notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

terça-feira, 17 de março de 2015

Fará isto algum sentido?

Manhã bem cedo e já duas jovens senhoras envergando fato de treino esticam as pernas correndo ali pela zona do belíssimo Miradouro de S. Sebastião, uma obra fruto da antiga “Comissão de Iniciativa de Setúbal”.

Alguns outros moradores do velhinho Bairro de São Domingos vêm até ali, logo pela manhã, para espreitar a sempre agradável panorâmica do rio azul, Troia, Arrábida e do natural movimento do porto de Setúbal.

E porque é início de semana, aquele espaço encontrava-se com um pouco mais de lixo que o vento tinha para ali empurrado e outro que alguns cidadãos mais descuidados para isso tinham contribuído.

De uma porta de rés-do-chão sai um homem com saco de plástico na mão, dirige-se para o largo empedrado há pouco tempo e começa numa autêntica caça aos dejetos de cão, enquanto bem alto ia avisando quem ali vai com o animal fazer semelhante serviço: “Se eu apanho quem faz isto esfrego-lhe na cara”.

“- Olha Rui, se não fossemos nós isto era uma vergonha, com tantos turistas que aqui vêm todos os dias, não há cuidado! Repara que o Miradouro está às escuras e sem luz decorativa desde que foi partido um daqueles focos que colocaram ali no chão. A limpeza só acontece aqui mesmo no miradouro e um pouco à volta, porque as mulheres que vêm varrer dizem que não o fazem junto aos dois cafés porque isso é com os donos.” Desabafa uma antiga moradora do bairro minha velha conhecida desde os tempos em que por ali andei diariamente nos escuteiros.

- Mas isso não faz sentido!- respondo-lhe – Aquilo ali é via pública e os proprietários pagam os seus impostos e taxas camarárias. E que culpa têm eles que as pessoas, suas clientes ou não, possam conspurcar a rua?...

Enquanto conversávamos, chegou a carrinha transportando duas cantoneiras de limpeza, com as respetivas ferramenta de trabalho. As mulheres começaram a varrer o espaço do miradouro e entretanto eu ausentei-me por uns breves minutos porque entretanto também chegara o técnico da EDP por quem esperava.

Qual não foi o meu espanto, quando passado pouco tempo ao regressar ao local, já as senhoras da limpeza tinham ido embora, o espaço do miradouro estava limpo, mas o lixo que se encontrava ao lado, na Rua do Forte, frente aos cafés lá estava à espera que os proprietários dos estabelecimentos o apanhassem.

Fiquei estupefacto, afinal aquela minha velha amiga tinha mesmo razão!

Fará isto algum sentido?...

Rui Canas Gaspar
2015-março-17

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segunda-feira, 16 de março de 2015

Democraticamente quem manda aqui sou eu!

Longe de mim criticar quem faz greve e muito menos as razões que levam trabalhadores a optar por esta forma de luta por aquilo que considerem seus direitos, adquiridos, a adquirir, ou a que se julgam terem direito.

Sou do tempo em que não se podia sequer opinar, quanto mais manifestar, e tive a experiencia de pelo facto de um dia o fazer, ter a desagradável visita de dois agentes da polícia política, de má memória, a temida PIDE/DGS, que me interrogaram sobre o que então tinha opinado.

Pouco tempo depois de ter terminado o serviço militar obrigatório cumprido em grande parte em terras da Guiné, já aqui, em Portugal, tive oportunidade de viver intensamente a mudança do Ditadura para a Democracia, esse parto nem sempre fácil.

Testemunhei a generosidade de muitos setubalenses, de vários quadrantes políticos, que se entregaram de corpo e alma ao serviço dos seus conterrâneos, doando o seu tempo e talentos por intermédio dos partidos políticos. Também conheci (conheço!) alguns outros setubalenses oportunistas que apanharam a boleia da revolução para a usarem em proveito próprio.

Vivendo tudo isto, volvidos 40 anos sobre a madrugada de 25 de abril de 1974, não esperaria ver na manhã de hoje, 16 de março de 2015, tamanha manifestação de ditadura como aquela que presenciei, materializada pelo encerramento da porta principal dos Paços do Concelho com uma corrente.

Como disse acima, nada tenho contra a greve ou os grevistas, mas se eles são livres para fazer greve, os outros trabalhadores que não concordam, ou não querem optar por esta forma de manifestação e desejam trabalhar têm também o direito de o fazer, caso contrario a vontade de uns (não sei se poucos ou muitos) imperará sobre a dos outros, que não podendo entrar no edifício são “democraticamente” obrigados a fazer greve.

Ora se a greve é voluntária, não faz sentido por esta via transforma-la  em obrigatória. Mas, para mim o que menos sentido ainda faz são os responsáveis pela Autarquia, não usarem dos poderes que lhes foram conferidos democraticamente pelos setubalenses, para no mesmo dia em que foi colocado, mandarem retirar a corrente e o cadeado, símbolos, não de liberdade, mas de opressão.

Passados tantos anos sobre a madrugada de Abril, temos obrigação de deixar as fraldas e viver uma democracia adulta e não numa sociedade de faz de conta.

O que vi hoje naquela que deve ser a casa da democracia sadina deixou-me triste e veio-me à mente uma engraçada frase proferida por um pseudo revolucionário aqui da nossa terra quando afirmava: “Democraticamente quem manda aqui sou eu!” .

Rui Canas Gaspar
2015-março-16

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sábado, 14 de março de 2015

O comboio alemão ao largo da costa setubalense

Estávamos no ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial.

O vapor tinha saído do porto de Setúbal abastecido da lenha necessária para que a sua caldeira produzisse a energia suficiente para o fazer movimentar durante o período da faina.

Naquele dia não foi necessário recorrer ao apoio do buque que, carregado, costumava segui-lo para o poder reabastecer, quando se tratava de maiores distâncias ou mais tempo passado no mar.

Era já noite e o Francisco, jovem pescador, estava no seu turno de vigia a bordo do “Alentejano” vapor setubalense da pesca do cerco que se encontrava fundeado junto à Praia da Baleeira, ali para os lados do Cabo Espichel, em Sesimbra, um local bem abrigado graças às altas encostas escarpadas.

Subitamente, o jovem reparou que a poucos metros do vapor setubalense uma ténue luz vermelha se deslocava sobre a água, de norte para sul, podendo observar também uma espécie de braço que dela saía.

Imediatamente deu o alarme aos seus camaradas que tiveram oportunidade de constatar tratar-se de um submarino, que navegava submerso,
Naqueles tempos conturbados esta era a arma mais temida pelos homens do mar, os seus torpedos foram responsáveis pelo afundamento de milhares de navios e por muitos mais milhares de mortos.

Poucos minutos depois de ter passado o submarino, surgem as silhuetas de vários navios de guerra que, ladeando, protegiam um enorme paquete da marinha mercante.

O comboio alemão passou bem perto do vapor pesqueiro setubalense sem incomodar e lá seguiu a sua rota, para sul.

Nessa altura os exércitos nazis alemães, aliados aos fascistas italianos ocupavam vastos territórios do Norte de África, combatendo os exércitos aliados e, certamente, aquele importante comboio levaria reforços para o teatro de operações, a conhecida “Guerra do Deserto” que ocorreu entre junho de 1940 e maio de 1943.

Salazar, o governante português, conseguiu manter a neutralidade do país que mesmo sem se envolver no conflito via o seu espaço aéreo e marítimo ser utilizados pelas diferentes forças.

Era o tempo do volfrâmio, um minério extraído de uma centena de minas portugueses, minério destinado ao fabrico de armas e munições, cujo preço subiu em flecha e, pago pelos alemães em ouro, canalizado para o nosso país via Suíça.

Também os pescadores setubalenses chamaram a esse período o do volfrâmio, porquanto o preço da sardinha subiu bastante, peixe destinado às fábricas de conservas que o exportavam igualmente para os países em guerra.

O comboio marítimo passou, o conflito bélico terminou, as minas encerraram e as fábricas conserveiras com o tempo também desapareceram, ficou a recordação de um velho pescador de Troino que hoje partilhou mais uma das suas ricas memórias de um passado recente e seguramente já pouco conhecido.

Rui Canas Gaspar
2015-março-14

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quinta-feira, 12 de março de 2015

COISAS DE SETÚBAL

A Igreja de Nossa Senhora da Ajuda

Encontra-se no Parque Natural da Arrábida, a antiga Igreja de Nossa Senhora da Ajuda.

Esta foi sede de uma paróquia rural a qual no ano de 1835 viria a ser anexada pela paróquia setubalense de Nossa Senhora da Anunciada.

Na manhã de sábado, primeiro de novembro de 1755, quando o mundo católico celebrava o “Dia de Todos os Santos” a terra tremeu violentamente derrubando muitas construções a sul de Portugal até ao norte de África e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, ali junto ao azul Rio Sado, não escapou a este terrível terramoto, tendo ficado bastante danificada.

Devido a este cataclismo, os fiéis das localidades da Rasca, Alcube, Outão e de toda a circunvizinha região deixaram de ali frequentar os serviços religiosos e passaram então a assistir à missa celebrada na capela de São Pedro de Alcube, em Aldeia Grande, uma construção religiosa que já existia no ano de 1596 e que pertencia à paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.

As ruínas desta enorme construção encontram-se no alto de uma encosta frente ao Rio Sado, sensivelmente por cima da Praia da Esguelha, podendo-se ver na sua frente um rochedo que na maré cheia fica submerso, temido durante muitos anos por pescadores e marinheiros, sendo conhecido por “Pedra Aflar”.

Com o decorrer do tempo aquela igreja perdeu importância até que as suas  instalações deixaram de ser utilizadas para culto religioso. As mesmas foram posteriormente adaptadas a outras menos espirituais, nomeadamente às de lagar e de celeiro.

Presentemente encontram-se em ruínas, rodeadas de mato, sendo um dos cerca de meia centena de artigos matriciais que compõem a propriedade da Comenda de Mouguelas.
Rui Canas Gaspar
2015-março-12

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Quando é que a Fonte Nova funcionará direito?

Esta quase a fazer um ano!

Foi no dia 26 de abril de 2014, que com bombos e festarola se fez luz na velha “Fonte Nova” com a água a jorrar das bicas e a iluminação led de cor azul a dar um tom modernaço à velha e emblemática fonte, onde tantas bilhas se partiram.

E porque o dinheiro está escasso e o desperdício de água potável é crime, um contador das Águas do Sado foi instalado numa caixa subterrânea, para ser pago pela Autarquia, e a água começou a jorrar em circuito fechado.

Um simples programador foi instalado e a luz acende-se à noite, porque de dia não vale a pena.

E para comemorar esta melhoria no meu Troino lá esteve o meu homónimo Rui Canas, Presidente da União de Freguesias acompanhado da sua camarada e minha Presidente da Câmara, Maria das Dores Meira.

Tudo muito bem, muito bonito. Aplaudi e simultaneamente fiz o reparo de que já que se estava com a mão na massa se deveria colocar a esfera armilar e espigão no alto da fonte, um acessório que dali teria desaparecido em tempos e que até nem custará tanto assim.

O facto é que nestes quase doze meses aquela obra que teve a presença dos mais altos dirigentes cá do sítio raramente funcionou como deve ser, ora porque a água ficava verde por falta de pastilhas de cloro, ora porque a água sumisse, ora porque a luz não acendesse, ou fosse lá pelo que fosse.

Valeu à velhinha Praça Machado dos Santos, a nossa popularmente conhecida Fonte Nova, a rebocadela que foi dada com pintura posterior nas ruínas do palácio Feu Guião, tapando-lhe as misérias, bem como a retirada dos fedorentos contentores e amontoados de lixo que foram substituídos por três enormes contentores enterrados.

Quanto à fonte em si, a coitada está mesmo condenada. É que para além do outro Rui Canas não mandar colocar a esfera, ainda por cima tem uma bomba elétrica a trabalhar mas sem fazer jorrar água alguma das bicas e, como se isso não bastasse, encontra-se novamente sem qualquer iluminação.

Sou apologista da valorização do nosso património, das coisas recuperadas, funcionais e bonitas, mas gastar-se dinheiro para elas não trabalharem é que não me parece boa ideia, ainda por cima quando o metal sonante está cada vez mais escasso.

Rui Canas Gaspar
2015-março-11

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É sempre bom saber mais sobre as Coisas de Setúbal

Corria o ano de 1660 quando os frades da Ordem dos Carmelitas Descalços chegaram a Setúbal e porque ainda não tivessem instalações próprias onde ficar foi no Palácio do Duque de Aveiro que se albergaram.

Passadas que foram duas décadas, em 1680, o Rei D. Afonso VI concedia-lhes autorização para fundarem fundaram o convento que passaria a ficar conhecido por Convento de Santa Teresa de Jesus de Setúbal.

O enorme edifício viria a ser erigido nos terrenos arenosos junto ao Rio Sado, quase em frente à Praia do Seixal, tendo-se iniciado a construção em 1703.

No ano de 1727 este convento receberia a visita da Rainha Dona Maria Ana de Áustria, mulher de D. João V, acompanhada do seu séquito.

Há notícia de que os padres deste convento teriam prestado ajuda à população, aquando do grande terramoto de 1755 que destruiu parte das construções setubalenses.

Em 1834 no âmbito da “Reforma geral eclesiástica” empreendida por Joaquim António de Aguiar foram extintos todos os conventos, sendo os edifícios incorporados na Fazenda Nacional.

Presentemente o imóvel é propriedade particular, encontrando-se em bom estado de conservação e para quem não conhece a localização, saiba que fica pegado à Igreja da Anunciada, em Setúbal, com entrada pela Avenida Luísa Todi, a antiga Rua da Praia.

A imagem ilustrativa é parte de um recente painel de azulejos que encontramos no interior das instalações, datado de 1991.

Rui Canas Gaspar
2015-março-11

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terça-feira, 10 de março de 2015

O “coiote” vai reabrir o seu espaço

O antigo Convento da Anunciada dos Frades Carmelitas Descalços é uma antiga construção, anexa à Igreja da Anunciada, em Setúbal, com entrada pela parte norte da Avenida Luísa Todi, sensivelmente em frente às fontes com os emblemáticos golfinhos.

Nesse edifício encontra-se a funcionar um dos mais conhecidos estabelecimentos de artes e entretenimento, o ArtKafé, um espaço onde frequentemente se poderá escutar música ao vivo, interpretada por artistas e bandas de renome.

Nos anos 90 parte do edifício foi recuperado, tendo sido colocada à vista a estrutura do teto abobadado, um artístico trabalho executado em tijoleira, que depois de envernizado ficou bem bonito.

E foi aí que, já sem frades, surgiu um bonito espaço a que foi dado o nome de “conventual” numa alusão clara à sua primitiva utilização.

Anos depois o agradável “conventual” encerrou portas, para mais tarde abrir como bar discoteca com o nome de “coiote” um espaço muito frequentado sobretudo por membros da vasta colónia brasileira radicados na cidade sadina.

A conhecida e sentida crise económica instalou-se e grande parte dos emigrantes brasileiros e de outras nacionalidades que por cá estavam a trabalhar voltaram ao seu país de origem.

Com a abrupta queda de clientela o “coiote” hibernaria por longos meses à espera que dias melhores regressassem.

Com a esperança de que o tempo pior já tenha passado o “coiote” vai no final deste mês de março de 2015 reabrir as suas instalações, uma das mais espaçosas e bem localizadas da cidade de Setúbal onde espera proporcionar bons e agradáveis momentos aos seus frequentadores.

Assim as antigas instalações que outrora serviram para a prática de culto religioso, são hoje utilizadas para a prática de outros cultos, mais mundanos, certamente.

Rui Canas Gaspar
2015-março-10

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segunda-feira, 9 de março de 2015

Mudar para pior?
A retirada de vários contentores de lixo da cidade para substituir pelos grandes depósitos semienterrados é, quanto a mim, uma sábia decisão, porquanto permite retirar da via pública uma enorme quantidade de recipientes que quando está um pouco de vento os vemos tombados, para além do espaço que ocupam e da sua inestética presença.
Os molock são depósitos de muito maior capacidade e ocupam menos espaço público.
E por serem de maior capacidade também permitem que os serviços intervalem mais a recolha, ocasionando uma significativa poupança de recursos financeiros para além de menor gasto de combustível e consequentemente melhor qualidade ambiental.
Até aqui tudo bem!
Para substituir os três contentores existentes na Avenida Independência das Colónias, frente ao nº 5, foi colocado um molock na Praceta Vitor Vitorino ficando ali muito mais discreto e com boa acessíbilidade aos Serviços de Higiene e Limpeza.
O que acontece é que ou o novo depósito semienterrado não tem capacidade suficiente para servir tantos fogos, ou os serviços de recolha passaram a ser por demais espaçados no tempo.
Neste seu período inaugural o contentor encontra-se completamente cheio e o primeiro saco de lixo já foi colocado na parde de fora, ao lado do mesmo.
De facto, temos de ter em consideração que quando se muda é suposto ser para melhor, agora fazer um serviço destes e a higiene pública piorar é que não me parece nada abonatório para quem tem a responsabilidade de zelar pelo bem-estar da população.
Espero que, das duas uma, ou passará a haver uma recolha menos espaçada no tempo ou então que façam mais um buraco e instalem outro molock, porque mudar para pior não me parece ter grande piada.
Rui Canas Gaspar
2015-março-09




Jovem mórmon setubalense vai servir missão no Japão
Os rapazes membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias devem doar dois anos do seu tempo ao serviço missionário, enquanto as raparigas são incentivadas a fazerem igual missão por 18 meses.
Os jovens depois dos 18 anos submetem o seu pedido para o serviço missionário, sem escolher para onde querem ir e, a Primeira Presidência da Igreja, designa-lhes onde devem servir.
Estes jovens missionários não auferem qualquer salário pelo seu serviço. A Igreja coloca-lhes à disposição a verba suficiente para se alimentarem e pagarem o seu alojamento. Esta verba do Fundo Missionário é suportada pela própria família, a congregação onde o jovem pertence, ou pelos fundos gerais da própria Igreja.
Cada Missão tem normalmente entre 150 a 200 jovens e é dirigida por um casal, sendo que neste momento são na ordem de 90 mil os missionários que servem em qualquer parte do mundo.
No dia 21 de Abril o jovem João Silva, filho de dois conhecidos enfermeiros setubalenses, deverá apresentar-se no Centro de Treino Missionário, em Provo, nos Estados Unidos da América, onde após uma curta estadia seguirá para o Japão para servir na Missão Nagoya.
São vários os jovens setubalenses que neste momento estão a servir em diversos territórios estrangeiros, mas para o país do sol nascente é a primeira vez que um filho desta terra, membro de A Igreja dos Santos dos Últimos Dias, parte para cumprir uma missão.
Os missionários mórmons no Japão são também convidados a cumprir tarefas de serviço voluntário de apoio à população, quando necessário, porquanto se trata de um território frequentemente afetado por cataclismos naturais, com especial destaque para os tremores de terra.
Não há dúvida que para o João o maior desafio é num curto espaço de tempo aprender a comunicar em japonês, atendendo a que a sua ação será de proselitismo, num país de mais de 127 mil membros pertencentes a uma Igreja que se encontra em praticamente todo o mundo e conta com mais de 15 milhões de cristãos.
Mas se o Bowling de Setúbal, onde com certa frequência encontramos o sorriso e a boa disposição do João ficará agora um pouco mais tristonho o mesmo não irá acontecer com o povo japonês que ao longo de vários meses passará a contar com um rasgado e natural sorriso setubalense.
Rui Canas Gaspar
2015-março-09
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domingo, 8 de março de 2015

Setúbal saiu à rua

Este solarengo fim-de-semana parecia uma autêntica romaria por toda a Avenida Luísa Todi com filas intermináveis de automóveis que se deslocavam no sentido nascente poente, com as pessoas a quererem despedir-se do frio e a dar as boas vindas ao tempo mais agradável.

Os parques de estacionamento da Avenida estavam repletos de viaturas e até o Largo José Afonso estava transformado num enorme parque de estacionamento.
Desde a Doca dos Pescadores, até ao Parque Urbano de Albarquel, era um mar de gente que passeava descontraída, enquanto as esplanadas e restaurantes se encontravam apinhados.

As praias estavam igualmente repletas desde aquela que fica dentro da cidade, a Praia da Saúde, até às maravilhosas e muito frequentadas praias da Arrábida.

Setubalenses e forasteiros que já se habituaram a vir usufruir da nossa excelente gastronomia, dos nossos agradáveis espaços públicos e das mais maravilhosas paisagens portuguesas vão transformando a pacata Setúbal, numa muito procurada cidade, onde se gosta de estar.

É natural que perante tal afluência, especialmente no P.U.A. possamos ver ao final do dia algum lixo espalhado pelos relvados e até pela ampla praia que se forma com a maré vazia, os pequenos recipientes para recolha de lixo existentes à beira rio, são demasiado pequenos e insuficientes para tamanha afluência.

De facto, quem for dar uma volta por aquele espaço ao final do dia constatará que a generalidade das pessoas são cuidadosas e quando os recipientes estão repletos colocam as garrafas, os sacos de plástico e demais restos junto aos mesmos.

O vento do final do dia encarrega-se por vezes de soprar alguns destes objetos mais leves para a praia, o que não é benéfico para o meio ambiente.

Sendo assim, seria sábio que os responsáveis pelo Serviço de Higiene e Limpeza da Autarquia, colocassem especialmente nesta época de maior afluência de pessoas, um reforço de pequenos contentores de 250 litros que poderiam ficar ao lado dos que se encontram no parque e desta forma evitaríamos não só uma má imagem, como um melhor ambiente e simultaneamente diminuiríamos o trabalho dos cantoneiros de limpeza daquele belo espaço.

Todos sabemos que no PUA também há molocks com seleção de lixos, mas também sabemos que por serem afastados (e bem!) eles servirão como apoio aos pequenos contentores.

Fica a ideia e a sugestão para que possa eventualmente ser aproveitada por quem de direito, para bem do ambiente.

Rui Canas Gaspar
2015-março-08

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sábado, 7 de março de 2015

Coisas de Setúbal

A Bataria de Milregos

Já o palácio da Comenda se encontrava concluído e habitado quando em 1916 no âmbito da Primeira Grande Guerra o Estado ordenou a edificação da Bataria de Milregos, construção situada na margem esquerda da Ribeira da Ajuda, em terrenos da Herdade da Comenda.

A construção desta bataria deveria decorrer em simultâneo com a do Casalinho, localizada um pouco a oeste do forte de São Filipe, ficando a de Milregos sensivelmente a meia distância, entre Fortes de Albarquel e do Outão.

O Conde Armand foi então notificado da pretensão do Estado português tendo concordado com a expropriação, estabelecendo-se o valor da transação em 1.766$50 verba que foi acertada entre o delegado do Exército e o feitor da referida propriedade.

Em 1919 a construção da bataria de Milregos seria interrompida quando contava apenas com um bloco edificado, numa zona escavada para o efeito, bem como a estrada empedrada de acesso, ligando as instalações militares à via principal.

A Bataria do Casalinho seria concluída e viria a ser equipada com seis potentes peças Krupp de 280mm vindo somente a ser desativada em 1962.

Em abril de 1919 faleceria o Conde Armand, Abel Henri George. A Herdade da Comenda passaria para a posse dos seus herdeiros, a viúva Françoise de Brantes e seus cinco filhos.

Corria o ano de 1928 quando o Estado e a parte expropriada chegaram a novo acordo materializado na entrega por parte do Exército dos terrenos ocupados na Comenda devolvendo o proprietário verba igual à que tinha recebido aquando da expropriação, uma dezena de anos antes. 

Rui Canas Gaspar
2015-março-07

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A guerra psicológica na Guiné

Ao encontrar um curioso panfleto, entre as minhas memórias da Guerra Colonial, veio-me à mente aquele momento vivido na distante Guiné, enquanto jovem militar ao serviço do Exército Português, no serviço de criptologia.

Naturalmente não partilhei esta experiencia nas crónicas da Guiné que então enviei para o jornal “O Setubalense” por motivos óbvios.

Lá bem longe, no meio do nada, em Bijene, na fronteira norte, onde uma pantanosa bolanha separa o território da Guiné com o Senegal, naquela noite escura no início dos anos setenta do século passado ouve-se o ruido de motor de um avião.

O temor apossou-se de alguns de nós, dado que não tínhamos recebido qualquer mensagem que indicasse a passagem de aeronaves, muito menos em voo noturno.

De facto, escutamos o ruido do motor, mas o avião navegava, sem qualquer luz, pelo que não conseguimos distinguir a sua identificação, verificando sim a bem definida direção da Guiné para o sul do Senegal, região do Casamançe, onde grupos guerrilheiros do P.A.I.G.C. se movimentavam com natural liberdade de movimentos.

Pouco tempo depois alguém trouxe-nos um impresso escrito em crioulo, onde os naturais do Casamançe se insurgiam contra o P.A.I.G.C., panfleto que tinha sido encontrado algures na mata daquele território vizinho.

É claro que o avião desconhecido certamente teve alguma coisa a ver com este e com muitos outros impressos iguais disseminados pelo território do Casamance.

Alguém mesmo sem utilizar o poder de fogo das poderosas armas ao dispor do Exército Português combatia o adversário utilizando armas diferentes, chamava-se a isto “guerra psicológica”.

Os anos passaram, a tecnologia evoluiu, mas hoje tal como ontem os métodos não mudaram muito e se não aparece por aqui um avião desconhecido a enviar panfletos propagandísticos, outros meios encontram-se ao dispor de várias forças para disseminar a mentira ou a notícia de conveniência.

Rui Canas Gaspar
2015-março-07

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quinta-feira, 5 de março de 2015

Em Setúbal, constrói-se a “Fonte das Dores”

Nos trabalhos em curso já é possível observar a caixa de fundo bem como as infraestruturas de eletricidade, sistema de circulação de água e iluminação que darão vida, luz e cor à nova fonte, que irá embelezar a zona central do Largo da Misericórdia.

A estátua de uma figura feminina, novos bancos e a placa central com renovado pavimento irão dar um alegre visual e uma maior atratividade à baixa da cidade, que assim ficará dotada de um novo polo de atração.

É normal que alguns setubalenses menos bem informados se interroguem sobre o que irá sair dali. Outros opinam sobre a mais ou menos valia da obra, e outros ainda não deixam de mandar “bocas” tão características dos setubalenses.

E foi mesmo isso que hoje escutei quando um nosso conterrâneo apreciando a obra em curso comentava para o companheiro, dizendo ele que dali iria sair a “fonte das dores”. Não sei se pelo facto do nosso amigo sentir algo e se encontrar a caminho do posto de socorros da Cruz Vermelha, ali ao lado, se numa alusão ao modelo da estátua feminina que irá ser colocada no local.

Seja como, for a fonte que ainda não existe, parece que já foi batizada mesmo antes de ver a luz do dia num parto que até parece que vai ser sem dor.

Como setubalense congratulo-me com tudo o que seja feito no sentido de melhorar a minha cidade, dando-lhe mais beleza e dotando-a de maior atratividade, sobretudo no que se refere à zona histórica.

Gostaria que a obra que está em curso, bem como todo o espaço envolvente, fosse alvo de uma mais eficaz ação policial, no sentido de ser combatido eficazmente o vandalismo que teima em destruir e danificar a propriedade privada e pública, movendo-se estes energúmenos impunemente pela cidade.

Pois então agora que o tempo mais quente está a aproximar-se venha de lá a tal “fonte das dores” e que ela seja também bem agradável e fresca.

Rui Canas Gaspar
2015-março-05

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

“Construam-me, Porra!!!”

Um grupo de jovens militantes socialistas de Beja, grafitaram em Maio de 1994, a parede de um pontão construído em 1977 destinada a dar apoio às obras da barragem do Alqueva, inscrevendo a  expressão tipicamente alentejana: “Construam-me, porra!!!”.

Esta manifestação de impaciência deveu-se ao facto dos trabalhos da barragem que viria a dar origem ao maior lago artificial da Europa estarem naquela altura num impasse.

Cartazes promocionais, apresentação em feiras no estrangeiro e outras iniciativas mais ou menos dispendiosas são meios necessariamente utilizados pela autarquia sadina, tendo como objetivo atrair mais turistas para Setúbal.

Turistas que certamente representarão uma fonte de receita para o concelho e consequentemente originando o seu maior desenvolvimento, resultando num melhor nível de vida para quem aqui vive. Será certamente este o objetivo final que se pretende atingir, até porque se assim não fosse então os meios utilizados não se justificariam.

Em função dos meios propagandísticos utilizados e da divulgação das belezas da região sadina, verifica-se que de ano para ano mais turistas nos visitam, utilizando os mais diversos meios de transporte para aqui chegarem, entre eles as modernas auto caravanas.

É sabido que o auto caravanismo está em grande expansão na Europa, daí que se verifique um maior número de turistas deslocando-se nestas viaturas, umas mais sofisticadas que outras.

Ora bem, depois de conseguirmos atrair estas pessoas o que é que aqui lhes oferecemos e quais as suas contrapartidas por utilizarem os nossos serviços?

O que lhes oferecemos é pouco mais do que uma mão cheia de nada, e como tal, eles nada pagam. Felizmente que a Natureza é mais generosa e proporciona-lhes aqui uma beleza invulgar.

E, provavelmente devido à generosidade da Natureza, estas pessoas nos visitam e cada vez em maior quantidade. Hoje mesmo, 28 de fevereiro de 2015, em pleno Inverno, 25 autocaravanas, na sua esmagadora maioria com matrícula estrangeira, estavam parqueadas num espaço sem quaisquer condições junto da Avenida José Mourinho, frente ao Sado.



Mas esta situação poderia ser bem diferente. O que é que custava à Autarquia retirar o podre vigamento de madeira, limpar o espaço e colocar alguma brita no pavimento da antiga fábrica de conserva que se encontra mesmo ao lado do improvisado parque e dotá-lo com capacidade para receber o triplo das viaturas?

Será que não se poderia fazer isto e em meia dúzia de dias transformar aquele espaço num agradável parque para receber estes turistas? Claro que sim! As verbas a despender até não serão significativas.

Se não houvesse a capacidade financeira para construir um parque de cinco estrelas, pois que ficasse com três! O ótimo sempre foi inimigo do bom. Como as coisas estão é que não é nada.

Com a cobrança de uma pequena taxa de pernoita e utilização das necessárias infraestruturas colocadas à disposição dos utentes o investimento seria rapidamente reembolsado e as pessoas teriam um espaço com mais qualidade e segurança, ao nível de uma cidade como Setúbal.

Há cerca de um ano manifestei a minha opinião sobre esta temática e agora de novo volto à carga, porque entretanto o que se fez foi proibir as autocaravanas de parquearem no local onde ocupavam junto aos cacifos dos apetrechos de pesca e permitir que estacionassem no outro dado da avenida.

Razão tinham aqueles jovens alentejanos quando escreveram a célebre frase na parede do Alqueva que ficaria para a história da importante construção.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-28

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Foi inaugurada secretamente uma importante obra na baixa de Setúbal

Setúbal é uma terra rica não só pelas suas belezas naturais mas sobretudo pelas características únicas dos seus habitantes. Alguns deles verdadeiros “cromos” dignos de figurar numa qualquer coleção de raridades.

E como o secretismo não tem limites por estas bandas, sabiam que foi recentemente inaugurada, sem qualquer pompa, uma invulgar obra de engenharia?

Em plena baixa da cidade foi colocada uma passagem aérea que permite a travessia da via pública sem que os seus utentes tenham de descer as escadas até à rua. Ao fim e ao cabo é para isso que servem estas construções!...

Numa rua estreita e bem conhecida dos mais antigos setubalenses, por outros motivos, podemos contemplar essa maravilha da engenharia e com um pouco de sorte até podemos apanhar os seus utentes em flagrante.

Pois é, para o gato ou a gata, sair e entrar em casa, o seu zeloso dono construiu esta passagem aérea que faz a ligação da sua varanda com a parede do prédio vizinho e é precisamente aí, na propriedade alheia, ainda que em ruínas, coloca a comidinha para o seu animal de estimação.

Assim como assim mais vale os gatinhos fazerem o lixo na propriedade do vizinho que na sua.

Vamos partir do princípio que o construtor desta ponte tem sólidos conhecimentos de engenharia e o material utilizado é o mais adequado e resistente a algum vento um pouco mais forte que possa soprar por aquelas bandas.

Mas… se o azar bater à porta de alguém quando a “ponte” se desprender os transeuntes que por ali passarão poderão não ficar muito bem tratados.

Não deixou de ser curioso observar uns turistas que por ali andavam a olhar estupefactos para aquela construção e a tecerem os mais variadas comentários sobre a utilização de tão estranha construção.

Vale a pena ir à baixa da cidade e passar pela Rua dos Mareantes só para observar a mais recente obra de engenharia moderna, pensada e construída para facilitar a vida aos gatos e gatas que por ali são mais que muitos.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-27

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As águas do Sado substituíram as do Jordão

No PUA, tal como todos os dias acontece, pessoas dos mais variados escalões etários corriam ou passeavam por aquele muito concorrido espaço, enquanto no rio podíamos observar as diversas embarcações que chegavam da faina, depois de uma noite de pesca.

O céu estava cinzento, a temperatura agradável, quando perto da hora de almoço chegaram ao Parque Urbano de Albarquel, algumas dezenas de pessoas de etnia cigana.

Quase uma dezena dessas pessoas vinham trajadas de branco, enquanto as restantes vestiam-se de forma informal.

Depois de formarem um círculo, à beira do rio, um deles começou a falar. Rapidamente percebi que se tratava de um pastor, provavelmente o líder da congregação e aquelas pessoas eram membros da sua Igreja.

Informaram-me que se tratavam de cristãos da Igreja Evangélica, pertencentes à congregação setubalense “Cristo para todos”.

Tinham ido até ao PUA para procederem ao batismo de sete novos conversos que iriam  passar a pertencer àquela congregação sedeada em Setúbal e frequentada na sua esmagadora maioria por elementos de etnia cigana.

Depois de um discurso sobre o arrependimento, um a um foram entrando nas águas do Sado. Cruzavam os braços e eram imersos pelo pastor com o auxilio de outro membro.  

Os elementos da congregação que se encontravam na areia ou em cima cantavam alegremente: “Nas águas do Rio Jordão, Jesus foi batizado por João” repetindo e voltando a entoar este verso, provavelmente o refrão de algum hino religioso.

A cerimónia foi concluída e, tão ordeiramente como chegaram, entraram nas suas viaturas e partiram.

Nesta quinta-feira, dia 26 de fevereiro de 2015 as águas do Rio Sado, tinham-se transformado, para aqueles crentes de etnia cigana, nas águas bíblicas do Rio Jordão.

Rui Canas Gaspar
2015-fevereiro-26

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