notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Setúbal tem condições para ser uma potência turística

Ao longo da minha vida tive oportunidade de visitar algumas dezenas de locais nos mais diversos pontos do mundo, da Rússia aos Estados Unidos, de Israel a Cuba, passando naturalmente por diversas outras nações europeias, africanas e asiáticas.
Em todos os locais por onde andei não vi apenas coisas perfeitas, não vi somente gente abastada, não vi somente coisas bonitas, vi de tudo um pouco!
Em função do que pude observar conclui que Portugal em geral e Setúbal em particular foi bafejada com a sorte de ter características ímpares que com um pouco de trabalho e algum jeitinho a podem colocar no topo do turismo internacional.
Tenho para mim que esta linda região tem sido uma espécie de patinho feio daquela “Grande Lisboa” quando nada temos a ver com a tal margem Sul, (marginalizada) devendo-nos apresentar orgulhosamente como aquilo que efetivamente somos, a bela região sedeada na margem norte do Sado.
Com o calor eles começaram a chegar como andorinhas e logo pela manhã tive oportunidade de apreciar um grande grupo de turistas de língua inglesa que se dirigiam para um dos mais belos mercados portugueses, o nosso Mercado do Livramento.
A seguir ao almoço, foi a vez de me cruzar com mais de uma centena de jovens adolescentes espanhóis que se dirigiam para o centro de canoagem no Parque Urbano de Albarquel.
Setúbal tem todas as condições para se tornar num local de atração turística nacional e internacional, onde os turistas possam acorrer aos milhares. Saibam os setubalenses colaborar, recebendo bem quem nos visita, alindando os seus espaços de residência, sendo interventivos pela positiva e procurando deixar o espaço onde residem ou trabalham sempre melhor do que o encontraram.
Saibam os nossos governantes, autarcas que nos governam e aqueles dos partidos da oposição trabalhar efetivamente em prol da nossa terra colocando o coletivo acima de interesses pessoais ou partidários.
Saibam as outras forças com capacidade interventiva, nomeadamente a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e o Parque Natural da Arrábida e do Estuário do Sado ajudar a desenvolver este espaço que nos viu nascer.
Queiramos todos fazer a nossa parte, cada um segundo as suas forças, capacidades e talentos e não terei quaisquer dúvidas, porque é mais aquilo que nos une que o que nos divide enquanto setubalenses, que a nossa terra que tem conhecido um desenvolvimento como há muito não se via, poderá a curto prazo ser uma referência turística não só a nível nacional como até internacional.
Posso estar enganado, posso estar a ser utópico, mas estou em crer que com o empenhamento de todos os setubalenses, acredito sinceramente que o que acabei de dizer pode ser uma realidade, porque efetivamente esta nossa região tem boas pernas para andar.
Rui Canas Gaspar
2015-maio-15
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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Feios, Porcos e Maus

Provavelmente este é o filme mais conhecido entre os portugueses do realizador Ettore Scola, bem como o seu melhor trabalho, vencedor do prémio, para melhor realização, no Festival de Cannes 1978.

Mas, se eu tivesse de atribuir um título a outro “filme” que vi hoje em Setúbal, provavelmente seria esta a designação que também lhe daria pelos seguintes motivos:

FEIOS - Porque os protagonistas certamente não gostarão de lindas flores, de espaços exteriores arranjados e bonitos e, como tal, se não gostam destas coisas deverão ser naturalmente feios.

PORCOS - Sem qualquer ofensa para os suínos. Mas se vêm deitar os restos dos fogareiros na via pública, ao lado de contentores, em cima de um novo revestimento que ainda se encontra em execução, a classificação não poderá ser mais adequada.

MAUS – Pois quem é que pode ser bom para os outros se nem para si o é? Ao fazer continuadamente este trabalho está a denegrir a imagem dos seus colegas da restauração que nada têm a ver com o assunto.

Pois é, estou a falar das obras de arranjo exterior que se encontram em curso no parqueamento junto aos cacifos dos pescadores.

O espaço da responsabilidade da APSS começou a ser alvo de embelezamento com a colocação de flores, e do arranjo artístico com pedra-pomes no espaço entre o passeio e o parque de estacionamento.

Mas, por incrível que pareça o mesmo restaurante que antes colocava as cinzas do fogareiro em cima da terra, ao lado dos contentores, foi agora colocar em cima da negra pedra-pomes, enquanto os trabalhadores que estão a tratar daquele espaço se encontravam ausentes.

Uma falta de respeito pelo trabalho dos outros, um desrespeito pelos demais cidadãos e uma não menos falta de respeito para com os próprios colegas de restauração.

Tive oportunidade de assistir à manifestação de indignação dos trabalhadores que tratavam daquele espaço quando verificaram que o trabalho que ainda não tinham concluído já se encontrava vandalizado por quem o deveria preservar.

Tive oportunidade de escutar da boca de outra pessoa que frequenta o local a indicação do nome do restaurante que é useiro em fazer este sujo trabalho.

Mas, o melhor a que assisti foi, um casal que participou na troca de impressões entre o pequeno grupo de indignados ao saber o nome do restaurante, e sendo para lá que se dirigia para almoçar, de imediato disse alto e bom som que não mais lá voltaria.

Não podemos generalizar e eu também não o vou fazer, mas que há por aí muita miséria engravatada que não passam de seres Porcos, Feios e Maus, lá disso não tenho dúvida.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-15

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

“É prá manhã, bem podias fazer hoje”


A foto é da autoria de António Cunha Bento, um empenhado e bem conhecido setubalense que a publicou no facebook, no grupo da Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, com a seguinte nota:

 “É claro que somos leigos, mas... não somos cegos. Este é o estado em que se encontra a torre de São Julião. Já foram alertadas as entidades há algum tempo. O pior é se um dia... a "casa cai"!

De facto, não me parece que seja necessário ser um grande entendido na matéria para se constatar que o estado em que se encontra aquela parte da edificação está por demais perigosa.

Poderão dizer os “entendidos” que aquilo já está assim há bastante tempo. É verdade! Como também é verdade que a opinião pública já foi alertada por mais do que uma vez, por diversos canais, tal como as autoridades responsáveis.

Em meu entender, a entidade ou entidades que têm responsabilidade sobre esta edificação deverão, se é que já não o foram, ser urgentemente notificadas pelos serviços de fiscalização camarários, ou pela Proteção Civil Municipal e, em última análise, dada a importância histórica da edificação e o perigo que ela representa deverá a Autarquia avançar com a obra de consolidação, com caráter de urgência, apresentando depois a conta a pagamento a quem de direito.

O facto é que se um destes dias houver notícia de alguma tragédia em pleno centro de Setúbal ocasionada pela queda total ou parcial da torre ninguém com responsabilidade poderá assobiar para o lado dizendo que ignorava o estado desta edificação religiosa.

Há que atacar o problema enquanto é tempo, porque neste como em tantos outros casos como este hoje já é tarde e amanhã… Bem, amanhã, será como cantava o saudoso António Variações “É prá manhã, bem podias fazer hoje, porque amanhã não sabes se vais cá estar”.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-13

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terça-feira, 12 de maio de 2015

É tempo de dar bom uso ao “Quiosque do Conhecimento”

Penso que nunca será demais elogiar o Parque Urbano de Albarquel pela mais-valia que ele representa para a população setubalense e seus visitantes de todas as classes sociais e de todos os escalões etários.

Porém, e como não há bela sem senão, hoje quero referir aqui, mais uma vez, uma situação que me preocupa e que já tenho partilhado com diversos amigos, os quais estão de acordo comigo na sua generalidade.

Trata-se da ausência de uma pequena biblioteca onde os utentes do PUA   possam requisitar um livro, jornal ou revista de modo a poderem melhor usufruir de uns agradáveis momentos de leitura naquele parque, a exemplo do que já se faz em muitos outros espaços públicos do nosso país.

Para a implementação desta mais-valia não é necessário gastar dinheiro, basta dar uso ao semiabandonado “Quiosque do Conhecimento” que lá se encontra praticamente inoperacional.

Para a concretização do projeto, colocar-se-ia no seu interior umas prateleiras ou armários metálicos que certamente existirão nos armazéns camarários, far-se-ia deslocar para ali alguns dos muitos livros que se encontram excedentários na Biblioteca Municipal, colocar-se-ia no exterior as cadeiras e mesas de esplanada que estão dentro do quiosque e pouco mais que isso.

Para fazer a entrega e recolha dos livros, poderia ser uma simpática tarefa a atribuir a um dos patrulheiros, que certamente a desempenharia de muito bom grado.

Custa-me ver dispendiosas estruturas abandonadas ou com utilização precária quando existe falta de meios e o dinheiro é escasso.

Já na Primavera passada avancei com esta sugestão e o que de mais aproximado se fez foi no final do Verão uma pseudo-campanha de leitura na via pública, desbaratando-se dinheiro e consumindo recursos humanos. 

Colocaram-se uns ganchos metálicos nos bancos da Avenida Luísa Todi, sendo suposto ali deixar um livro ou revista para ser trocado. Não foi preciso ser adivinho para vaticinar o fracasso da iniciativa, devido à época, ao local e ao meio utilizado. A iniciativa pouco mais durou que uma semana!

Temos de ser realistas, objetivos e práticos e sobretudo dar bom uso ao que temos, gastando pouco dinheiro e sem entrar por projetos utópicos.

É pois altura de dar bom uso ao “Quiosque do Conhecimento” antes que ele fique de uma vez por todas definitivamente degradado, colocando-o de facto ao serviço do conhecimento que os livros proporcionam.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-12
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domingo, 10 de maio de 2015

Será que queremos mesmo ter turismo em Setúbal?

De que serve estarmos a promover a nossa região interna e externamente, gastando largos milhares de euros na sua divulgação se não temos capacidade para investir algumas poucas centenas na qualidade do produto que nos propomos comercializar?

Quando estamos a vender a imagem desta belíssima região, mostramos os poucos monumentos que temos, publicitamos a saborosa gastronomia e os vinhos regionais e sobretudo as nossas magníficas belezas naturais.

Aqueles a quem conseguimos cativar o interesse deslocam-se aqui para apreciar ao vivo aquilo que é anunciado, o que é naturalmente legítimo e expectável. O que não é legítimo é defraudar as expectativas de quem aqui se desloca propositadamente.

Por exemplo:

Não é legítimo publicitar o nosso saboroso peixe assado e haver alguns comerciantes que nos tentam servir impunemente peixe congelado de vários dias misturado com peixe fresco.

Também não será boa propaganda turística deixarmos que as largas centenas de auto caravanistas que nos visitam anualmente não tenham espaço próprio para parquear as suas viaturas, pagando ou não a ocupação do respetivo espaço.

Igualmente não faz qualquer sentido apontarmos como visita obrigatória a nossa maravilhosa Serra da Arrábida e, já lá vão não sei quantos anos, que os poucos miradouros existentes no alto da serra se encontram no miserável estado que a foto documenta.

Há coisas que são de fácil resolução e ao não serem resolvidas fazem potenciar o fator negativo que nada vai abonar o turismo e como tal em nada irá contribuir para uma boa imagem que se deseja.

As consequências são fáceis de adivinhar:

- Os “chicos espertos” que servem peixe congelado como sendo fresco acabam por perder clientes e cedo ou tarde terão de fechar a tasca, culpando a “crise”.

- A Autarquia sadina que ainda não investiu na construção de um espaço próprio para as autocaravanas, uma fonte de receita que rapidamente compensaria o investimento, perde dinheiro todos os dias e turistas que pouco tempo por cá ficarão.

- O Parque Natural da Arrábida deve ter umas finanças tão miseráveis que ainda não conseguiu adquirir três ou quatro metros cúbicos de alcatrão para reparar convenientemente os miradouros, transmitindo assim uma imagem de desleixo e de falta de profissionalismo dos seus responsáveis.

O tempo quente chegou e com ele os turistas. Saibamos recebê-los bem e saibamos solucionar os pequenos problemas que se colocam ao setor de forma eficiente e célere, porque os tempos que correm não se compadecem nem com gente mole, nem com chique-espertice.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-10

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Parabéns presidente Dores Meira pelos sete aninhos do P.U.A.

O Programa Polis aprovado em 15 de maio pela Resolução do Conselho de Ministros 26/2000 tem como objetivo promover a qualidade de vida nas cidades, melhorando a atratividade e a competitividade dos polos urbanos.

Era Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, o socialista professor Manuel da Mata de Cáceres, quando no Fórum Municipal Luísa Todi se reuniram os presidentes das Câmaras Municipais com intervenções previstas no âmbito deste inovador programa, conjuntamente com o Secretário de Estado do Ambiente, engenheiro José Sócrates.

Antes do encontro no Fórum Municipal, onde foi apresentado o programa, os convidados, autarcas e governante tiveram oportunidade de fazer um passeio a pé pela Avenida Luísa Todi, para melhor a conhecerem, local onde também se encontrava um quiosque informativo do Polis.

Tratava-se de uma enorme área que iria também ser intervencionada no âmbito do programa. Este encontro de Autarcas com o representante do Governo terminaria com um almoço (quase à hora do lanche) servido na Pousada do Forte de S. Filipe.

Em Setúbal, a primeira artéria a ser intervencionada e a obra a ser dada por concluída foi a renovação da Avenida Luísa Todi, embora com várias alterações ao inicialmente projetado.

No dia 9 de maio de 2008 nascia o Parque Urbano de Albarquel, a segunda grande obra do Polis setubalense, sendo então presidente da Autarquia a comunista Dra. Maria das Dores Meira.

O Parque Urbano de Albarquel recebeu nesse dia o presidente da sociedade Setúbal Polis e presidente da CCDR-LVT, António Fonseca Ferreira, assim como o secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão.

Naquele novo espaço foi então descerrada uma lápide, em brecha da Arrábida onde o registo do evento foi gravado para que a memória dos homens dele não mais se esquecessem.

O P.U.A. como carinhosamente os setubalenses gostam de o chamar foi de facto a mais emblemática e consensual obra levada a efeito na cidade nos últimos anos, tendo transformado cerca de quatro hectares no seu extremo, na base da Serra da Arrábida, num local aprazível para toda a família, onde não faltam as necessárias infraestruturas de apoio.

Esta foi a primeira de outras obras que visam devolver o rio à cidade resultando numa ampla zona marginal ao longo do Sado, vocacionada para o lazer, o desporto e o turismo.

Em 23 de junho de 2012 outra faze seria inaugurada, desta vez a frente ribeirinha poente, via desaparecer barracões para dar lugar a amplos relvados, um quiosque e uma obra de arte com motivo de um navegador apontando para poente.

Pouco depois, era a vez do público setubalense poder usufruir do areal da Praia da Saúde.

Neste momento apenas falta concluir a demolição das antigas instalações da Sadonaval e ali edificar o “terminal 7”, recuperando urbanisticamente aquele lote de terreno entre a Praia da Saúde e o P.U.A.

Tenho para mim que um dos segredos do sucesso deste espaço, para além da sua indiscutível beleza e funcionalidade, passou pela sensação de segurança dada aos seus utilizadores. É bom lembrar que o parque era patrulhado à noite por agentes da PSP e durante o dia pelos patrulheiros, os reformados de Troino, que representaram desde sempre uma mais-valia para o P.U.A.

Se o que falta fazer for concluído durante a vigência da atual presidente da Câmara, será sem dúvida o nome dela que ficará indissociavelmente ligado a todo este projeto de recuperação ribeirinha, desde o P.U.A. até às imediações da Doca dos Pescadores, a artéria que agora se designa por Avenida José Mourinho.

Não quero deixar passar a oportunidade, neste dia para mim tão importante do ponto de vista familiar e em que se assinala também o nascimento do P.U.A. de dar os parabéns à presidente Dra. Maria das Dores Meira e a todos aqueles que tiveram a ideia, se empenharam antes e durante a construção, não esquecendo aqueles que a concretizaram, mantendo este espaço como certamente todos nós gostamos.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-09

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita!

As obras na via pública, que têm vindo a ser levadas a efeito em Setúbal, nestes últimos tempos, tem sido uma completa desgraça ao nível da sua coordenação, originando elevados transtornos a quem tem de enfrentar o trânsito citadino.

Neste momento mais uma dor de cabeça foi colocada aos automobilistas. Desta vez o problema tem o cerne entre a Avenida da Europa e a dos Ciprestes e, por se tratar de um ponto fulcral reflete-se também nas vias que para ali confluem.

Filas intermináveis, ambulâncias que têm dificuldade em circular, perdas de tempo e gastos de combustível desnecessário não aconteceriam se houvesse um pouco de bom senso, alguma fiscalização e porque não, também um pouco de profissionalismo.

As obras são importantes, são necessárias e naturalmente causam transtornos, todos nós sabemos disso! Mas não é isso que se contesta.

O que de facto não entra na cabeça de ninguém é que se façam obras desta envergadura sem colocar uns painéis informativos, sem se colocar agentes de trânsito da P.S.P. a regular o tráfego e mais elementar ainda é não se desligar os semáforos que em vez de controlar ainda complicam mais esta inexplicável situação.

Porque os semáforos estão ligados como se tudo estivesse a decorrer de forma normal, acontece que numas vias estão filas com centenas de metros e quando abre o sinal verde entra-se noutras completamente desimpedidas.

Até agora ainda ninguém conseguiu compreender porque e como se deixa a empresa que está a levar a cabo esta empreitada proceder desta arrogante maneira, ignorando os utentes da via pública, num total desrespeito e falta de profissionalismo, que só não vê quem não quer ver.

Aqui na nossa terra costuma-se dizer que “tanto ladrão é quem vai à laranja como aquele que fica a ver se aparece o guarda” se calhar o ditado cai que nem uma luva para ilustrar os que fazem a asneira e os que os que a deixam fazer, ou seja o empreiteiro e o dono da obra.

Gostaria, tal como muitos dos meus conterrâneos, saber até quando continuaremos a ver em Setúbal obras desta envergadura, sem qualquer tipo de coordenação.

Provavelmente só quando as mesmas chegarem ao fim!...

Rui Canas Gaspar
2015-maio-07

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

O “Cisne branco do Sado” deslizou hoje pelas águas do nosso belo rio azul

A primaveril tarde de hoje dia 6 de maio deste ano de 2015 estava bem agradável. O nosso belo rio azul apresentava-se de águas calmas com a baía dos golfinhos mais parecendo um verdadeiro espelho.

Eu deslizava serenamente rio abaixo depois de vários meses atracado ao cais nº 1 onde dedicados companheiros têm vindo a tratar de mim embelezando-me de modo a que me possa apresentar com novo visual, mais próximo daquele original com que saí dos longínquos estaleiros de Kiel, na Alemanha.

Neste primeiro dia de temporada tive o privilégio de transportar os mais velhos setubalenses, residentes na Freguesia de São Sebastião, provavelmente a maior parte deles antigos homens do mar, varinos, e elas, antigas “mulheres da fábrica”, as laboriosas conserveiras  sadinas.

Em terra, eram muitos aqueles que me apreciavam, deslizando sobre as águas qual cisne branco do Sado e, curiosamente enquanto eu passava junto ao P.U.A. cerca de uma dezena de jovens estudantes preparavam-se para se fazer às águas do nosso Sado, nos pequenos caiaques.

Setúbal é terra de gente do rio e de homens do mar!

Foi um dia muito interessante e espero que muitos outros se repitam. De facto são poucos ou nenhum os setubalenses ligados direta ou indiretamente ao nosso belo Sado que não gostam de me ver e fotografar, comentando com os amigos: - Este é o EVORA, o mais antigo barco fluvial português movido a diesel. Ele foi também o primeiro a utilizar hélices de aço inoxidável e é rijo que se farta. Pudera, foi construído com chapas de aço de antigos tanques alemães que combateram na Primeira Guerra Mundial!

Não sou vaidoso, mas lá que tenho um certo charme, lá isso tenho, depois… se não for eu a gostar de mim quem gostará?

Rui Canas Gaspar
2015-maio-06

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Iniciou-se em Setúbal a construção de um lar de terceira idade

Discretamente, até porque o local não é propriamente de passagem, começou a edificação de um importante e grande edifício destinado a acolher algumas dezenas de setubalenses que por se encontrarem no inverno da vida e não disporem do necessário suporte familiar poderão encontrar ali o seu último lar.

A construção a cargo da empresa COMPROJECTO tem um total de mais de 3.600 M2, encontra-se implantada num espaço que ocupa mais de mil e quinhentos metros quadrados e desenvolver-se-á em dois pisos acima da cota de soleira e mais um abaixo da mesma cota.

A edificação promovida por uma entidade particular é destinada a um lar de terceira idade e é seu promotor a empresa “TEMAS DA VIDA, LDA.” com sede em Palmela, na Villa Mariyah, local onde também possui uma das suas unidades de apoio à terceira idade.

O novo equipamento fica localizado praticamente nas traseiras do call-center, perto do Centro Comercial Alegro.

Todos notamos a carência deste tipo de equipamento quer público, quer privado, porquanto a esperança de vida entre os portugueses tende a aumentar e o apoio familiar é cada vez menor, fruto da baixa natalidade e da ausência de uma estrutura familiar consistente que possa cuidar dos seus idosos.

Conforme o Estado investiu numa rede de estabelecimentos destinados ao ensino pré-escolar é minha convicção de que deveria fazer o mesmo para apoiar aqueles cidadãos de menores recursos financeiros e que não possam suportar os encargos financeiros com uma unidade privada, sabido que estas unidades nunca serão baratas atendendo aos elevados custos de operação e manutenção.

Por tudo isto, regozijo-me com a iniciativa da construção desta unidade, cuja edificação foi agora iniciada na cidade do rio azul e que certamente virá colmatar, em parte, uma deficiência que aqui cada vez mais se faz sentir.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-05

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domingo, 3 de maio de 2015

Já se luta no Bonfim para defrontar o dragão nortenho

O Futebol Clube do Porto vai tentar ganhar este jogo no Estádio do Bonfim para se aproximar do primeiro classificado, o Benfica. Por outro lado o Vitória Futebol Clube, vai dar o seu melhor para não descer de divisão.

Embora tratando-se de duas formações diferentes atendendo à quantidade e qualidade dos seus jogadores, o facto é que ambas estão na primeira liga e ambas vão ter o mesmo tempo, em pé de igualdade, para mostrar o que valem.

O espetáculo começou cedo, mesmo antes do dia dedicado à Mãe, que hoje se comemora em Portugal. Desde ontem que foram colocadas fitas frente ao estádio, para dar conta que esta artéria estaria hoje encerrada ao trânsito automóvel.

Os vendedores de bandeiras e os tradicionais comes-e-bebes começaram também eles, a instalar os seus equipamentos no exterior, entre o Parque do Bonfim e o Estádio.

Pessoal das empresas de segurança também entraram ao serviço, bem cedo, para controlar as entradas do recinto desportivo, que ainda antes do almoço já fervilhava de atividade.

Os profissionais da publicidade atarefavam-se a instalar as últimas tarjas publicitárias e os homens e mulheres das estações de televisão afadigavam-se a montar os equipamentos com os quais irão captar as imagens que chegarão a nossas casas.

É um autêntico batalhão de profissionais que arduamente trabalham muito antes do espetáculo começar e, certamente serão  muitos aqueles que não fazem ideia, ou simplesmente nunca pensaram na enorme quantidade de recursos materiais e humanos que comporta um espetáculo de futebol.

Quando daqui a algumas horas as duas equipas pisarem o bonito e bem tratado relvado do Estádio do Bonfim e os adeptos as aplaudirem vigorosamente iniciando-se o espetáculo, muitos outros profissionais já estarão bem cansados e com muitas horas de árduo trabalho realizado.

O importante desafio vem aí, a partir das 19,15 os adeptos irão torcer pelas respetivas formações e então pois que ganhe o melhor e, que esse melhor seja o ENORME.

É evidente que “prognósticos só depois do jogo” e embora ciente da desproporção de potencial, penso naquele relato bíblico quando o pequeno pastor de nome David derrotou o gigante conhecido por Golias. Sendo assim, porque não acreditar que conseguiremos fazer o mesmo com o gigantesco dragão nortenho?

Rui Canas Gaspar
2015-maio-03

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sábado, 2 de maio de 2015

O artista setubalense está de novo em ação

Setúbal é uma cidade fértil em cantores, poetas, pintores e outros talentosos vultos das artes, dos ofícios e das letras, por isso não é de admirar que de vez em quando sejamos surpreendidos com um novo talento, qual coelho que sai da cartola do mágico, deixando-nos de boca aberta.

O mês de maio deste ano de 2015 acaba de começar e porque é um mês que os católicos portugueses celebram as aparições de Fátima, nada mais apropriado para lembrar e celebrar a efeméride do que uma obra de arte patente na via pública, subordinada a esta temática.

Já o mês de abril, por ser época pascal, o artista de rua nos tinha brindado com uma pintura alusiva a este período. Agora porque é maio, já iniciou uma outra no mesmo alçado poente do edifício do Centro Comercial do Bonfim, desta vez já é possível adivinhar o tema que embora estando ainda em esboço dá para perceber que se trata da imagem de Nossa Senhora e dos três pastorinhos.

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, para o mês que vem, porque é tradicionalmente dedicado aos santos populares (Santo António, São João e São Pedro) teremos nova pintura deste vez com aqueles três protagonistas dos festejos populares tão do agrado particular dos alfacinhas, dos tripeiros e dos montijenses.

Sendo assim que se cuidem os “borra paredes”, porque ao que parece o artista religioso com as suas obras de arte naif não deixará espaço para os inestéticos rabiscos que poluem visualmente o meio ambiente cá da terra.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-02

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Cem anos ao serviço do caminho-de-ferro

No dia 1º de maio de 1915 algumas dezenas de pessoas, seguramente técnicos que trabalharam na obra e quadros da Companhia de Caminhos de Ferro, juntavam-se frente à boca de entrada norte do recém-construído túnel de Quebedo para registar uma importante efeméride.

A maior parte destes homens usavam chapéu como era hábito na época. Porém, podemos ver na foto que ficou gravada para a posteridade, a chapa metálica colocada naquela peça masculina, indiciando que o seu utilizador era funcionário da companhia ferroviária.

O registo foi captado à boca do escuro túnel, com cerca de uma centena de metros de comprimento que atravessava a cidade por baixo do miradouro de S. Sebastião.

A entrada do túnel encontrava-se decorada, neste dia festivo, com duas viçosas palmeiras emprestando um ar de alegria àquele momento tão importante para o desenvolvimento de Setúbal em particular e do país em geral.

Vencido este obstáculo natural a linha de caminho-de-ferro poderia avançar para Sul, junto ao Sado, logo se construindo pouco depois da sua saída, nas Fontainhas, a nova estação de Setúbal-Mar.

Para que fosse possível avançar com os trabalhos da Linha do Sul a Câmara Municipal de Setúbal foi autorizada pelo Governo a cobrar novas taxas tendo por objetivo o financiamento da obra.  

Tratava-se de um importante projeto datado de 30 de abril de 1903, da responsabilidade do engenheiro Augusto César Justino Teixeira, o qual seria alvo de aprovação superior em 6 de julho de 1903, apresentando-se então como o primeiro troço da Linha do Sado.

A ligação até Alcácer do Sal só entraria oficialmente em funcionamento no dia 25 de maio de 1920. Depois, daí o comboio seguiria rumo ao Algarve, completando a linha do sul, após ter vencido em Setúbal aquele obstáculo natural que no primeiro de maio se registaria em fotografia para a posteridade.

A jovem República Portuguesa, com apenas cerca de cinco anos de existência, via desta forma assinalada, em Setúbal, graças à inauguração de uma importante obra de vulto, a efeméride em que muitos milhões de trabalhadores comemoravam o seu dia, um pouco por todo o mundo.

Rui Canas Gaspar
2015-maio-01

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terça-feira, 28 de abril de 2015

Uma vida gloriosa e um final infeliz

Luísa tinha a invulgar capacidade de cantar com a maior perfeição e expressão, não só na sua própria língua materna, o português, como também em francês, alemão, italiano e inglês, sendo considerada a meio-soprano mais célebre de todos os tempos.

Nasceu em Setúbal, no popular bairro de Troino, em 9 de janeiro de 1753, dois anos antes do grande terramoto que destruiria boa parte desta localidade. Porém, ela sobreviveria ao cataclismo vindo a falecer muito depois, com a vetusta idade de 80 anos, no primeiro dia de outubro de 1833.

Embora nascida à beira do Sado, pouco tempo da sua longa vida aqui passou. Aos 14 anos já cantava em Lisboa e, em 28 de julho de 1769, quando tinha apenas 16 anos, casaria na capital do reino com um violinista napolitano, que lhe daria o apelido de Todi.

Luísa Todi cantou e encantou os poderosos de praticamente todas as mais importantes cortes europeias da sua época e a admiração por ela era tão grande que Catarina II da Rússia convidou-a conjuntamente com o marido e filhos para a sua corte, tendo-a presenteado com joias fabulosas.

Um dia, em 1793, vem a Lisboa por ocasião do batizado de mais uma filha do herdeiro do trono, o futuro D. João VI. Aqui teve de ser ultrapassado um difícil obstáculo. É que sendo proibido as mulheres cantarem em público, Luísa Todi necessitou de uma autorização especial para o fazer.

A sua carreira internacional terminaria em Nápoles no ano de 1799 e depois de regressar a Portugal, ainda cantou no Porto em 1801, dois anos antes de enviuvar.

Esta rica cantora e cantora rica, viria a ficar pobre naquela cidade nortenha. É que as tropas de Napoleão Bonaparte, invadiram a cidade invicta e na atribulada fuga, quando atravessava a célebre ponte das barcas, em 1809, as suas joias perder-se-iam para sempre no fundo do Douro.

A nossa conterrânea que com a sua invulgar voz e enorme talento encantou meio mundo, mudar-se-ia para Lisboa em 1811 cidade onde residiu até final da sua vida.

Consta que tenha sobrevivido com grandes dificuldades económicas e afetada por cegueira.

Foi sepultada perto do Chiado, no cemitério da Igreja da Encarnação, mas com a construção de um edifício essa área ficaria por baixo das fundações do imóvel construído nas traseiras da Igreja, mais concretamente no nº 78 da Rua do Alecrim.

O maior vulto nascido em Setúbal, o expoente máximo do canto que Portugal já teve, jaz sem qualquer glória sob o pavimento de uma cave lisboeta.

Setúbal não esqueceu esta sua filha, dando o seu nome à mais importante avenida, construindo-lhe uma glorieta e atribuindo o seu nome à principal sala de espetáculos sadina.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-28

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domingo, 26 de abril de 2015

Oito anos separam estas duas fotografias

Cada dia que passo pelas instalações daquela que foi a 7ª Bataria mais degradado vejo este espaço de património tão rico quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista da sua invulgar panorâmica.

Vândalos que nada mais sabem fazer, encarregam-se de destruir tudo o que encontrem pela frente, enquanto que outros rapinam tudo o que seja vendável, nomeadamente o metal. E, ali, nem os fios de cobre que se encontravam enterrados para as transmissões internas escaparam.

Se as peças de artilharia ainda lá estão é porque são demasiado pesadas para serem transportadas, no entanto, até as velhas ventoinhas que amenizavam um pouco o ar dentro das estruturas metálicas há muito que desapareceram.

Se repararem nestas duas fotos, uma de 2007 e outra de 2015 verificarão que até o pequeno painel de azulejos que identificava a Unidade Militar sumiu. Aliás, foi uma das primeiras peças a desaparecer. Espero bem que tenham sido os militares que a retiraram e que a tenham levado para o museu.

Uma lástima, o estado em que se encontram estas amplas instalações dotadas de um tremendo potencial para os mais diversos fins, nomeadamente os relacionados com o turismo.

Até quando vamos assistir ao delapidar do património construído com o dinheiro dos nossos impostos? Se o Estado não tem capacidade para manter as estruturas, pois então que as venda com a condição de que sejam recuperadas num determinado período de tempo.

Como está é que não é nada! E é escusado gastar-se tempo e dinheiro a colocar vedações de rede metálica, porque isso é alimentar os malfeitores. O que interessa é dar uso ao edificado nem que seja passando para aquele espaço parte dos serviços do próprio Parque Natural da Arrábida, um destacamento da Guarda Nacional Republicana, ou mesmo um posto avançado dos Bombeiros.

Mas, no país onde ainda impera a burocracia e onde em cada Serviço, ou Departamento temos um reizinho todo poderoso à frente não me parece que estas sugestões possam passar da mais pura utopia!...

Rui Canas Gaspar
2015-abril-26

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sábado, 25 de abril de 2015

Lembro-me…

Lembro-me de que em determinado dia, nos finais de Abril, em meados dos anos sessenta, aparecer pelo chão nas ruas da baixa de Setúbal panfletos contra o governo totalitário liderado por Salazar, incentivando o povo a manifestar-se contra o regime.

Lembro-me que nesse dia, quando as lojas da baixa abriram a notícia começou a correr célere entre comerciantes e empregados das muitas casas comerciais que naquela noite a temível polícia política PIDE/DGS teria preso alguns conhecidos setubalenses, militantes comunistas, entre eles o dono  dos Armazéns Papeis do Sado e um senhor bem conhecido na Fonte Nova, onde naquele emblemático largo exercia as funções de alfaiate.

Lembro-me da enorme preocupação de minha mãe quando lhe contei estas novidades e lhe disse que tinha apanhado um daqueles panfletos no chão e que o tinha lido também.

Lembro-me de ter visto, naquele período de má memória, umas centenas de pessoas que se manifestaram pelas ruas da cidade, com a polícia correndo para os prender e, quando chegaram frente ao edifício da Caixa Geral de Depósitos, na Avenida Luísa Todi, arremessando pedras, partiram alguns dos vidros daquele edifício, ele também símbolo do Estado Novo.

Lembro-me de  alguns setubalenses escutarem às escondidas as notícias da Rádio Moscovo e de ouvir também da sua preocupação não fosse aparecer  um  carro com grandes antenas que detetaria a sua posição e então a polícia política tratava de intervir para os prender. Dizia-se então que um copo de água junto ao aparelho receptor originaria que o radiogoniómetro não conseguiria interceptar.

Lembro-me da preocupação de mães, esposas e namoradas, pelo facto dos seus ente queridos, tão jovens, serem mobilizados para as frentes de combate em África, temendo que alguns de nunca de lá viessem. E foram muitos os que lá faleceriam.

Lembro-me de outros que temendo a morte naquelas quentes terras de África preferiam cumprir o serviço militar obrigatório, servindo o dobro do tempo, nos gélidos mares da Terra Nova, pescando o “fiel amigo”, o bacalhau. Muitos desses jovens pescadores encontraram sepultura no fundo daqueles terríveis mares.

Lembro-me de ter sido obrigatoriamente incorporado no exército e porque a minha especialidade militar estivesse ligado aos serviços de criptologia, tenha sido obrigado a preencher uma ficha com os mais diversos dados individuais para poder ser alvo de observação pela PIDE/DGS.

Lembro-me de que quando cheguei da Guiné, dias depois e estando já a trabalhar na SETUBAUTO, ter recebido a visita de dois agentes da PIDE/DGS que trataram de mesmo ali procederem a um interrogatório, pelo simples facto de ter tido uma conversa com os colegas comentado uma notícia política, e, um deles ter passado a informação para aquela polícia.

Lembro-me de tanta coisa!… Das condições miseráveis em que a maior parte da população vivia. Nos bairros de lata que envolviam a nossa cidade, na ausência de condições sanitárias, nas dificuldades diversas do nosso dia-a-dia, que só quem não viveu nesse tempo não saberá dar o valor às conquistas que o nosso país conseguiu nestes últimos 41 anos.

Por tudo isto e mais alguma coisa, e sendo crítico de muitas das ações governativas nestes tempos de democracia, continuo a considerar que mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura, e por isso mesmo dou vivas ao dia 25 de abril de 1974 que hoje se comemora.

Rui Canas Gaspar
2015-abril-25

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