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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

SETÚBAL NÃO PÁRA 

Apetece-me cantarolar aquela popular marcha setubalense:

Vejam Setúbal, tirem a prova
Das Fontainhas,  do Castelo à Fonte Nova

Porque a minha vida me obriga a deslocações um pouco por toda a cidade, hoje reparei que mais um edifício foi estupendamente recuperado no degradado Bairro de S. Domingos, frente à ponte que dali dá acesso à Avenida Luísa Todi, parecendo-me ter como destino um hostel.

Em frente, os muros de acesso ao miradouro estavam a ser rebocados e as paredes pintadas dando um aspeto bem mais agradável àquela muito apreciada e visitada zona do Miradouro de S. Sebastião.

Um pouco mais acima à entrada da autoestrada reparei que a decoração alusiva à cidade europeia do desporto já estava retirada e a obra de arte com o nome da cidade estava devidamente colocada, agora com mais visibilidade que antes.

No Monte Belo equipas de trabalhadores avançam em força com as obras do Burger King e até no enorme muro das antigas instalações da Junta Autónoma das Estradas, uma equipa de pessoal da autarquia pintava aquele inestético espaço completamente grafitado.

Já cá em baixo, à entrada da Av. Luísa Todi, frente ao Leo, os separadores  plásticos foram finalmente substituídos por pinos definitivos tendo o espaço interior sido decorado com floreiras.

De facto ainda há muito por fazer, a cidade também não é nenhuma aldeola  e, como tal, como diz o nosso povo “quanto maior é a nau, maior é a tormenta”.

 Muita coisa foi sendo protelada ao longo de vários anos, mas é indiscutível que se assiste a uma recuperação patrimonial quer por parte da autarquia, quer por parte de particulares e a um esforço de embelezamento como não me lembro de alguma vez ter assistido em Setúbal.

Vamos continuar neste caminho, se queremos atrair mais turistas e, como tal, criar mais postos de trabalho para se produzir mais riqueza e consequentemente diminuir impostos que tanto nos afligem.

Rui Canas Gaspar

2017-janeiro-06

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

No tempo dos “patos bravos”

Lembro-me que há algumas décadas havia o hábito de rotular de “patos bravos” alguns construtores civis, pessoas que embora não estivessem devidamente habilitadas tecnicamente conseguiam ganhar concursos e construíam um pouco por todo o lado, sem se preocuparem muito com a qualidade, segurança e demais regras que hoje são exigidas por Lei.
Costumavam dizer nesse tempo, a propósito da garantia dos trabalhos executados, que a mesma era válida até receber o dinheiro, como que a dizer que: “quem vem atrás que feche a porta” ou seja, uma desresponsabilização total.
Enquanto havia dinheiro, os “patos bravos” eram os melhores clientes de restaurantes caros, discotecas e as meninas não lhes faltavam.
Quando queriam construir e necessitavam do dinheiro para iniciar a obra iam ao banco contrair um empréstimo. Antes porém, compravam um fato novo e um mercedes, sinais exteriores de riqueza com que geralmente impressionavam o gerente bancário que acabava por lhes conceder o necessário financiamento.
As obras geralmente tinham de dar “meio por meio” pelo menos e para tal era frequente fugir-se à qualidade e até os projetos eram de certo modo feitos à medida do “pato bravo”.
Era comum brincar-se com a fórmula de fabrico da argamassa dizendo: “ um de areia, um de areal e outro do mesmo material” ou seja, o cimento porque era mais caro por vezes era quase esquecido.
Quanto à fiscalização camarária, dado que todo o mundo se dava muito bem e os fiscais eram bem recompensados pela sua natural miopia, doença que se estendia a outros setores, originava que os “patos bravos” proliferassem e se movessem com natural à vontade.
Durante vários anos convivi de perto com esta realidade e talvez por isso não deixo de sorrir sempre que passo pela Avenida Alexandre Herculano, tal como pelas obras inacabadas mais a montante e vejo a forma de organização do trabalho, com os separadores de transito colocados de qualquer maneira, máquinas parqueadas como calhar, trabalhos começados e não concluídos, desrespeito total pelos utentes da via e um sem número de atropelos que julgava eu que não voltaria a ver no meu país.
E acabo por sorrir ao lembrar-me dos “patos bravos” e daqueles tempos em que a legislação era ineficiente, em que a fiscalização praticamente não funcionava, em que o povo era mais inculto e por ai fora…
Hoje não é assim, temos empresas modernas que cumprem a lei, fiscalização que fiscaliza, trabalhos que são executados com perfeição e até técnicos devidamente habilitados e lúcidos que nos brindam com excelentes obras de arquitetura que são o orgulho da cidade e elogiadas pela generalidade dos seus habitantes.
Ainda não consegui perceber porque é que cada vez que passo pela Avenida Alexandre Herculano, na minha querida cidade de Setúbal, me vem sempre à mente aqueles velhos tempos dos “patos bravos”.
Rui Canas Gaspar
2016-janeiro-19

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita!

As obras na via pública, que têm vindo a ser levadas a efeito em Setúbal, nestes últimos tempos, tem sido uma completa desgraça ao nível da sua coordenação, originando elevados transtornos a quem tem de enfrentar o trânsito citadino.

Neste momento mais uma dor de cabeça foi colocada aos automobilistas. Desta vez o problema tem o cerne entre a Avenida da Europa e a dos Ciprestes e, por se tratar de um ponto fulcral reflete-se também nas vias que para ali confluem.

Filas intermináveis, ambulâncias que têm dificuldade em circular, perdas de tempo e gastos de combustível desnecessário não aconteceriam se houvesse um pouco de bom senso, alguma fiscalização e porque não, também um pouco de profissionalismo.

As obras são importantes, são necessárias e naturalmente causam transtornos, todos nós sabemos disso! Mas não é isso que se contesta.

O que de facto não entra na cabeça de ninguém é que se façam obras desta envergadura sem colocar uns painéis informativos, sem se colocar agentes de trânsito da P.S.P. a regular o tráfego e mais elementar ainda é não se desligar os semáforos que em vez de controlar ainda complicam mais esta inexplicável situação.

Porque os semáforos estão ligados como se tudo estivesse a decorrer de forma normal, acontece que numas vias estão filas com centenas de metros e quando abre o sinal verde entra-se noutras completamente desimpedidas.

Até agora ainda ninguém conseguiu compreender porque e como se deixa a empresa que está a levar a cabo esta empreitada proceder desta arrogante maneira, ignorando os utentes da via pública, num total desrespeito e falta de profissionalismo, que só não vê quem não quer ver.

Aqui na nossa terra costuma-se dizer que “tanto ladrão é quem vai à laranja como aquele que fica a ver se aparece o guarda” se calhar o ditado cai que nem uma luva para ilustrar os que fazem a asneira e os que os que a deixam fazer, ou seja o empreiteiro e o dono da obra.

Gostaria, tal como muitos dos meus conterrâneos, saber até quando continuaremos a ver em Setúbal obras desta envergadura, sem qualquer tipo de coordenação.

Provavelmente só quando as mesmas chegarem ao fim!...

Rui Canas Gaspar
2015-maio-07

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Parece que em Setúbal para sermos ricos só nos falta o dinheiro

Ainda não se deram por concluídas as obras que têm vindo a ser levadas a efeito na esburacada Avenida Alexandre Herculano  e artérias limítrofes e já se está a anunciar a existência de um grande projeto de remodelação para a Avenida 22 de Dezembro, aquela que fica no lado oposto à Alexandre Herculano, com o Parque do Bonfim entre elas.

O novo projeto com orçamento que ultrapassa os 300 mil euros, prevê a supressão do parqueamento automóvel existente debaixo das bonitas laranjeiras que alindam e dão sombra à placa central, devendo os seus proprietários ir estacionar os pópós algures na zona dos Arcos.

A placa central será então ajardinada. Mas, antes disso acontecer a avenida será toda esventrada para substituição dos antigos coletores que por ali passam.

É suposto que os autores do anunciado projeto saibam que por debaixo dessa avenida também corre a Ribeira do Livramento e mexer ali, embora para a engenharia nada de especial possa acontecer, mas o mesmo não dirão os financeiros…

Gostaria de ver a minha cidade, sobretudo a zona envolvente do Parque do Bonfim, repleta de bonitas e bem cheirosas laranjeiras, um símbolo da nossa terra, num local onde outrora eram abundantes.

Porém, acho sinceramente que não só não irei ver esta minha ambição concretizada, como igualmente temo pela vida daquelas dezenas de árvores emblemáticas setubalenses que se encontram na tal placa central com profunda transformação anunciada.

Não sou contra o progresso, nem me oponho a mudanças de visual, desde que tenhamos verba para isso. Mas aprendi desde muito pequeno com o povo da minha terra uma importante máxima: “quem não tem dinheiro não tem vícios” e, pelos vistos, metal sonante é coisa que não abunda por estas bandas, embora tenhamos por cá alguns artistas que para serem ricos só lhes falta o dinheiro.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-17

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

A cidade de Setúbal está a transformar a geografia local

Alguns setubalenses até podem ainda não ter reparado, mas a geografia da cidade tem-se alterado profundamente e continua imparável neste processo que tudo transforma quase sem darmos por isso.

Há cerca de 500 anos a Ribeira do Livramento corria livremente pelo espaço ocupado atualmente pela Av. 22 de Dezembro, passando ao lado do Mosteiro de Jesus, que naturalmente foi construído num plano mais elevado que o leito da ribeira.

Presentemente, vamos encontrar a soleira do pórtico principal daquele que é o mais importante monumento setubalense, a uma cota de sensivelmente menos dois metros do piso da Avenida. Ou seja, aquele espaço subiu em média, grosso modo, na ordem dos 4 centímetros por ano.

Ainda nos anos 70 podíamos observar a estrutura de um velho moinho no alto de uma pequena colina no lado oposto onde atualmente se localiza a loja do cidadão. Com a construção dos edifícios as areias da pequena colina foram retiradas e edifícios foram ali edificados.

Mas, provavelmente a maior movimentação de terras alguma vez levada a efeito desde que nos anos 30 do século passado foram construídas as grandes muralhas e docas à beira Sado, estão agora a ser realizadas.

Milhares e milhares de metros cúbicos de terras têm vindo a ser retiradas dos pequenos outeiros até há pouco existentes entre a cadeia e o Centro Comercial Alegro, transformando aquele espaço, ao mesmo tempo que os inertes vão sendo colocados ao longo da futura avenida que está a ser construída na várzea de Setúbal, em paralelo com a Avenida dos Ciprestes.

Esse enorme aterro transformará igualmente a paisagem daquela zona, outrora ocupada por produtivas quintas agrícolas e no qual está projetado construir o maior parque verde da cidade.

Com estas movimentações de terras a paisagem vai-se transformando e a geografia local altera-se profundamente ainda que com os afazeres e as correrias do nosso dia-a-dia quase nem demos por isso.

Razão tinha o químico francês Antoine Lavoisier quando um dia afirmou: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e Setúbal é prova disso mesmo.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-15

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Em Setúbal alguém vai ter de pagar um almoço de lagosta

O Centro Comercial Alegro – Setúbal, único shopping a abrir em Portugal após dois anos de interregno, é inaugurado hoje, dia 11 de novembro de 2014, dia em que por todo o país se comemora São Martinho e em que tradicionalmente se prova água-pé e se comem as deliciosas castanhas assadas.

No entanto, parece que há por aí, pelo menos  um amigo do grupo “Coisas de Setúbal” que devido a esta inauguração vai ter um lauto banquete, não das tradicionais sardinhas escorchadas mas de lagosta.

É que como bom setubalense e conhecedor do seu país apostou com outro companheiro que as obras exteriores que envolvem o Alegro não iriam estar prontas aquando da inauguração do centro comercial. De facto assim aconteceu, como o demonstrava a enorme fila de automóveis que entravam pela manhã a passo de caracol na cidade, pela A12, devido ao estrangulamento da inacabada via de acesso junto à nova enorme rotunda.

Na melhor das hipóteses, pelo menos durante um mês não deixaremos de ver máquinas e pessoal a laborar por aquelas bandas, dado que ainda falta muito por acabar ao nível dos arranjos exteriores, com pavimentos por concluir, vias por marcar, espaços por ajardinar e ligações por efetuar.

É claro que para ministro inaugurar, à última hora tentava-se dar um ar mais apresentável aos espaços envolventes, tentando marcar pavimentos inacabados para se poder pintar, enquanto máquinas e operários andavam numa roda viva.

Os convidados VIP chegaram ao novo Alegro – Setúbal, novinho em folha, certamente a cheirar às tintas e vernizes aplicados nas últimas horas enquanto cá fora os trabalhos abrandaram por hoje, para não dar mau aspeto ao ministro sua comitiva e demais convidados. Mas, a partir de amanhã dia em que o povo ali poderá entrar e gastar os parcos euros, eles certamente recomeçarão.

A tradição está aí para se manter e, tal como o São Martinho que este ano até antecipou o seu Verão para que se pudesse avançar com os trabalhos, o facto é que o atraso na obra está patente, como tal, alguém vai ter de pagar um almoço de lagosta e garanto que não serei eu…

Rui Canas Gaspar
2014-novembro-11

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Alguns setubalenses bem poderiam ter um comportamento mais cívico

Bem sabemos que as grandes obras que estão a ser levadas a efeito na cidade de Setúbal causam transtornos, particularmente aos habitantes e comerciantes das zonas que estão a ser intervencionadas.

Também temos constatado e alertado para o facto do pouco cuidado e atenção que os empreiteiros e dono da obra têm dado à população utente dessas zonas, sobretudo no que se refere à segurança rodoviária.

Hoje, 13 de outubro de 2014 reparei que no início da Rua de Damão, um conjunto de sacos de lixo estavam depositados no chão, precisamente no lugar onde habitualmente estão uns contentores de recolha, agora retirados porquanto os mesmos não se encontram temporariamente acessíveis às viaturas de recolha.

Avisos colocados na zona pela Divisão de Higiene Urbana da C.M.S. dão indicação onde o lixo deve ser depositado. A algumas dezenas de metros deste local, em três diferentes pontos de recolha.

No topo da Rua de Damão, entrando na Amílcar Cabral, podia observar-se uma dupla composta por um operário manobrando um soprador enquanto uma varredoura mecânica limpava e aspirava aquela zona da cidade.

A Câmara Municipal deverá fazer a sua parte, e bem, pela higiene e limpeza da cidade, mas nós, os comuns cidadãos também temos o dever de ser respeitadores e cumpridores das boas normas de higiene, caso contrário e, em última análise, seremos nós os principais prejudicados.

Só pode ser atribuído à má formação cívica de alguns poucos cidadãos o facto de ao invés de se deslocarem mais uns metros para colocar o lixo nos outros pontos de recolha o terem ali colocado no chão, onde os cães, gatos e talvez os ratos o possam espalhar com as nefastas consequências para a sua própria saúde.

Se esta ação se deve a “vingançazinha” pelos transtornos causados pelas obras, poderemos classifica-la como pura estupidez, falta de civismo e desrespeito pelos vizinhos.

Neste, como em outros caso será bom lembrar Maatha Gandhi quando um dia afirmou a propósito de semelhante situação de intolerância: “Olho por olho e o mundo acabará cego”.

Rui Canas Gaspar
2014-outubro-13

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O emblemático miradouro da Várzea de Setúbal vai entrar em obras?

Será que finalmente alguém percebeu que se queremos ter uma cidade que de entre outras vertentes sócio/económicas terá de apostar fortemente no turismo e que para isso não basta apresentarmos a quem nos visita o que a natureza generosamente nos colocou à disposição, mas que teremos de fazer também a nossa parte?

Será que se deram conta de que para a cidade se tornar atrativa não basta ter uma boa zona ribeirinha e um atraente e moderno centro comercial, mas que terá de ter uma zona histórica limpa, com vida e com os seus edifícios públicos e privados devidamente preservados para que o turismo cultural, que cada vez em maior escala demanda os países europeus, seja atraído para a nossa terra?

Igualmente deveremos preservar os poucos edifícios e obras de arte, tais como pórticos, fachadas, tanques, noras e demais construções que se encontravam nas antigas quintas, integrando-as e dando-lhes destaque e visibilidade nas novas zonas urbanas, tornando estas menos impessoais e com mais motivos de atratividade.

Dizer que Setúbal é uma localidade milenar e apresentar a quem nos visita e até mesmo aos nossos netos uma cidade onde quase não restam vestígios daquilo que por cá existiu no tempo dos nossos avós será saudável, credível e até vendável turisticamente?

Bem sei que o dinheiro não estica, que ele é escasso e não chega para tudo, mas penso que se continuar a apostar apenas e só em coisas novas, algumas delas de interesse e gosto por demais duvidoso e não se preservar o que nos foi legado pelos nossos antepassados, a curto prazo teremos uma cidade sem referências, sem memória e, como tal, sem interesse para quem nos visita e nos quer conhecer.

Por isso, oponho-me fortemente a que se não recupere o miradouro da várzea e o integre no novo parque urbano a construir naquele local e quero acreditar de que a esmagadora maioria dos setubalenses partilham da minha opinião.

Hoje, dia 19 de setembro de 2014 tive um sopro de esperança que isso possa vir a acontecer, porquanto tive oportunidade de verificar que uma equipa de trabalhadores estavam a preparar uma estrutura metálica na base desta obra de arte, parecendo-me que se estava a preparar um andaime para a envolver.

Sendo  assim e porque enquanto há vida há esperança, vamos acreditar que o “barro à parede” atirado por um vereador municipal apontando para gastos astronómicos com a recuperação (valores desprovidos de base consistente) não tenha pegado junto da opinião pública.

Esperemos para ver os próximos capítulos…



Rui Canas Gaspar
2014-setembro-19

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Junto ao Porto de Setúbal as Conservatórias já estão em contentores

Quem se deslocar às Conservatórias do Registo Predial de Setúbal ou à Conservatória do Registo Automóvel, que até há pouco tempo funcionavam na Palácio da Justiça, é agora surpreendido com uma vedação em chapa metálica a todo o perímetro do edifício, deixando aberto apenas um túnel de entrada para os utentes do Tribunal.

Quanto às Conservatórias encontrará vários avisos afixados nas chapas de vedação encaminhando para uns contentores localizados nas traseiras do edifício, um equipamento móvel agora muito em voga em Portugal.

As obras no Palácio da Justiça irão decorrer durante ano e meio a dois anos, e aquele relativamente novo edifício, construído para aquela finalidade irá ver o seu interior parcialmente destruído para o adaptar a novas funcionalidades, as quais já não incluirão as Conservatórias.

Sendo assim, ou os contentores provisórios, passarão a definitivo, ou então aqueles Serviços terão de, mais uma vez, mudar de poiso.

É claro que quem beneficia com todo este processo não naturalmente as senhoras funcionárias, pois assim não gastarão dinheiro em ginásio, dado que elas próprias terão de arcar com as mudanças e se quiserem apresentar-se bem limpinhas e arranjadinhas terão de varrer e passar a esfregona o seu espaço de trabalho, como aconteceu agora com os contentores para onde se mudaram.

Nesta questão da Reforma Judicial de que tanto se tem falado, com tribunais a fechar e outros a sofrerem obras, com toneladas de papéis a mudar de um lado para o outro, já nem os funcionários chegam para tanta mudança e foi necessário recorrer às Forças Armadas.

Mais uma vez fiquei surpreendido com o facto, porque é do domínio público que em Portugal as empresas de segurança privada dispõem de mais de 50 mil elementos, enquanto as F.A.P. ficam-se pelos 30 mil, sem pessoal militar suficiente para garantir a segurança dos próprios equipamentos, como é o caso das instalações do Pol NATO em Almada, tendo-se recorrido  à segurança privada.

Porém, espantou-me ver na TV militares de camuflado andarem a levar montes de papelada de um lado para o outro, em Lisboa, devido a estas esquisitas mudanças, em vez destes homens estarem afetos àquilo para que estão de facto vocacionados, ou seja para as questões de ordem militar.

Tanta mudança, tanta troca de funções, tanta confusão, que qualquer comum mortal não pode deixar de ficar confuso com o que se passa na sua terra e eu não consigo escapar à regra.

Rui Canas Gaspar
2014-setembro-05

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A barraca do cão

Na verdejante várzea as potentes máquinas derrubavam as velhas casas da outrora próspera Quinta de Proste, nas traseiras do supermercado Pingo Doce, junto à Avenida dos Ciprestes, em Setúbal.

Aproximo-me para apreciar os trabalhos em curso e para ver a perícia de um operário manobrador da escavadora, um emigrante que veio das terras de Leste para governar a vida neste país de sol e de paz, enquanto um outro vindo de quentes e ainda mais soalheiras terras africanas colocava baias de proteção junto à avenida.

E estava eu a apreciar a cor daquela negra e fértil terra agrícola de primeira quando um casal se aproximou e perguntou se eu pertencia à obra:

- Sim, sou o dono, posso ajudá-lo em alguma coisa? Respondi de forma divertida, porém aparentando um ar sério.

- É que nós costumávamos vir aqui todos os dias trazer comida a uma cadela. Tinha ali a casota e agora já lá não está, queríamos saber o que aconteceu…

- Não sei, respondi, mas certamente ela já foi junto com o lixo e o mato retirado daqui para se fazerem as terraplanagens, talvez o operador da máquina possa confirmar o que lhe digo. Olhe pergunte-lhe, eu sou o dono e o meu amigo também o é.

O casal olhou para mim com ar esquisito, ao que acrescentei.

- Sabe, estes trabalhos estão a ser feitos por ordem e para a Autarquia, como nós somos setubalenses, logo somos nós os patrões, sendo assim, somos os donos disto tudo…

Pelos vistos o homem ficou de acordo comigo e lá foi falar com o operador da máquina que no seu melhor português acabou por confirmar as minhas suspeitas.

O casal estava inconformado com o que tinha acontecido à casota do animal que protegiam e afastaram-se dizendo que iam apresentar reclamação ao engenheiro responsável pela obra, porque aquilo não se fazia.

Olhei então para o antigo pombal, envolto na poeira das velhas casas que iam sendo metodicamente demolidas e pensei se não estaria a assistir aos seus últimos dias. Será que da próxima vez que fosse para aquelas bandas ver o andamento dos trabalhos ele ainda por lá estaria ou se teria tido o mesmo destino da casota do cão? Pensei.

O “progresso” tem destas coisas, umas são sacrificadas para que outras nasçam. A obra começou, foi-nos prometido que pelo menos o emblemático miradouro lá ficaria, esperemos que o mesmo não tenha a mesma sorte da barraca do cão e, quem sabe, o mais que certo fim do outrora belo pombal que ainda fotografei, provavelmente para memória futura.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-08

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A APSS prossegue com obras a bom ritmo junto à Doca dos Pescadores

As obras de melhoramento urbano na zona nascente da Doca dos Pescadores, entre o  Bowling de Setúbal  e o cais nº 1 prosseguem a bom ritmo, podendo-se constatar que o parque de estacionamento com capacidade para cerca de uma centena de viaturas já se encontra nos remates finais.

O edifício onde se localizam os cacifos com os apetrechos de pesca dos pescadores foi reparado e  pintado exteriormente, com muito bom gosto, enquanto a cobertura já tinha sofrido intervenção, faltando apenas dar um jeitinho ao seu interior cujo estado de conservação pouco se coaduna com o aspeto exterior.

Soubemos que para maior conforto e preservação daquele equipamento o mesmo irá ser dotado de sistema de segurança, de forma a ali só poderem entrar os seus utentes, portadores dos mesmos cartões eletrónicos que lhes dão acesso aos passadiços da doca.

Entretanto, os pavimentos junto à muralha da beira-rio estão a ser alvo de grandes obras de beneficiação que visam dotá-los de melhor pavimentação, bem como a colocação de mais iluminação e a instalação de bancos panorâmicos.

Para completar este cenário, que dará um excelente visual a esta zona de Setúbal, a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, entidade responsável pelo local e que está a desenvolver estes importantes trabalhos, colocará um conjunto de árvores de sombra juntando desta forma  o útil ao agradável.

Rui Canas Gaspar
2014-agosto-08

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sábado, 12 de julho de 2014

Obras necessárias não devem conduzir a alterações desnecessárias

Sempre gostei muito e aprendi alguma coisa com as chamadas frases célebres ou inspiradoras. Uma delas, atribuída a Montesquieu não me canso de repetir, porque a acho por demais importante especialmente para quem exerce cargos governativos ou para quem desempenha funções de direção ou chefia. Disse certo dia este grande homem: “Para se fazerem grandes coisas não é necessário estar-se acima dos homens, mas sim entre eles”.

Se Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, outro mérito não tem, este, por aquilo que tenho observado não lhe nego e exemplo do que acabo de dizer é o facto de na quinta-feira, dia 10, ao final da tarde envergar as calças do fato de treino e as sapatilhas, juntando-se às centenas de setubalenses e com eles conviver, fazendo a caminhada entre a Praça do Bocage e o Forte de São Filipe.

O mesmo se tem passado em grandes e pequenas ações onde a vimos entre o povo e não no “poleiro” onde muitos governantes, alguns bem incompetentes, por sinal, teimam em não descer, esquecendo-se que só são “importantes” enquanto lhes dermos essa importância.

É claro que todos também sabemos que não se coloca ou retira um prego nesta cidade sem que a presidente saiba e autorize, como tal, o que se faz de bem ou de mal facilmente a ela é atribuída a responsabilidade ou o mérito.

Considero que muito de bom esta senhora tem feito pela minha cidade, enquanto presidente da Autarquia, é claro que algumas outras coisas dispensaria pela certa.

Aquela que agora me aflige, tal como a muitos setubalenses, é de facto as alterações preconizadas para as vias rodoviárias existentes entre a Avenida da Guiné  Bissau e a Alexandre Herculano, que considero, tal como  muitos utentes e moradores desta zona uma autentica aberração.

Não sou do tipo de criticar por criticar, muito menos tenho a pretensão de ser senhor da razão, mas enquanto utente frequente destas vias não posso de forma nenhuma concordar com uma obra que a ser concretizada vai prejudicar em vez de beneficiar, reduzindo as atuais vias de circulação automóvel de 4 para 2, quando o trânsito automóvel está cada vez menos fluído.

Tudo o mais anunciado para ser concretizado naquelas artérias pode muito bem ser feito sem ser à custa da redução das faixas rodoviárias porque ali existe espaço suficiente para o fazer.

E porque a senhora presidente é uma mulher que gosta, e bem, de governar entre o povo, sugiro que veja com seus próprios olhos o que se está a fazer nestas artérias da cidade, que podem até ficar mais bonitas, mas que não deixam de ficar muito menos funcionais e potenciadoras de caos automobilístico, com o consequente buzinão diário e um ainda maior numero de acidentes que aqueles que acontecem semanalmente na rotunda do Vitória.

Enquanto é tempo é que temos de arrepiar caminho, porque depois, para corrigir o disparate as despesas serão maiores e provavelmente a carteira dos contribuintes estará bem mais leve, quando é sabido que obras necessárias não devem conduzir a alterações desnecessárias.

Rui Canas Gaspar
2014-julho-12

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mentira MIL VEZES repetida pode tornar-se verdade em Setúbal

O poderoso e tenebroso Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Reich na Alemanha Nazi, seguidor de Adolf Hitler, apoiante do extermínio dos judeus e da Solução Final, ficou também mundialmente conhecido pelos seus discursos repletos de frases carismáticas  que chegaram até aos nossos dias.

De entre essas frases uma ficou particularmente célebre e infelizmente ainda hoje seguida por governos e organizações menos escrupulosas “Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade”.

Mentira é mentira e nunca será verdade! Mas, de facto, o autor da frase não deixa de ter alguma razão. É que se tantas vezes ouvirmos a mentira e se raramente nos confrontarmos com o contraditório naturalmente a interiorizaremos como se de uma verdade se tratasse.

E foi assim que muitos seres humanos morreram nas câmaras de gás nazis, acreditando nas muitas mentiras de Hitler e seus fieis apaniguados.

Já aqui disse, que o texto “REVOLUÇÃO EM SETÚBAL”  (http://troineiro.blogspot.pt/2014/04/revolucao-em-setubal-e-umaautentica.html) se tratou de uma inofensiva brincadeira de primeiro de abril, o dia em que nos é permitido divertirmo-nos com as inverdades. Um texto que no dia seguinte mereceria o mesmo destaque, nos mesmos locais, com um outro devidamente esclarecedor: “COM A VERDADE ME ENGANAS” (http://troineiro.blogspot.pt/2014/04/com-verdade-me-enganas-revolucao-em.html ) .

Mas, a mentira e o sensacionalismo  são, sem dúvida, mais fortes junto da opinião pública que a verdade dos factos e, por isso mesmo, a verdade ficou parada no espaço e no tempo enquanto a mentira continuou voando, saltitando de página em página, mantendo-se imparável.

E é assim que passados menos de três meses sobre a publicação do texto a mentira é MIL VEZES REPETIDA, ou melhor, partilhada, por outras tantas pessoas que a levaram já ao conhecimento de largas dezenas de milhares de outras. Umas acreditando, outras mais céticas e outras rejeitando-a.

O curioso é que existem pessoas que embora duvidando do que escrevi incentivam à partilha do texto com o objetivo dele se tornar viral, chegando ao conhecimento de investidores e decisores, de modo a que no todo ou em parte se possa vir a tornar realidade.

Não deixa de ser interessante esta postura dos setubalenses, ainda que de uma forma muito própria, vibram com as coisas da sua terra e sentem orgulho em divulgar o que por aqui se vai fazendo de bom e bonito, daí talvez a justificação para tantas partilhas do sensacionalista texto.

Talvez quem não esteja a gostar muito da brincadeira sejam alguns dos nossos governantes locais que têm sido frequentemente abordados no sentido de esclarecer, confirmar ou infirmar sobre esta tal “Revolução em Setúbal”.

Mas olhem meus amigos, eu se estivesse no lugar desses decisores só para não ouvir mais tantas perguntas e ter de responder que infelizmente algumas daquelas coisas não serão feitas, outras estão em “estudo” e outras anunciadas até procurava conseguir os necessários meios financeiros e técnicos para levar de vencida a brincadeira. É que, pelos vistos, o nosso povo gosta mesmo da ideia e se o povo gosta pois então que se faça a obra! Digo eu, que até nem sou político nem estou para aí virado…


Rui Canas Gaspar
2014-junho-19