmente aborrecido e o caso não era para menos.

Antes do estabelecimento abrir ao público e poucos minutos depois de ter limpo a entrada daquele espaço de lazer localizado junto à doca dos pescadores, em Setúbal, uma das muitas gaivotas que por ali costumam esvoaçar achegou-se mesmo à entrada envidraçada e foi mesmo ali que defecou.

Depois de bater as palmas para que a ave se assustasse e voasse para bem longe, o animal olhou para o homem, virou-lhe o rabinho e deu uns passos, como que a desafia-lo, tornando-se irritante.

O funcionário deu uma pequena corrida  para afugentar a ave e esta por sua vez correndo um pouco, porém sem voar lograva fugir do seu perseguidor.

E foi quando abriu as asas como que querendo voar que reparei que o pobre animal não o poderia fazer e por isso mesmo não conseguiria elevar-se até ao topo dos candeeiros de iluminação onde as gaivotas gostam de pousar, muito menos podia esvoaçar graciosamente à volta dos barcos de pesca com o seu estridente piar.

Aquele pobre animal tinha apenas uma asa. Da outra, apenas era visível uma pequena parte como que se estivesse a crescer uma nova, por isso ele teria de defecar pelos cantos e alimentar-se do que fosse encontrando junto aos recipientes de recolha de lixo por ali existentes.

Nunca tinha observado uma cena tão triste ali pelas bandas da doca, onde me costumo deliciar com aquelas elegantes aves esvoaçando e alegrando-me com o seu alegre e estridente pio.

Fiquei a pensar no que teria sucedido àquela gaivota, se fora alvo de ataque de algum predador, de malvadez humana, ou fosse lá o que fosse que a teria deixado naquele estado. É que gaivota sem voar é como jardim sem flores e isso certamente não alegrará ninguém.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-12

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A história do choco frito à moda de Setúbal

Desde o Largo da Palmeira e até à Fonte Nova, quase se poderia dizer que porta sim, porta sim, iriamos encontrar no piso térreo dos pequenos prédios de 1º ou 2º andar a indispensável taberna.
No início da segunda metade do século XX era ali que os pescadores de Troino se reuniam não só para acertarem as contas das suas pescarias, como também para conviverem jogando às cartas ou ao dominó, enquanto regavam a garganta com uns copos de vinho tinto, nos poucos momentos de ócio de que dispunham.
Manuel Coutinho residia na parte de cima de Troino, nos Olhos d´Água, na periferia poente da cidade, onde as precárias habitações eram construídas, muitas delas com o recurso a chapas metálicas recicladas de antigos bidons e a velhas tábuas de madeira conseguidas na Praia da Saúde, onde muita gente também laborava no estaleiro de construção naval.
Ele era um simples pescador que andava embarcado num dos vapores registado na capitania do Porto de Setúbal e estando farto da dura vida do mar um dia, depois de juntar alguns escudos, decidiu mudar de rumo e optar pela vida de taberneiro.
Conseguiu um espaço no Largo da Palmeira onde instalou a sua própria taberna e logo se destacou entre os seus colegas porquanto para melhor escoar o bom tinto das pipas vindas dos lados de Palmela resolveu servir também um petisco até então praticamente ignorado em Setúbal.
Manuel Coutinho logo cedo, pela manhã, dirigia-se até à beira-rio e junto à estacada do carvão comprava aos pescadores dos botes chocos bem grandes e logo ali, nas escadinhas de acesso ao rio, tratava de os cortar em tiras e lavar.
Já na taberna as tiras de choco eram de novo bem lavadas com água doce, salpicadas com umas pitadas de sal e esfregadas com alho e malagueta seguindo depois para a frigideira onde eram bem fritas, tendo o cuidado de tapar o recipiente para que não fosse salpicar e queimar as mãos do cozinheiro.
O pitéu despertou de tal modo a atenção dos clientes que rapidamente a taberna do Manuel Coutinho ficaria famosa entre as gentes do mar graças àquele novo petisco com que os homens do mar acompanhavam o vinho.
Com a fama veio a clientela e com ela o lucro devido à inovação introduzida por este antigo pescador dos Olhos d´Água, que quando faleceu deixou mais do que um considerável pecúlio, legando-nos sobretudo um manjar que se tornaria num emblemático prato da gastronomia tradicional, o choco frito à moda de Setúbal.
Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-11
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Os papagaios de Troino

As canas eram cortadas em finas tiras, depois duas delas eram atadas formando uma cruz, colocava-se um fio à volta e forrava-se com papel de jornal, colado com sabão negro.

Alguns moços que tinham conseguido arranjar alguns tostões compravam uma folha de papel colorido na papelaria da Fonte Nova, fazendo um papagaio mais bonito, por vezes até com uma cauda de lindos laços de papel.

O fio de pesca era atado no meio e com o vento que se fazia sentir no alto do outeiro os papagaios e as goinhas esvoaçavam e os rapazes de Troino desafiavam-se uns aos outros para ver qual dos seus engenhos chegaria mais alto.

De vez em quando, quando menos se esperava, lá vinha um a pique e o trabalho de muitas horas lá ia para os anjinhos…

Era com esta e outras inofensivas brincadeiras que nesta altura do ano os moços setubalenses, dando azo ao seu engenho e arte se divertiam, no alto daquele outeiro por cima da “fonte da charroca” cujo nicho ainda podemos ver na foto, envergonhado e escondido por detrás dos contentores do lixo.

Era também do alto deste outeiro que a rapaziada, com os seus olhos de lince conseguia divisar e distinguir os barcos de pesca, que lá longe, para as bandas do Outão, vinham a caminho da lota. Se eles traziam escolta de gaivotas logo corriam a avisar as mães que os pais vinham aí e traziam peixe.

Era assim à pouco mais de meio século, quando as laboriosas gentes do bairro de Troino viviam na sua quase totalidade na dependência da pesca, especialmente da sardinha, que nesta altura do ano não se podia pescar por se estar em altura do defeso, uma medida ecológica que os pescadores e suas famílias tanto temiam.

Havia fome naquelas casas, mas alegria nas ruas, não entre os preocupados adultos, mas entre as ingénuas crianças que mesmo sem dinheiro conseguiam inventar e fabricar os seus próprios brinquedos.

Eram assim aqueles tempos que recordamos com saudade, mas que não queremos vê-los de volta.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-09

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Conhecem a “Rua dos Mestres” ?

Embora o local ficasse na zona do meu nascimento, o facto é que desde há muito tempo por ali não passava a pé e como tal não o apreciava com algum pormenor. Por isso mesmo, dei comigo a ficar surpreendido quando ao parar para olhar para a placa toponímica com a indicação de Rua dos Carmelitas, verifiquei que se tratavam de umas escadas que venceriam um pequeno outeiro.

O curioso é que esta estranha rua, ali bem perto da Igreja da Anunciada, com uma largura na ordem dos 5 metros está interrompida a meio por uma alta grade metálica, porquanto ela não teria seguimento e como tal, já lá vão algumas dezenas de anos, os moradores solicitaram o seu encerramento à autarquia, transformando assim um espaço público numa espécie de condomínio fechado, só ali entrando os moradores locais.

Não é caso único em Setúbal, conheço pelo menos mais três situações idênticas, na zona da baixa, porém em espaços de menores dimensões.

Mas o mais curioso é que ao falar neste assunto com o meu pai fiquei a conhecer outro interessante pormenor. É que aquela rua, quando ainda por lá não existia o tal gradeamento, era conhecida entre as gentes de Troino como a “Rua dos Mestres” por ali residirem vários destes profissionais.

Nessa altura aqueles habitantes conheciam as ruas da baixa pelas suas antigas denominações, tais como: Rua dos Ourives, dos Almocreves, dos Sapateiros, dos Caldeireiros, etc. etc. mas em nenhuma artéria da cidade se fazia então referência aos profissionais responsáveis pelas embarcações da pesca costeira, os tais mestres.

Os mestres de pesca eram pessoas importantes entre as gentes de Troino, eram os que mais ganhavam e daí o seu estatuto privilegiado.

Nas embarcações o aviso de partida era, por exemplo, dado para as 21,00 horas, os camaradas chegavam com antecedência e o mestre era o último a chegar e a dar as ordens de largar amarras para o barco sair para a pesca.

Se o vento mudava e se verificava que poderia vir tempestade, um dos camaradas logo corria a avisar o mestre que em sua casa ditava as ordens, de saída ou não, do seu barco para a faina.

E foi em torno destas memórias de vivências com mais de meio século que a conversa desta tarde se desenrolou entre mim o meu pai e meu irmão, três troineiros que partilharam boas memórias destas curiosas coisas de Setúbal e onde tive oportunidade de aprender que afinal aqui na nossa terra teria havido uma tal “Rua dos Mestres”.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-06

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Na Arrábida

Tenham cuidado com os javalis e não descurem as miras lazer

Já lá vão uns três anos quando andando a colher elementos e a fazer entrevistas pela serra com vista à escrita do livro Arrábida Desconhecida, parei  em Casais da Serra para almoçar.  Ali, veio então à conversa o assunto dos javalis.

Soube então que aqueles animais se estavam a multiplicar de forma quase incontrolável por toda a cordilheira da Arrábida e que naquele mesmo local um deles teria sido colhido por uma ambulância que por ali circulava à noite.
Também foram ali contadas aventuras de caçadores furtivos, algumas delas que não achei grande piada porquanto envolviam armas de fogo, com mira lazer, utilizadas em caçadas noturnas.

Segundo foi então relatado um desses caçadores teria sido surpreendido e advertido duramente por um experiente chefe escoteiro para o grave ilícito que estava a cometer, quando em determinada noite este viu a luzinha vermelha da mira telescópica  brilhar na mochila de um elemento do seu grupo.

O tempo que o Parque Natural da Arrábida  deixou passar entre o conhecimento da existência destes animais selvagens e o seu controle originou numa autêntica praga, ao ponto de já terem sido avistados às dezenas na zona do Portinho e um pouco por todo o lado, desde as pedreiras de Sesimbra até à própria cidade de Setúbal, onde já se passearam pela Avenida Luísa Todi e pela Doca dos Pescadores.

Na passada segunda-feira dia 2 deste mês de fevereiro de 2015 finalmente algo de concreto aconteceu e as autoridades organizaram uma batida aos animais. Juntaram 4 matilhas de cães e 17 caçadores, cortaram o trânsito entre as 8 e as 13 horas na Estrada Nacional 379-1 e trataram de dar caça aos animais. Só que… javalis nem vê-los!

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, a Associação Nacional de Produtores e Proprietários de Caça, o Núcleo de Proteção Ambiental do Comando Territorial de Setúbal da G.N.R., a Junta de Freguesia de Azeitão e o Clube da Arrábida, entidades organizadoras, vão agora reunir-se para debater nova estratégia que eventualmente passará pela colocação de armadilhas.

De facto a quantidade de animais deverá ser tão grande e a velocidade a que se reproduzem é tal que ainda que estes caçadores e suas matilhas de cães os não tivessem descoberto são bem visíveis por toda a serra os terrenos “lavrados” pelos animais na sua busca por alimento.

É por isso importante controlar a praga pelos meios que os entendidos técnicos julgarem por mais convenientes, mas que esses meios sejam seguros para que possamos continuar a andar de dia ou de noite pela nossa Serra Mãe sem correr o risco de sermos confundidos com javalis.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-05

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

As inaugurações setubalenses de obras inacabadas

Em princípio será amanhã, dia 5 de fevereiro de 2015 que se dará início à montagem dos fornos crematórios do Complexo Fúnebre de Setúbal, uma obra inaugurada pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, no passado dia 1 de novembro de 2014.

Naquele dia de “Todos os Santos” foi descerrada uma placa comemorativa e os vivos bateram palmas e sorriram satisfeitos com a sua obra que curiosamente estava por terminar.

Se há coisas que são difíceis de entender esta é uma delas, ou seja, que sentido faz inaugurar um empreendimento que tem como principal objetivo a incineração e como atividades acessórias a venda de flores e outros pequenos negócios corelacionados, quando o alvo da atividade são se encontra sequer instalado?

Mas foi precisamente isto que aconteceu, com algumas explicações “mal amanhadas” sobre o porquê disso ter acontecido. Explicações que não convenceram ninguém.

O certo é que passados mais de três meses sobre a inauguração do CFS os setubalenses que optaram por este método tem vindo a ser deslocados para outros crematórios nas localidades vizinhas.

Convém salientar que este equipamento municipal foi alvo de um concurso de conceção, construção e exploração, ganho pela CFS – Arte e Constrói, um Agrupamento Complementar de Empresas entidade responsável pelo crematório.

Não deixa de ser estranho que uma obra inacabada propriedade da autarquia setubalense, mas que pelos vistos não tem qualquer capacidade de intervenção na mesma, possa merecer a honra de ser inaugurada pela representante de todos os setubalenses, a Presidente da Câmara Municipal.

Bem, pelo menos a boa notícia é de que amanhã, começarão a ser instalados os fornos, não que tenha conhecimento de alguém com desejo de os inaugurar, mas o que me parece é que já é tempo de haver alguma contenção nas inaugurações de obras inacabadas, e esta, como todos sabemos, não é caso virgem…

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-04

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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Quem sabe? Quem sabe? …

Sou inglês nascido na cidade de Bedford, num período de paz entre duas grandes guerras mundiais. Era forte e movia-me a vapor e tinha tal energia que trabalhei arduamente em Portugal durante quase meio século.

Foi o Porto de Setúbal que me adquiriu para trabalhar no transporte de carvão num cais próprio para esse efeito, junto a um grande depósito que existia onde hoje está localizado o edifício de cacifos dos pescadores.

Naquele tempo para além dos muitos barcos movidos a remos e à vela, podiam ver-se  no Sado outros com grandes chaminés por onde saía o fumo negro do combustível que utilizavam, ou seja: o carvão!

Fui o primeiro guindaste a vapor a operar no Porto de Setúbal e só com quase meio século de trabalho árduo é que tive direito a reforma. Saibam que entrei ao serviço em 1924 e só tive direito a descanso em 1970.

Naquele tempo o carvão era um combustível muito utilizado, quer para usos industriais quer mesmo para usos domésticos. Alguns de vós provavelmente ainda utilizastes aquele simpático ferro de engomar com um galinho no topo, ou aquele outro mais antiguinho com uma grande boca na sua frente, lembram-se?...

A energia elétrica só chegaria a Setúbal em 1930 e foi a partir dessa altura que o carvão começaria a ter menos utilização e consequentemente eu iria passar a ter uma vida mais tranquila.

Mesmo assim, depois de passar à reforma parece que não se esqueceram de mim e a tal ponto me acharam atraente que me colocaram em exposição num pequeno espaço ajardinado bem perto da Doca do Comércio, ali para os lados daqueles verdinhos ferry-boats, que claro está, já não são movidos a carvão.

Se tiverem mais curiosidade podem vir visitar-me e verificar com os vossos próprios olhos como continuo bonito e forte, como muito provavelmente eram os vossos avós.

Embora sinta orgulho em me terem exposto para que os mais jovens possam conhecer a minha ação, só tenho pena que ainda não se tenham lembrado de colocar nas muitas rotundas que estão disseminadas pela cidade, estátuas de outros antigos e esforçados trabalhadores do meu tempo, como sejam os salineiros, os descarregadores de peixe, as operárias conserveiras, etc. etc.

Pode ser que algum dos nossos governantes ou um dos generosos mecenas que tanto têm contribuído para o embelezamento da nossa Setúbal se venham ainda a lembrar disso. Quem sabe? Quem sabe? …

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-02

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Por causa dos cães ou dos seus donos sofrem as árvores

Tenho verificado que grande parte das pessoas que vão passear o seu cão, já têm por hábito recolher os dejetos dos animais ao invés de os deixarem a emporcalhar os passeios públicos, ou os relvados dos nossos jardins.

Claro que algumas outras haverá que ainda não conseguiram interiorizar e colocar em prática estes hábitos de higiene e civismo, provavelmente só os passando a praticar quando começarem a ser multadas devido à sua falta.

Também refiro com agrado o prazer que me dá apreciar os nossos parques e jardins setubalenses e verificar que a generalidade se encontram limpos e bem cuidados.

A Praça General Luís Domingues, o popularmente conhecido jardim do Quebedo de cima, onde se encontram sedeadas as instalações do São Domingos Futebol Clube, não foge a esta regra, apresentando-se aquele espaço sempre bem cuidado.

E para evitar situações menos agradáveis para os donos dos cãezinhos a Junta de Freguesia de São Sebastião mandou fazer umas placas com o seguinte aviso:

 “ É expressamente proibida a utilização deste local público como sanitário do seu cão. A apanha dos dejetos do seu cão é obrigatória! Comportamento punível com coima de 500 a 1000 euros. O espaço público é de todos!”

Compreendo a mensagem e concordo com ela em absoluto.

Mas, desde menino que aprendi nos escuteiros a sua Lei e creio que o primeiro artigo que registei na memória para toda a vida foi o seu 6º ponto que reza assim: “O Escuta protege as plantas e os animais”.

Talvez devido a este artigo da Lei do Escuta é que me despertou a atenção para as placas informativas afixadas naquele bonito e bem cuidado jardim, não fosse o facto de quem o fez não tivesse o devido cuidado e ao invés de as aplicar em suporte próprio e adequado para o efeito optasse por as aparafusar às árvores que ali estão a sombrear o jardim.

Por isso mesmo daqui faço o reparo convidando o responsável pelo pelouro dos parques e jardins daquela autarquia para que mande retificar uma situação que em nada se coaduna com a proteção do meio ambiente, sendo que por causa dos cães ou dos seus donos, sofrem as árvores.

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-30

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

As laranjas à noite fazem mal à saúde

Setúbal é uma terra também conhecida pelas suas saborosas laranjas, dando origem até que aqui fosse confecionado um doce típico tendo este fruto como matéria-prima.

A povoação era outrora envolvida por muitas quintas com extensos pomares e era das suas férteis terras que se produziam as afamadas e mundialmente conhecidas laranjas de Setúbal.

Desde tenra idade que ouvia dizer aos velhos habitantes de Troino a seguinte sentença: “A laranja de manhã é ouro, à tarde prata e à noite mata”.

A sabedoria popular aconselhava para os efeitos altamente benéficos do consumo deste alimento logo pela manhã, que seria muito bom também consumir o suculento e emblemático fruto sadino pela tarde, mas que nos deveríamos abster de ingerir à noite, pois faria mal à saúde.

De facto ele fazia mal e muito mal mesmo, é que alguns pobres, sem dinheiro para adquirir as boas laranjas da baía (de Setúbal), quando a noite caía, tratavam de saltar vedações para se irem abastecer às quintas das redondezas.

Alguns proprietários tratavam de proteger os seus pomares da melhor forma que podiam e quando davam conta de algum intruso, faziam uso do varapau e desancavam o pobre até mais não poder.

Ora digam lá então se as laranjas à noite dão saúde a alguém?

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-28


sábado, 17 de janeiro de 2015

Uma boa notícia para os idosos setubalenses

Não deixa de ser curioso constatar que nos últimos anos foi feito um investimento considerável nos equipamentos pré-escolares no nosso país, dotando-o de infantários geralmente acessíveis a todas as bolsas, uns privados e outros públicos.

Mais curioso é constatarmos que em poucos anos passamos da reserva demográfica da Europa para um país cuja população decresce a um ritmo preocupante e onde os nascimentos começam a ser casos raros.

No lado oposto temos tido um alheamento quase total, por parte dos diversos Governos, em relação à população idosa, cada vez  mais populosa  e na qual pouco ou nada foi investido no sentido de preparar o país para dar a estes cidadãos as necessárias condições de dignidade agora que chegaram ao Inverno da vida.

E é com esta triste realidade que os idosos portugueses são confrontados, perante a ausência dos filhos que foram obrigados a partir para terras estranhas, pelo facto de não os terem tido, ou simplesmente pelo abandono a que foram votados pelos mesmos.

Sem familiares para os apoiar, sem instalações para os acolher, é comum escutarmos as mais tristes histórias de muitos destes nossos conterrâneos, alguns deles morrendo em casa sem que alguém dê por isso.

Daí que não deixa de ser sempre de saudar e enaltecer quando se sabe que algum equipamento para apoiar os idosos foi inaugurado, um caso infelizmente pouco comum, na nossa terra.

Por isso, e independentemente do extrato social para que naturalmente está vocacionado, foi de enaltecer a inauguração em Brejos de Azeitão do Hospital Nossa Senhora da Arrábida, com as suas residências e quartos para a população idosa, uma pedrada no charco…

E foi com satisfação que hoje mesmo, dia 17 de janeiro de 2015 tive conhecimento de que mais uma unidade com cerca de 80 camas destinada aos nossos idosos vai começar a ser construída de raiz na cidade de Setúbal no princípio deste ano.

Ainda que se trate de iniciativa privada, é motivo de regozijo, porquanto não temos qualquer notícia de que o Estado vá fazer alguma coisa a favor daqueles que trabalharam durante toda uma vida e que mereciam ter um final, um pouco mais digno.

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-17

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Será que há gato escondido com rabo de fora?

“Este será um edifício de referência para a cidade, marcante para as gerações vindouras”, destacou a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, na cerimónia de apresentação pública da proposta do projeto de conceção do Terminal 7, elaborado pela Sami arquitectos.

Além do edifício, a construir na área das antigas instalações da Sadonaval, nas imediações do Parque Urbano de Albarquel, o projeto inclui operações urbanísticas que visam dotar aquela zona privilegiada da cidade de melhores condições de usufruto para a população.

“Queremos que este seja, por excelência, um espaço ligado ao rio, que se identifique com as memórias e identidade setubalenses”, afirmou a autarca, adiantando que as antigas instalações navais daquele local “estão a ser progressivamente desativadas” e que “os trabalhos de demolição devem começar nas próximas semanas”.

E foi isto que a Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, disse de entre outras coisas, já lá vão quase dois anos, aquando  da apresentação do projeto do Terminal 7.

De facto, passado algum tempo, a cobertura de amianto que revestia a estrutura da zona poente das instalações foi retirada, do  parque de materiais foi igualmente retirado tudo o que lá estava, posteriormente procedeu-se a demolição da estrutura e assim os setubalenses ficaram contentes com o novo espaço livre entre o que restava das instalações da SADONAVAL e o P.U.A.

Ficou por demolir a área edificada junto aos antigos estaleiros, onde ainda se podiam observar alguns operários, até que os mesmos deixaram de vez as instalações,  em 2014, já lá vão alguns meses.

E quando todos pensávamos que iria ser dado continuidade à demolição do que restava daquela unidade naval, foram os setubalenses surpreendidos com a afixação de uma placa que dá conta de que as instalações são ocupadas pelo “centro náutico” da autarquia sadina.

Não deixa de ser estranho este tipo de situação! 

Afinal aquilo é para demolir depois da saída da SADONAVAL ou é para ser ocupado por um organismo, associação ou seja lá o que seja, sob tutela da C.M.S.?

O tal Terminal 7 anunciado com toda a pompa e com um enorme placard informativo no local é para construir ou não?

É claro que todos sabemos que só se pode construir com dinheiro e esse é um bem escasso. Mas então se a empresa já desocupou as instalações não será preferível demolir o resto e dar uma maior amplitude ao espaço, tão carecido como está especialmente nos dias de sol em que os setubalenses aos milhares ali demandam?

E se é para demolir porque é que se está a gastar dinheiro na adaptação a outras funções? Fará isto sentido?

São tantas as interrogações que me vêm à mente que quase dou comigo a ficar desconfiado e a tentar descortinar se não haverá aqui gato escondido com rabo de fora…

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-15

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domingo, 4 de janeiro de 2015

A Bela Vista é um dos melhores bairros de Setúbal

Quase sempre referido pelos órgãos de comunicação social, sedeados na capital, pelos piores motivos, até alguns desagradáveis acontecimentos sem nada terem a ver com aquele espaço, a Bela Vista, em Setúbal, é provavelmente o mais diversificado e bem equipado espaço habitacional sadino onde muito boa gente gosta de viver.

Composto por três grupos designados por azul, amarelo e rosa, as construções remontam aos anos 70 e 80 e para ali foram habitar, de entre outros, vários grupos de pessoas que vão da etnia cigana a africanos oriundos das antigas colónias portuguesas.

Curiosamente, grande parte da população residente não trocaria aquele local por outra qualquer zona da cidade, ali as pessoas têm uma maior relação de proximidade e vizinhança, onde palavras como solidariedade não são vãs, estando mais próximas da ação.

O bairro tem os seus problemas, claro que os tem, mas qual será aquele que tendo tanta e diversificada população residente não o terá?

A zona azul, ou bairro azul, composto por uma dúzia de lotes, é o que provavelmente dispõe de melhor panorâmica desfrutando de uma soberba vista sobre o “rio azul” que lhe dá o nome. Troia, Arrábida e a baixa da cidade estão aos seus pés.

O Bairro Amarelo é o maior dos três, constituídos por blocos habitacionais com amplos pátios interiores é aqui que estão instalados a maior parte de equipamentos sociais de variadas instituições.

Quanto ao rosa, também conhecido como Alameda das Palmeiras é o mais recente do trio.

É neste espaço que podemos observar o mais elevado reservatório de água, uma construção que se avista de qualquer local da cidade, e quase ao lado vemos também as instalações  daquela que  foi outrora a emblemática Água da Bela Vista.

Dotado de amplo supermercado, de escolas de todos os níveis, de infantários, de Grupo de Escoteiros, de modelares instalações gimnodesportivas do ACM, das instalações sociais da CARITAS, de sedes das mais diferentes associações, de um polo da Biblioteca Municipal, de esquadra da P.S.P. aqui podemos encontrar um fervilhante mundo por descobrir.

Um amplo parque verde, dotado de um bem equipado recinto desportivo com quadras de ténis, campos de volei, máquinas de ginástica e demais equipamentos desportivos, tornam aquele um dos melhores espaços do seu género existentes em Setúbal.

Os pátios bem arranjados entre os edifícios são espaços bem agradáveis, tratados e mantidos por residentes voluntários.

São variados os projetos que se desenvolvem por toda a Bela Vista, desde sociais, a culturais, passando naturalmente pelo serviço de voluntariado.

A diversidade e multiculturalidade já levou até a que a Bela Vista fosse alvo de atenção cinematográfica, bem como objeto de estudos diversos.

A Bela Vista não é um papão como indevidamente tem sido apresentado, é um espaço onde habita muita gente séria, honesta e trabalhadora e como em qualquer parte do mundo, também por lá existem as ovelhas negras, mas isso não passa da exceção e não será certamente a regra.

Se tem dúvidas sobre o que leu, vá até lá, veja, observe e sobretudo fale com as pessoas residentes, vai ver que a sua opinião poderá mudar.

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-04

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Em Setúbal temos um espaço que em vez de relva tem cinzas

Não me dei ao trabalho de saber porquê e quem vai colocando as cinzas dos fogareiros a carvão junto aos contentores de lixo localizados ao lado do novo parque de estacionamento da A.P.S.S. construído nos terrenos entre a doca dos pescadores e o edifício dos apetrechos de pesca.

Este era um hábito que já vinha de antes das obras efetuadas, quando aquele espaço se encontrava em terra batida e, pelos vistos, vai continuar depois das mesmas ficarem concluídas, faltando para tal apenas serem colocados os bancos panorâmicos e o ajardinamento da faixa separadora, precisamente no topo da qual estão a ser colocadas as cinzas.

Quem ali coloca as cinzas, provavelmente não as quererá depositar dentro dos moloch, os novos contentores enterrados para receção de resíduos sólidos com receio de poder vir a derreter o saco de plástico existente no seu interior.

Também não quererá deitar as cinzas ao rio, por uma questão ecológica, como fazem algumas pessoas irresponsáveis. Como tal opta por depositar naquele inadequado espaço.

Para que esta situação se resolva de vez e atendendo ao elevado número de restaurantes que utilizam o carvão para assar o saboroso peixe que se come por ali, penso que é altura de se colocar um recipiente adequado à recolha das cinzas, o que não me parece difícil de fazer caso não exista à venda no mercado.

Como está a situação é que não é nada, e não me parece bem a A.P.S.S. fazer um investimento substancial, dotando aquele local de um útil parque de estacionamento e de um agradável espaço e os Serviços de Higiene e Limpeza da Câmara Municipal de Setúbal não o dotarem dos equipamentos adequados, neste caso concreto de mais um recipiente próprio para recolha de cinzas.

Esperemos bem não ter de ver os turistas a fotografar aquele espaço, quando o relvado estiver ali colocado e for visível um monte de cinzas onde deveria estar um bonito tufo florido.

Rui Canas Gaspar
2015-janeiro-02

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